O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), inflação oficial do Brasil, não trouxe surpresas para os economistas na última leitura de 2025, para o bem e para o mal. Ao subir 0,33% ante novembro, em linha com a expectativa do mercado, o IPCA do mês confirmou a volta do indicador para a banda de tolerância da meta no fechado do ano, com o câmbio, o clima e a China ajudando os preços de alimentos e bens industriais. Ao mesmo tempo, porém, o índice também mostrou, como esperado, uma composição pior em métricas que retratam a tendência da inflação, como núcleos e serviços, que aceleraram de 2024 para 2025.
O IPCA de dezembro acelerou em relação à alta de 0,18% de novembro e fechou 2025 com variação de 4,26%, a menor taxa anual desde 2018, quando registrou 3,75%. O resultado também ficou abaixo do teto de 4,5%, mas acima do centro da meta, de 3%. Em 2024, quando a apuração contínua da meta ainda não estava em vigor, o IPCA fechou em 4,83%, estourando esse limite. De lá para cá, já com a apuração contínua da meta valendo, o IPCA acumulado em 12 meses ficou acima do teto em todos os meses até novembro de 2025, quando recuou para 4,46%. Em 2023, o IPCA fechou com alta de 4,62%, dentro do limite da meta, que na época era de 3,25%, com tolerância para até 4,75%.
Seis das nove classes de despesas analisadas registraram aceleração de preços na passagem de novembro para dezembro. Foram observadas taxas maiores de inflação em alimentação e bebidas (de -0,01% para 0,27%); artigos de residência (de -1% para 0,64%); transportes (de 0,22% para 0,74%); saúde e cuidados pessoais (de -0,04% para 0,52%); educação (de 0,01% para 0,08%) e comunicação (de -0,20% para 0,37%).
Por outro lado, foram registradas taxas menores em habitação (de 0,52% para -0,33%); vestuário (de 0,49% para 0,45%) e despesas pessoais (de 0,77% para 0,36%).
A taxa de 0,33% em dezembro de 2025 foi a menor para o mês desde 2018, quando subiu 0,15%. Tradicionalmente, o indicador nessa época é pressionado pelo consumo típico de fim de ano, como de alimentos para festas e presentes de Natal, mas, em 2025, a menor taxa de dezembro em quase dez anos contou com a queda nos preços de alimentos que pesam no orçamento das famílias, como arroz (-2,04%), tomate (-3,95%) e leite longa vida (-6,42%), aponta Fernando Gonçalves, gerente do IBGE responsável pelo IPCA.
Também contribuiu para esse resultado, segundo Gonçalves, o desempenho da energia elétrica, cujo preço caiu 2,41% em dezembro, com a mudança na bandeira tarifária da conta de luz de vermelha 1 para amarela, após alta de 1,27% em novembro.
Foi a vilã da inflação no ano. A influência vem das bandeiras tarifárias e dos reajustes
— Ainda assim, a energia elétrica subiu 12,31% no ano e foi a principal influência altista para a inflação brasileira em 2025, contribuindo com 0,48 ponto percentual da taxa de 4,26% (ou 11,26% da alta do IPCA). , afirma Gonçalves.
Dos 12 meses de 2025, seis tiveram bandeira tarifária vermelha, e dois, amarela. O que importa mesmo para a variação no IPCA, no entanto, é que, em dezembro de 2024, a bandeira tarifária era verde, que é o mais comum para essa época do ano. No caso dos reajustes, afirma Gonçalves, houve variações de até 20% ao longo de 2025.
Os alimentos foram os que mais contribuíram para essa taxa mais contida de 4,26% da inflação em 2025
— No ano, a alta dos preços de alimentação e bebidas, grupo de maior peso no orçamento das famílias e no cálculo da inflação, apresentou forte desaceleração, de 7,69% em 2024 para 2,95% em 2025. , diz Gonçalves.
O resultado foi influenciado pela alimentação no domicílio, que foi de 8,23% em 2024 para 1,43% em 2025. Por seis meses consecutivos (junho a novembro do ano passado), a alimentação no domicílio registrou variação negativa, acumulando queda de 2,69% no período.
Em dezembro, a alimentação no domicílio retornou ao terreno positivo, mas a um ritmo menor do que o esperado (0,14%, ante projeção de 0,2%), devido à queda acentuada nos preços do leite e derivados e ao aumento menos expressivo da carne bovina, afirma Laiz Carvalho, economista para Brasil do BNP Paribas.
um gosto amargo, indicando uma piora no aspecto qualitativo
— Apesar da boa notícia da desinflação observada em 2025, com o IPCA ficando dentro do teto da meta com um trimestre de antecedência ao previsto pelo próprio Banco Central, o dado de dezembro deixa , afirma André Valério, economista-sênior do Inter.
Embora, em parte, a elevação seja sazonal, observamos que é o maior valor mensal desde abril de 2025
— Nesse sentido, a média dos núcleos — medidas para suavizar itens voláteis e que são acompanhadas de perto pelo BC —, por exemplo, subiu de 0,23% em novembro para 0,46% em dezembro, segundo Valério. , afirma, em referência à alta de 0,5%.
Com isso, apesar de o IPCA ter fechado 2025 dentro do teto da meta, a média dos núcleos encerrou o ano com alta acumulada de 4,61%, ainda acima do limite da meta e acelerando ante os 4,34% de 2024.
Além disso, as medidas de inflação de serviços também apresentaram piora, diz Valério. A inflação de serviços passou de 0,6% em novembro para 0,72% em dezembro, muito influenciada pela alta de quase 13% nas passagens aéreas, mas, mesmo excluindo esse item, a aceleração na inflação de serviços seria de 0,41% para 0,49%, segundo Valério.
muito acima do limite superior da meta de inflação
— Em 2025, os serviços registraram inflação de 6%, ante 4,7% em 2024, , diz Valério. Eles também permanecem bem acima da média pré-pandemia (2017 a 2019) de 4,2% ao ano, quando a meta de inflação também era mais alta, nota Roberto Secemski, economista-chefe para Brasil do Barclays. “Esse grupo continua a exigir atenção”, afirma.
A inflação também se espalhou mais pelos itens que compõem o IPCA no fim do ano passado. O índice de difusão, que mede a proporção de bens e serviços com aumento de preços, subiu de 55,7% em novembro para 60,5% em dezembro, segundo cálculos do VALOR DATA considerando todos os itens da cesta. Sem incluir os alimentos, um dos grupos mais voláteis, o indicador avançou de 49,3% para 64,6%.
Para Secemski, a melhora da inflação ao longo de 2025 se baseou em uma composição de fatores relativamente frágil, já que dependeu muito do efeito da apreciação cambial sobre os preços da alimentação e de bens industriais, enquanto os serviços foram ajudados em alguns meses por condições pontuais, como a deflação em seguro veicular, mas seguiram pressionados.
Em 2026, ano eleitoral, diz, contar com mais uma rodada desse alívio via câmbio é pouco provável, ao mesmo tempo em que a melhora do processo inflacionário não parece suficientemente madura para gerar um cenário expressivamente mais benigno para os serviços.
A inflação de serviços subjacentes (mais ligados ao ciclo econômico) fechou 2025 com alta de 5,9%, bem parecido com o 5,8% do fim de 2024. Mas a inflação dos serviços intensivos em mão de obra acelerou para 6,8%, de 5,5% um ano antes. Foi o maior índice desde julho de 2017, segundo Secemski, refletindo as condições restritivas no mercado de trabalho e o aumento dos salários.
Embora consideremos positiva a melhora contínua da inflação corrente e das expectativas do mercado, não vemos esse movimento como suficientemente maduro para gerar um cenário mais favorável para o setor de serviços, particularmente os serviços subjacentes, que permanecem pressionados
— afirma.
Alimentação, energia elétrica e serviços foram alguns dos pontos importantes
Segundo especialistas, apesar de o IPCA ter fechado 2025 dentro do teto da meta, a média dos núcleos encerrou o ano com alta acumulada de 4,61%, acima do limite da meta e acelerando ante os 4,34% de 2024
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