Desde o início do conclave, os católicos de todo o mundo aguardam ansiosos a frase “Habemus Papam”, que significa "Temos um papa". A expressão anuncia a escolha de um novo pontífice. Da varanda da basílica de São Pedro, o cardeal faz a proclamação e, em seguida, aparece o novo líder máximo da Igreja, que faz seu primeiro discurso e pronuncia a bênção "urbi et orbi" (À cidade e ao mundo).
É incerta a origem exata da expressão “Habemus Papam”, porém muitos especialistas dizem que a frase se tronou popular após o Cisma do Ocidente, crise religiosa marcada por disputas políticas que implicou na existência de vários pontífices.
Com o fim dessas disputas e a imposição de um único papa, a tradição do "Habemus Papam" teria surgido para ratificar a legitimidade do papa, que unifica a Igreja em sua figura.
“A fórmula tradicional de anúncio, com o ‘Habemus Papam’, foi adotada no século XV, sendo utilizada pela primeira vez em 1417, quando foi eleito o Papa Martinho V", diz o diácono Eduardo Douglas, da Arquidiocese do Rio de Janeiro.
O responsável pelo anúncio é o cardeal francês Dominique Mamberti, 73 anos. Pela idade, Mamberti, que tem o título de protodiácono, votará no conclave. Caso ele tenha sido eleito, a responsabilidade de anunciar o "Habemus Papam" passa para o segundo cardeal-diácono mais antigo, o italiano Mario Zenari.
“Os cardeais são divididos em três ordens: cardeais diáconos, cardeais presbíteros e cardeais bispos; apesar dos nomes das ordens, desde a Idade Média os cardeais são em sua maioria bispos, com alguns presbíteros como exceção", explica o clérigo. "Os nomes ficaram como uma herança histórica. O cardeal mais velho da ordem dos cardeais diáconos, chamado protodiácono, é o responsável por anunciar aos fiéis o nome do novo papa.”
Antes de todo esse rito, há ainda outros protocolos a serem cumpridos pelo cardeal eleito. Ele deverá responder a duas perguntas: "Aceita sua eleição canônica para Sumo Pontífice?" e "Como deseja ser chamado?". Caso responda sim à primeira, torna-se papa e bispo de Roma.
Douglas afirma que o avanço da tecnologia possibilitou aos fiéis espalhados por todo o mundo a participar deste importante momento do cristianismo.
"O 'Habemus Papam' de Pio XII, em 1939, foi o primeiro a ser filmado, mas o primeiro a ser transmitido em tempo real para todo o mundo foi o de João Paulo I em 1978. Desde então, tem crescido o interesse em conhecer e acompanhar os diversos momentos e ritos do conclave", diz.
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