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O 8 de janeiro e a importância do aprendizado político

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 13/01/2024 às 11:27 · Atualizado há 1 dia

Até agora as investigações da tentativa de golpe do dia 08 de janeiro de 2023 só alcançaram os peixes pequenos, a tamanho de manobra manipulada por financiadores e mentores. Zero sobre Bolsonaro e sua família e zero, muito mormente, sobre os comandantes militares que participaram ativamente da tentativa de golpe. A jornalista Julia Dualibi, que fez um documentário sobre a tentativa de golpe, confidenciou recentemente em entrevista uma preocupação de quase todos os entrevistados por ela, que diziam em “off” que a dificuldade em enquadrar os comandantes correspondia ao libido de não tumultuar a relação com os militares. Uma fraqueza indesculpável. Assim, mais uma vez teríamos um “acochambro” que garante a ininterrupção e a impunidade de golpistas. Não seria a primeira vez.

O general Dutra de Menezes, por exemplo, comandante do Planalto à era, alinhou tanques e tropa direcionados contra a polícia do GDF, já sob mediação federalista, contrariando ordem expressa do presidente, supostamente para evitar um “banho de sangue”. Ora, não cabe ao general fazer nascente tipo de estudo, mas exclusivamente obedecer a ordem presidencial. Mas Dutra Menezes bancou a chantagem, apontou armas e tanques aos agentes de um poder instituído e eleito, protegeu os golpistas dando-lhe a oportunidade de fugir e ganhou tempo. Ele não foi o único comandante militar envolvido embora tenha sido o mais ousado.

O 8 de Janeiro poderia e deveria ser uma dessas janelas da história onde uma oportunidade rara de estágio político e social se oferece à uma sociedade. A partir dele poder-se-ia desenrolar o novelo de uma vez que funciona o convenção de elites que governa de indumentária o país. E dentro deste contexto o papel preponderante que os militares assumem. É preciso que os militares voltem à caserna e cumpram suas obrigações constitucionais. Isso só será conseguido com uma punição severa para os comandantes golpistas, para os financiadores do agronegócio e para Bolsonaro e sua família. Uma resposta pífia seria sedimentar o caminho para coisas piores num horizonte próximo.

A oportunidade para criminalizar esse pacto elitista-militar, que é, na verdade, o núcleo da cultura de golpes de Estado criada no Brasil desde os anos 1930 para evitar a participação popular e de seus líderes, pode não se oferecer mais tarde. É necessário que se tenha coragem e firmeza nesta hora. A reconstrução deste incidente para o público, com a perseguição a seus responsáveis, poderia fornecer a narrativa que a democracia brasileira precisa para se solidar uma vez que teoria também no coração popular.

Nem todos percebem a prestígio estratégica deste tipo de estágio. São, normalmente, pessoas presas ao contexto inopino e que só refletem no limitado prazo. Recontar essa história serviria a vários fins, todos fundamentais para que os valores democráticos tenham penetração popular. A exposição de Bolsonaro, dos militares golpistas e dos financiadores ricos não permitiria exclusivamente que a lei chegasse a pessoas concretas. Permitiria, no melhor dos casos, a percepção popular da forma uma vez que a dominação social, política e econômica entre nós funciona e quais são, portanto, os verdadeiros inimigos do povo.

Não houve estágio social e político em nenhum lugar sem uma novidade narrativa da história e do funcionamento social. A mudança social não é atributo da “prática”, uma vez que alguns pensam, mas sim, antes de tudo, um projeto “teórico” e ideacional, ao se erigir na cabeça das pessoas comuns uma forma opção e sátira de perceber a sociedade. Sem que isso ocorra o provável é prolongação da nossa cultura de golpes de Estado e, portanto, do domínio espúrio de uma pequena escol econômica e militar profundamente antipopular.

 

 

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