Acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entra na reta final, e já é possível antever como ele deve alterar o fluxo de mercadorias entre os dois blocos.
No Brasil, os efeitos tendem a alcançar tanto o consumo cotidiano quanto setores produtivos, como a indústria e o agronegócio.
Uma das mudanças mais perceptíveis deve atingir diretamente o consumidor: a maior presença de produtos tradicionais da UE no mercado brasileiro.
Entre os itens que podem ganhar espaço estão vinhos, queijos e lácteos, que passam a contar com acesso diferenciado ao país, abrindo caminho para uma redução gradual de preços ao longo do tempo.
Carros importados da Europa, por exemplo, hoje enfrentam taxação de 35%, que deverá ser zerada em até 15 anos, contribuindo para o barateamento desses produtos.
Estimativa do Ipea é de que o Brasil seja o país mais beneficiado no acordo entre Mercosul e UE
Após mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entra na reta final, e já é possível antever como ele deve alterar o fluxo de mercadorias entre os dois blocos. No Brasil, os efeitos tendem a alcançar tanto o consumo cotidiano quanto setores produtivos, como a indústria e o agronegócio.
Ao g1, a professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Regiane Bressan, avalia que uma das mudanças mais perceptíveis deve atingir diretamente o consumidor: a maior presença de produtos tradicionais da UE no mercado brasileiro.
Veja quais são os países envolvidos no Acordo UE-Mercosul. — Foto: Arte/g1
Entre os itens que podem ganhar espaço estão vinhos, queijos e lácteos, que passam a contar com acesso diferenciado ao país, abrindo caminho para uma redução gradual de preços ao longo do tempo.
Rodrigo Provazzi, CEO da Provazzi Consultoria e executivo em gestão de risco, destaca que outros itens de supermercado, como azeite, chocolate e algumas bebidas destiladas, também devem registrar queda de preços nos próximos anos.
Essa redução ocorre, em grande parte, pela eliminação gradual das tarifas alfandegárias. Carros importados da Europa, por exemplo, hoje enfrentam taxação de 35%, que deverá ser zerada em até 15 anos, contribuindo para o barateamento desses produtos.
Esse processo pode levar de dois a três anos
— No entanto, a queda de preços tende a ser gradual, especialmente em itens complexos como automóveis, por conta da dependência de uma cadeia global de componentes — incluindo insumos vindos da China. , explica o consultor.
Enquanto alimentos e veículos chamam mais a atenção do consumidor, medicamentos e produtos farmacêuticos — inclusive de uso veterinário — seguem como os principais itens importados da UE, representando mais de 8% do total, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
INFOGRÁFICO – Quem ganha e quem perde com o acordo entre União Europeia e Mercosul — Foto: Arte/g1
Os efeitos do acordo, porém, não se limitam aos bens finais importados e alcançam também insumos utilizados na produção. Embora o impacto imediato seja percebido no consumo, a medida tende a influenciar a estrutura produtiva brasileira.
O acesso a tecnologias europeias mais baratas pode reduzir custos para empresas nacionais e estimular investimentos em modernização.
Leonardo Munhoz, pesquisador do Centro de Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV), explica que a eliminação de tarifas deve baratear tecnologias usadas no campo.
O impacto não se restringe ao agronegócio. O acordo também deve ampliar a importação de bens manufaturados e tecnologias para a indústria brasileira, reduzindo custos e tornando mais viáveis os investimentos em modernização.
O maior valor agregado envolvido nessas trocas muda a dinâmica da indústria local
— Segundo a professora da Unifesp, exportar produtos com maior valor agregado para a UE pode gerar mais empregos do que a venda de commodities para outros mercados. , completa Bressan.
O acordo UE-Mercosul também abre caminho para a ampliação das exportações brasileiras de calçados, frutas e outros produtos agrícolas. No ano passado, essas vendas já vinham crescendo: as exportações do Brasil para a UE alcançaram US$ 49,8 bilhões.
Apesar disso, a balança comercial segue mais favorável ao bloco europeu, que exportou US$ 50,3 bilhões para o Brasil.
Os efeitos macroeconômicos sobre a inflação são pequenos e não devem ser relevantes no curto prazo
— Rodrigo Provazzi alerta que produtos do agronegócio exportados em maior volume poderiam ter aumento de preços no mercado interno devido à redução da oferta. Ainda assim, considera improvável que isso afete de forma significativa o bolso dos brasileiros. , afirma.
Mas não vejo esses ganhos de forma automática e homogênea para todos. Isso vai variar de setor para setor, dependendo da eliminação de tarifas.
— Leonardo Munhoz ressalta que o acordo gera benefícios, como menor risco comercial e acesso facilitado ao mercado europeu de cerca de 500 milhões de consumidores.
Para o pesquisador da FGV-Agro, os ganhos do acordo para o agronegócio tendem a se espalhar por toda a cadeia produtiva, beneficiando grandes produtores e também pequenos e médios que exportam por meio de tradings — empresas intermediárias responsáveis pela logística, documentação e comercialização no exterior.
Esse efeito será em cascata: o grande exporta diretamente, mas o pequeno depende de uma trader para vender. Assim, todos os elos da cadeia acabam sentindo os benefícios do acordo
— explica Munhoz.
INFOGRÁFICO – Próximos passos do acordo entre União Europeia e Mercosul — Foto: Arte/g1
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