O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou nesta quinta-feira (8) que a França votará contra o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul. A posição será apresentada à reunião de embaixadores do bloco marcada para esta sexta-feira (9) e já foi comunicada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Macron reforça a França como principal foco de resistência ao pacto, que vem sendo discutido há mais de duas décadas, acompanhado por países como Irlanda, Hungria e Polônia.
Consideramos que as contas não fecham e que este acordo não pode ser assinado
— O presidente francês condicionou qualquer apoio à inclusão de salvaguardas para proteger o setor agrícola local. , afirmou, acrescentando que Paris se opõe a qualquer tentativa de acelerar a aprovação do tratado.
A França decidiu votar contra a assinatura do acordo entre a União Europeia e países do Mercosul
— Em postagem em seu perfil oficial na rede X, Macron escreveu: .
A resistência francesa se reflete em protestos de agricultores que, revoltados com a iminente assinatura do acordo, ocuparam pontos turísticos de Paris, como Arco do Triunfo e Torre Eiffel, bloqueando vias com tratores e confrontando autoridades parlamentares. Entre os produtos em disputa estão frutas e tubérculos que apresentem resíduos de agrotóxicos proibidos na Europa, como mancozeb e carbendazim.
O acordo prevê redução gradual de tarifas e regras comuns para comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios, abrangendo setores além da agricultura, como indústria, serviços e propriedade intelectual.
Apesar da oposição francesa, a Comissão Europeia busca apoio de outros países para viabilizar o acordo. Alemanha e Espanha mantém posição firme a favor, argumentando que o pacto reforçaria a credibilidade da União Europeia na política comercial global, reduziria a dependência da China e ampliaria o acesso a minerais estratégicos e novos mercados.
A Itália sinalizou apoio condicionado à proteção do setor agrícola, após negociações que preveem a liberação de 45 bilhões de euros para agricultores entre 2028 e 2034. Com o respaldo de ao menos 15 Estados-membros representando 65% da população europeia, a Comissão poderá autorizar a assinatura do tratado, prevista para 12 de janeiro, no Paraguai.
No Brasil, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou na terça-feira (6) que o acordo apresenta progressos significativos.
Segundo ele, o pacto tem potencial para se tornar o maior acordo comercial do mundo, fortalecendo o multilateralismo e o livre comércio, especialmente em um contexto internacional marcado por guerras, instabilidade geopolítica e protecionismo.
O próximo acordo, fruto de mais de duas décadas de trabalho, está bem encaminhado. Mantemos otimismo e diálogo contínuo com os parceiros
— disse Alckmin, ressaltando que o governo brasileiro prioriza a negociação e busca avançar também em novos acordos em 2026, como com Emirados Árabes Unidos, Índia, México e Canadá.
O vice-presidente destacou que, após a assinatura, o tratado ainda precisará ser submetido a trâmites internos no Brasil, incluindo análise e votação no Congresso Nacional, além da ratificação nos parlamentos nacionais dos países-membros da União Europeia.
Argumento utilizado é o de 'direito histórico de retorno operacional', por investimentos feitos pelos EUA durante a Segunda Guerra