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A Câmara dos Deputados aprovou na quinta-feira (10) a Medida Provisória 1293/2025, que concede um reajuste de 9% no soldo dos militares das Forças Armadas. A medida, que precisa ser aprovada pelo Senado até 8 de agosto para não perder validade, contempla militares da ativa, da reserva e pensionistas.
O reajuste será pago em duas parcelas iguais de 4,5% — a primeira em abril de 2025 (já em vigor) e a segunda, prevista para janeiro de 2026. O impacto fiscal estimado é de R$ 3 bilhões neste ano e R$ 5,3 bilhões no próximo, totalizando R$ 8,3 bilhões no biênio.
Acordo político para reajuste a militares
O aumento foi articulado entre o presidente Lula (PT) e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, após um período sem reajustes em 2023. O relator da proposta, deputado General Pazuello (PL-RJ), apoiou a aprovação, mas criticou o percentual, afirmando que os 9% não compensam perdas acumuladas pela inflação.
Por outro lado, especialistas contestam essa alegação. Um estudo do Centro de Liderança Pública aponta que, entre 2012 e 2022, os militares foram os servidores federais com maior aumento real na remuneração: 29,6%, já descontada a inflação do período.
Diferenças salariais
Os novos valores variam conforme o posto. O piso salarial passará de R$ 1.078 para R$ 1.177, contemplando cargos como recruta e soldado de segunda classe. No topo da hierarquia, o soldo de almirantes, generais e tenentes-brigadeiros subirá de R$ 13.471 para R$ 14.711.
O governo argumenta que a atualização corrige distorções salariais frente ao custo de vida, mas críticos apontam que o reajuste mantém a concentração de rendimentos nos altos postos, sem reduzir desigualdades internas.