O Nordeste continua sendo um bastião de apoio para candidatos ligados a Lula, um fenômeno que perdura há mais de 20 anos. A região, com seu expressivo número de votos, exerce influência crucial nas eleições presidenciais. Contudo, especialistas apontam que a direita pode ter oportunidades de interagir com o eleitorado nordestino, embora enfrente o desafio simbólico do "lulismo" e a ausência de Jair Bolsonaro nas próximas eleições.
Luciana Santana, doutora em Ciência Política pela UFMG e professora na Universidade Federal de Alagoas, afirma que, apesar de ser desafiador reverter a popularidade de Lula, há espaço para a direita. "Todos os estados apresentam a possibilidade de conquistar eleitores. No Nordeste, reverter o favoritismo do presidente é complicado, mas não impossível", explica.
A pesquisa mais recente da Real Time Big Data, divulgada em 17 de dezembro, revela que Lula lidera com 51% das intenções de voto na região, enquanto Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece em segundo lugar com apenas 11%. No entanto, essa vantagem não se reflete nas eleições estaduais, onde a competição tende a se intensificar.
Em relação às disputas para governador, a Bahia se destaca como um espaço estratégico. Dados recentes mostram ACM Neto (União) e Jerônimo Rodrigues (PT) em um empate técnico, refletindo a polarização do eleitorado em um estado que historicamente apoia Lula. Em Alagoas, a disputa entre Renan Filho (MDB) e JHC (PL) apresenta uma dinâmica similar, com JHC liderando nas intenções de voto.
Para Luciana, é crucial que as candidaturas da direita se concentrem em questões econômicas. A região, com o potencial para se tornar um polo tecnológico e de energia limpa, exige propostas que abordem o desenvolvimento e as desigualdades regionais. "Candidatos que não aproveitarem essa oportunidade estarão cometendo um grande erro", conclui.