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Planta do litoral brasileiro tem eficácia medicinal comprovada em novo estudo

A planta é predominantemente rasteira, sendo muito comum em áreas litorâneas no Brasil e no continente africano — Foto: curcu34/ iNaturalist

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 08/01/2026 às 10:05 · Atualizado há 12 horas
Planta do litoral brasileiro tem eficácia medicinal comprovada em novo estudo
Foto: Reprodução / Arquivo

A planta é predominantemente rasteira, sendo muito comum em áreas litorâneas no Brasil e no continente africano — Foto: curcu34/ iNaturalist

Uma planta comum no litoral brasileiro, usada há gerações por comunidades costeiras para aliviar dores e inflamações, teve suas propriedades medicinais confirmadas por um estudo científico recente.

Conhecida como periquito-praia (Alternanthera littoralis), a espécie demonstrou ação anti-inflamatória, analgésica e antiartrítica em testes com modelos experimentais.

O uso popular da planta já era difundido entre moradores de regiões costeiras, que costumavam consumir até duas xícaras do chá por dia como alternativa aos medicamentos industrializados.

Esse hábito chamou a atenção de pesquisadores, que decidiram investigar cientificamente se os efeitos atribuídos à planta tinham, de fato, base científica.

Extrato da espécie tem ação anti-inflamatória, analgésica e até antiartrítica — Foto: Arielle Cristina Arena

A pesquisa buscou unir o conhecimento tradicional à ciência, avaliando tanto a eficácia quanto a segurança do extrato vegetal.

Os testes realizados até o momento incluem avaliações de toxicidade aguda – quando há apenas uma exposição à substância – e subaguda, que simula um período de uso semelhante ao consumo habitual do chá. Nessas fases iniciais, não foram observados sinais de toxicidade, o que indica um bom perfil de segurança preliminar.

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores alertam para os riscos da automedicação. Ainda não há dados conclusivos sobre a dose adequada, possíveis contaminações ou interações com outros medicamentos.

O Brasil tem grande tradição na validação de plantas com potencial medicinal, especialmente para espécies usadas na medicina popular — Foto: Arielle Cristina Arena

Nem sempre o que é natural é seguro

— ressalta Arielle. Antes que a planta possa ser indicada para uso terapêutico, ainda são necessários estudos sobre os efeitos do uso prolongado, impactos no organismo a longo prazo e possíveis riscos durante a gestação.

Um dos aspectos que mais surpreendeu a equipe foi a consistência dos efeitos contra dor e inflamação, observada de forma recorrente nos experimentos.

A partir disso, a expectativa é investigar se a periquito-praia pode dar origem a um medicamento fitoterápico ou servir como base para o desenvolvimento de novos fármacos.

A pesquisadora também destaca o papel da biodiversidade brasileira na produção de conhecimento científico.

Nesse contexto, a conservação ambiental é um fator decisivo. Segundo Arielle, a perda de habitats naturais compromete diretamente a pesquisa científica e o potencial de descoberta de novos tratamentos.

Sem conservação, perde-se variabilidade genética, espécies ainda pouco estudadas e até possibilidades futuras de novos medicamentos. A pesquisa responsável depende do uso sustentável dos recursos naturais e da preservação ambiental

— conclui.

A espécie pode dar origem a um medicamento fitoterápico ou servir como base para o desenvolvimento de novos fármacos. — Foto: felipemoretto1/ iNaturalist

A periquito-praia (Alternanthera littoralis) é uma planta de porte rasteiro, bastante comum em áreas litorâneas do Brasil e também do continente africano.

Trata-se de uma espécie halófita, ou seja, adaptada a ambientes com alta concentração de sais no solo ou na água. Cresce principalmente em regiões costeiras e apresenta floração e frutificação ao longo de todo o ano.

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