A possibilidade do retorno de Donald Trump à presidência dos EUA tem causado inquietação na Europa. A recente ameaça de sua administração de anexar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, coloca a Otan em uma situação sem precedentes, onde um membro da aliança pode estar em conflito com outro.
Entenda o caso
A Casa Branca anunciou que Trump está "discutindo uma série de opções" para a aquisição da Groenlândia, deixando em aberto a possibilidade de uma ação militar. O vice-chefe de gabinete de Trump, Stephen Miller, declarou à CNN que "somos uma superpotência e vamos nos comportar como tal".
O que dizem os envolvidos
O secretário de Estado, Marco Rubio, tentou minimizar as preocupações, afirmando que a administração está considerando a compra da Groenlândia. Contudo, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, alertou que um ataque militar dos EUA a um país da Otan poderia desmantelar a aliança militar e a segurança estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.
Enquanto isso, outros líderes europeus mantêm-se em silêncio, cientes de que, apesar das incertezas, os EUA continuam sendo um parceiro necessário para lidar com a Rússia. A tensão entre a necessidade de apoio americano e as ameaças de Trump se tornou evidente em uma reunião em Paris, onde representantes de 35 países discutiram a segurança da Ucrânia.
Durante a coletiva de imprensa, um repórter questionou o primeiro-ministro britânico Keir Starmer sobre a relevância dos compromissos de segurança dos EUA, considerando as ameaças à Groenlândia. Starmer desviou a pergunta, assim como o presidente francês Emmanuel Macron, que também evitou comentar sobre o assunto.
Os líderes do Reino Unido e da França hesitam em criticar os EUA, temendo que isso comprometa o envolvimento americano nas negociações de paz na Ucrânia. A Europa já fez concessões significativas para manter os EUA ao seu lado.