Publicidade
Capa / Brasil

Mudanças nas recomendações de vacinação nos EUA confundem pais e prejudicam crianças, dize

Mudanças recentes nas recomendações federais de vacinação infantil nos Estados Unidos têm gerado confusão entre pais, aumentado a hesitação em relação às vac...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 10/01/2026 às 11:51 · Atualizado há 1 dia
Mudanças nas recomendações de vacinação nos EUA confundem pais e prejudicam crianças, dize
Foto: Reprodução / Arquivo

Mudanças recentes nas recomendações federais de vacinação infantil nos Estados Unidos têm gerado confusão entre pais, aumentado a hesitação em relação às vacinas e podem colocar crianças em risco, alertam médicos e entidades médicas do país.

Especialistas afirmam que a nova abordagem, anunciada nesta semana pelo governo norte-americano, enfraquece a mensagem de que as vacinas são seguras, eficazes e fundamentais para a prevenção de doenças graves.

A pediatra Molly O'Shea, que atende em dois consultórios no estado de Michigan, diz que já vinha observando um crescimento do ceticismo vacinal entre as famílias antes mesmo das mudanças. Em uma de suas clínicas, localizada em uma região majoritariamente democrata, pais têm optado por esquemas alternativos, espaçando as doses.

Na outra, em uma área republicana, há famílias que deixaram de vacinar completamente os filhos.

Elas criam um ambiente de incerteza sobre o valor, a necessidade e a importância das vacinas

— Segundo ela, as novas diretrizes tendem a agravar esse cenário. , afirma.

Para a médica, a forma como as recomendações foram reformuladas pode levar pais a acreditar que apenas um grupo restrito de crianças realmente precisa ser imunizado.

tomada de decisão clínica compartilhada

— A principal alteração foi a interrupção das recomendações universais para vacinas que protegem contra seis doenças. A partir de agora, esses imunizantes passam a ser indicados apenas para crianças consideradas de alto risco ou mediante um processo chamado de entre pais e profissionais de saúde.

Esse conceito, segundo pediatras, é pouco compreendido e potencialmente problemático. A chamada decisão compartilhada não significa apenas conversar sobre a vacina —algo que já faz parte da rotina médica—, mas um processo individualizado, no qual a imunização deixa de ser indicada de forma ampla para todas as crianças de determinada faixa etária.

No site do Comitê Consultivo sobre Práticas de Imunização, a definição afirma que, nesse modelo, a vacinação não é recomendada para todas as pessoas de um grupo, mas avaliada caso a caso, com base no diálogo entre o profissional de saúde e o paciente ou responsável.

Pesquisas recentes do Centro de Políticas Públicas Annenberg mostram que a maioria dos adultos nos EUA não entende bem o que esse conceito significa.

Apenas cerca de 20% sabiam que a decisão compartilhada pode indicar que uma vacina não é necessária para todos, mas benéfica para alguns. Menos de um terço reconhecia que farmacêuticos também fazem parte dos profissionais habilitados a participar desse processo.

Para médicos e entidades científicas, as mudanças ocorrem em um momento particularmente sensível, em que as taxas de vacinação infantil já vinham caindo e doenças evitáveis, como sarampo e coqueluche, voltaram a causar surtos no país.

Na sexta-feira (9), a Academia Americana de Pediatria e mais de 200 organizações médicas, de saúde pública e de defesa dos pacientes enviaram uma carta ao Congresso pedindo investigação sobre as alterações no calendário vacinal.

No documento, os grupos questionam por que evidências científicas consolidadas teriam sido ignoradas e por que o comitê técnico responsável não debateu publicamente as mudanças.

O secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., afirmou que as novas recomendações alinham o país a padrões internacionais e reforçam a transparência e o consentimento informado. Médicos, no entanto, discordam e dizem que a medida semeia dúvidas injustificadas sobre vacinas amplamente testadas e consideradas seguras.

Vacinação de bebês contra a Covid em Boa Vista — Foto: PMBV/Divulgação

Além da confusão entre pais, pediatras alertam para impactos práticos no atendimento. Segundo O'Shea, vacinas enquadradas como decisão compartilhada podem deixar de ser aplicadas em visitas rápidas apenas para imunização, exigindo consultas mais longas com profissionais de saúde. Isso pode dificultar, por exemplo, campanhas de vacinação em massa, como clínicas de gripe.

joga gasolina em um incêndio de desconfiança

— O pediatra Steven Abelowitz, fundador da Ocean Pediatrics, na Califórnia, diz que recebeu relatos de pais confusos logo após o anúncio das mudanças. Para ele, a decisão federal que já vinha se espalhando.

Já vimos o que acontece quando a vacinação cai: mais hospitalizações e até mortes por doenças que poderiam ser evitadas

— afirma. “Estamos, na prática, retrocedendo décadas.”

Apesar do cenário, muitos médicos dizem que continuarão seguindo as recomendações científicas tradicionais e orientando as famílias a manterem o calendário vacinal completo. Parte dos pais também pretende seguir nesse caminho.

É minha responsabilidade proteger a saúde do meu filho

— É o caso de Megan Landry, mãe de Zackary, de 4 anos, paciente de O'Shea. , diz. “As vacinas são uma das formas mais eficazes e bem estudadas de fazer isso.” Para ela, confiar em evidências científicas e em profissionais de saúde é essencial —não apenas para proteger o próprio filho, mas também a coletividade.

Outras famílias, porém, demonstram crescente desconfiança. Para O'Shea, a maior preocupação é a mensagem implícita de que os especialistas não seriam confiáveis.

Quando levo meu carro ao mecânico, confio que ele sabe o que está fazendo

— compara. “Com a medicina deveria ser o mesmo.”

Médicos alertam que, se a tendência persistir, o custo poderá ser alto: mais crianças doentes, mais internações e o retorno de doenças que já haviam sido controladas pela vacinação em larga escala.

De segunda a sábado, as notícias que você não pode perder diretamente no seu e-mail.

Acordo levou mais de 25 anos para ser aprovado; veja linha do tempo

'Não acho que será necessário', diz Trump sobre chance de capturar Putin

Carne, arroz, feijão... O que esperar da inflação do prato feito em 2026

Renovação automática da CNH exige infrações e pontos zerados; entenda

Jovem que se perdeu no Pico Paraná usou tática de seguir rios, que não é segura

Venezuelanos vivem com medo da prisão e tem celulares fiscalizados

Guru do chavismo: o controverso indiano que é cultuado por Maduro e Delcy

'Está tudo bem, cara': mulher tentou acalmar agente antes de ser morta

Comentários (0)

Faça login ou cadastre-se para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar!

Publicidade