O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que conversou por telefone com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, sobre o fim da guerra na Ucrânia, informou o New York Post. Essa seria a primeira conversa direta conhecida entre Putin e um presidente dos EUA, desde o início de 2022.
Trump, que prometeu acabar com a guerra na Ucrânia, mas ainda não revelou em público como pretende fazer isso, disse na semana passada que a guerra era um "banho de sangue" e que sua equipe havia tido "algumas conversas muito boas".
Em uma entrevista concedida a bordo do Air Force One na sexta-feira, Trump disse ao New York Post que era "melhor não dizer", quando questionado sobre quantas vezes ele e Putin haviam se falado.
"Ele (Putin) quer ver as pessoas pararem de morrer", afirmou Trump ao New York Post. A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário fora do horário comercial.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse à agência de notícias estatal TASS que "muitas comunicações diferentes estão surgindo".
"Essas comunicações são realizadas por diferentes canais", afirmou Peskov ao ser questionado pela TASS sobre a reportagem do New York Post. "Pessoalmente, posso não saber de algo, posso não estar ciente de algo. Portanto, neste caso, não posso nem confirmar nem negar."
A guerra no leste da Ucrânia começou em 2014, depois que um presidente pró-Rússia foi derrubado na Revolução Maidan e a Rússia anexou a Crimeia, com forças separatistas apoiadas pela Rússia lutando contra o exército ucraniano.
Em 2022, Putin enviou milhares de tropas para a Ucrânia, chamando a invasão de "operação militar especial" para proteger falantes de russo no país, e conter o que ele classificou como uma grave ameaça para a Rússia devido à possível entrada da Ucrânia na OTAN.
A Ucrânia e seus aliados ocidentais, liderados pelos EUA, descreveram a invasão como uma anexação territorial no estilo imperial e prometeram derrotar as forças russas.
Atualmente, Moscou controla uma parte da Ucrânia do tamanho do estado americano da Virgínia e está avançando no território ucraniano no ritmo mais rápido desde os primeiros dias da invasão de 2022.
Trump, autor do livro A Arte da Negociação (1987), disse várias vezes que quer acabar com a guerra e que se reunirá com Putin para discutir o assunto, embora a data ou local de uma cúpula ainda não sejam conhecidos publicamente.
A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos são vistos pela Rússia como possíveis locais para um encontro, informou a Reuters no início deste mês.
Em 14 de junho, Putin estabeleceu suas condições iniciais para um fim imediato da guerra: a Ucrânia deve abandonar suas ambições na OTAN e retirar suas tropas de quatro regiões ucranianas reivindicadas e controladas em grande parte pela Rússia.
A Reuters noticiou em novembro que Putin está aberto a discutir um acordo de paz na Ucrânia com Trump, mas descarta fazer concessões territoriais significativas e insiste que Kiev abandone ambições de aderir à OTAN.
O Kremlin tem pedido cautela em relação às especulações sobre contatos com a equipe de Trump para um possível acordo de paz.
Leonid Slutsky, chefe do comitê de relações internacionais do Parlamento russo, foi citado pela agência de notícias estatal RIA na quinta-feira como tendo dito que os preparativos para essa reunião estavam "em estágio avançado", e que ela poderia ocorrer em fevereiro ou março.
Putin falou pela última vez com o então presidente dos EUA, Joe Biden, em fevereiro de 2022, pouco antes de ordenar a entrada de milhares de tropas na Ucrânia. Segundo o Kremlin, a conversa durou cerca de uma hora.
O jornalista do Washington Post, Bob Woodward, em seu livro War (2024), relatou que Trump, depois que deixou a Casa Branca em 2021, teve conversas diretas até sete vezes com Putin. Perguntando se isso era verdade em uma entrevista à Bloomberg no ano passado, Trump disse: "Se eu fiz isso, foi uma decisão inteligente." O Kremlin negou a informação.
Na sexta-feira, Trump disse que provavelmente se reuniria com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy na próxima semana para discutir o fim da guerra.
Trump disse ao New York Post que "sempre teve um bom relacionamento com Putin" e que tem um plano concreto para acabar com a guerra, mas não revelou mais detalhes.
"Espero que seja rápido", disse Trump. "Todo dia, pessoas estão morrendo. Essa guerra está muito ruim na Ucrânia. Quero acabar com essa coisa maldita."