A atuação do delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel (foto em destaque), no caso que apurou os maus-tratos ao cão comunitário Orelha, passou a ser alvo de um procedimento preparatório instaurado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
A apuração é conduzida pela 40ª Promotoria de Justiça, responsável pelo controle externo da atividade policial. A coluna entrou em contato com o delegado, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto.
O procedimento tem como finalidade avaliar se há elementos suficientes para a abertura de um inquérito civil, que pode resultar em medidas judiciais contra o delegado.
De acordo com o MP, a apuração busca esclarecer se houve abuso de autoridade, violação de sigilo funcional e eventual ato de improbidade administrativa.
O foco está na possibilidade de o delegado ter revelado informações que deveriam permanecer sob sigilo, o que, em tese, poderia ter gerado beneficiamento por informação privilegiada ou colocado em risco a segurança da sociedade e do Estado.
O caso Orelha ganhou grande repercussão após o cão comunitário ser brutalmente agredido por um grupo de adolescentes. O animal foi resgatado por moradores no dia seguinte ao ataque, mas não resistiu aos ferimentos e morreu em uma clínica veterinária.
Por envolver menores de idade, o procedimento tramita em segredo de Justiça, conforme informou o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
Durante a apuração, os investigadores ouviram 24 testemunhas e analisaram a conduta de oito adolescentes. Para esclarecer a dinâmica do crime e identificar os envolvidos, a polícia examinou mais de mil horas de imagens, captadas por 14 câmeras de segurança instaladas na região onde ocorreram as agressões.
Agora, além da responsabilização dos envolvidos no crime, a atuação da cúpula da Polícia Civil passa a ser analisada pelo Ministério Público, ampliando o alcance institucional do caso.
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