Publicidade
Capa / Econômia

CEO do Washington Post deixa o cargo após onda de demissões

Will Lewis, editor e CEO do The Washington Post, posa para um retrato em Washington, domingo, 5 de novembro de 2023. — Foto: Matt McClain/The Washington Post...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 10/02/2026 às 11:45 · Atualizado há 6 dias
CEO do Washington Post deixa o cargo após onda de demissões
Foto: Reprodução / Arquivo

Will Lewis, editor e CEO do The Washington Post, posa para um retrato em Washington, domingo, 5 de novembro de 2023. — Foto: Matt McClain/The Washington Post via AP

O editor-executivo do Washington Post, Will Lewis, disse no sábado (7) que está deixando o cargo, encerrando um período conturbado três dias depois de o jornal anunciar a demissão de um terço de sua equipe.

Lewis anunciou sua saída em um e-mail de dois parágrafos enviado aos funcionários, afirmando que, após dois anos de transformação, “agora é o momento certo para eu me afastar”. O diretor financeiro do Post, Jeff D’Onofrio, foi nomeado editor-executivo interino.

Nem Lewis nem o bilionário dono do jornal, Jeff Bezos, participaram da reunião com funcionários que anunciou as demissões na quarta-feira (4).

Embora esperados, os cortes foram mais profundos do que o previsto e resultaram no fechamento da renomada editoria de esportes do Post, na eliminação da equipe de fotografia e em fortes reduções no pessoal responsável pela cobertura de Washington metropolitana e do exterior.

Esses cortes se somam a uma saída generalizada de profissionais nos últimos anos no jornal, que perdeu dezenas de milhares de assinantes após a decisão de Bezos, no fim da campanha presidencial de 2024, de recuar de um endosso planejado a Kamala Harris, além de uma posterior mudança da seção de opinião para uma linha mais conservadora.

Martin Baron, primeiro editor do Post sob o comando de Bezos, criticou o antigo chefe nesta semana por tentar agradar o presidente Donald Trump e classificou o que ocorreu no jornal como “um estudo de caso de destruição de marca quase instantânea e autoinfligida”.

Um manifestante segura um recorte de papelão com o rosto de Jeff Bezos em frente à agência do Washington Post após uma demissão em massa, na quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026, em Washington. — Foto: AP/Allison Robbert

Nascido no Reino Unido, Lewis foi um alto executivo do The Wall Street Journal antes de assumir o Post em janeiro de 2024. Seu período no cargo foi turbulento desde o início, marcado por demissões e por um plano de reorganização fracassado que levou à saída da então editora-chefe Sally Buzbee.

A escolha inicial de Lewis para substituir Buzbee, Robert Winnett, desistiu do cargo após surgirem questionamentos éticos sobre ações dele e de Lewis quando trabalhavam na Inglaterra — incluindo o pagamento por informações que renderam grandes reportagens, prática considerada antiética no jornalismo americano. O atual editor-executivo, Matt Murray, assumiu pouco depois.

Lewis também não conquistou a simpatia dos jornalistas do Post ao falar de forma direta sobre o trabalho deles, chegando a afirmar, em uma reunião, que mudanças eram necessárias porque poucas pessoas estavam lendo suas matérias.

As demissões desta semana levaram a pedidos para que Bezos aumente seus investimentos no jornal ou o venda a alguém que tenha um papel mais ativo. Em sua nota, Lewis elogiou Bezos: “A instituição não poderia ter tido um dono melhor”, afirmou.

O Washington Post Guild, sindicato que representa os funcionários, afirmou que a saída de Lewis demorou a acontecer.

Seu legado será a tentativa de destruição de uma grande instituição do jornalismo americano

— disse o sindicato em nota. “Mas ainda dá tempo de salvar o Post. Jeff Bezos deve reverter imediatamente essas demissões ou vender o jornal a alguém disposto a investir em seu futuro.”

Bezos não mencionou Lewis em comunicado no qual afirmou que D’Onofrio e sua equipe estão posicionados para levar o Post a “um próximo capítulo empolgante e próspero”.

D’Onofrio, que entrou no jornal em junho passado após passagens pela empresa de gestão de anúncios digitais Raptive, pelo Google, pela Zagat e pela Major League Baseball, disse em mensagem à equipe que “estamos encerrando uma semana difícil de mudanças com mais mudanças”.

Este é um momento desafiador para todas as organizações de mídia, e o Post infelizmente não é exceção

— escreveu. “Tive o privilégio de ajudar a traçar o rumo tanto de empresas disruptivas quanto de instituições culturais tradicionais. Todas enfrentaram ventos econômicos contrários em setores em transformação, e estivemos à altura desses momentos. Não tenho dúvida de que faremos o mesmo, juntos.”

Polícia americana faz busca e apreensão em casa de jornalista do Washington Post

De segunda a sábado, as notícias que você não pode perder diretamente no seu e-mail.

Para se inscrever, entre ou crie uma conta Globo gratuita.

Família morre soterrada após açude estourar e levar parte de casa em MG

Criança de 5 anos morre soterrada em deslizamento após chuva no RJ

Inflação começa o ano acima da projeção, com a alta dos combustíveis

Pancreatite e canetas emagrecedoras: entenda a ligação e o que está por trás

PM é preso suspeito de envolvimento no sumiço da ex e os pais dela no RS

O que se sabe sobre piloto acusado de chefiar rede de abuso infantil

Parlamento europeu aprova proteção a agricultores do acordo com Mercosul

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade