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Mpox: estudo mostra evolução inusitada na doença e recomenda atenção

Pouco mais de três anos depois de causar uma emergência de saúde pública internacional, a mpox continua a chamar a atenção de pesquisadores. Em um novo estud...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 08/01/2026 às 16:55 · Atualizado há 5 dias
Mpox: estudo mostra evolução inusitada na doença e recomenda atenção
Foto: Reprodução / Arquivo

Pouco mais de três anos depois de causar uma emergência de saúde pública internacional, a mpox continua a chamar a atenção de pesquisadores. Em um novo estudo, cientistas do Canadá encontraram uma evolução curiosa do vírus em camundongos: mesmo após semanas de infecção, a cepa responsável pela difusão do vírus pelo mundo continuou nos testículos dos animais e causou prejuízos nos tecidos.

A descoberta sugere que, além de causar febre, dores, calafrios e erupções cutâneas, a doença poderia afetar a fertilidade masculina. Ainda não foram realizados testes em humanos. 

O estudo foi liderado por cientistas de diferentes universidades do Canadá. Os resultados foram publicados em versão pré-print no bioRxiv em meados de dezembro.

Ao analisar ratos infectados com o clado llb, os pesquisadores observaram que os animais passaram ao menos três semanas com o vírus nos testículos. A hipótese é de que o trato reprodutivo masculino pode funcionar como um reservatório para o agente infeccioso e, por isso, o contato sexual seria uma das principais formas de transmissão.

Os danos aos tecidos relatados na pesquisa também provocaram uma queda na produção de espermatozoides.

A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), agência internacional dedicada a melhorar as condições de saúde dos países das Américas, destinou lotes de doses da vacina contra a varíola dos macacos a diversas nações, incluindo o Brasil. Segundo especialistas, o esquema vacinal dos imunizantes é de duas doses com intervalo de cerca de 30 dias entre elas

Concebida para agir contra a varíola humana, erradicada na década de 1980, a vacina contra a condição também serve para evitar a contaminação pela varíola dos macacos, por serem doenças muito parecidas

Tanto o vírus causador da varíola humana quanto o causador da varíola dos macacos fazem parte da família "ortopoxvírus". A vacina, portanto, utiliza um terceiro vírus desta família, que, além de ser geneticamente próximo aos supracitados, é inofensivo aos humanos e ajuda a combater as doenças, o vírus vaccinia

Homens que fazem sexo com outros homens e as pessoas que tiveram contato próximo com um paciente infectado foram consideradas prioritárias para o recebimento das doses

Atualmente, existem duas vacinas em uso contra a varíola dos macacos no mundo: a Jynneos, fabricada pela farmacêutica dinamarquesa Bavarian Nordic, e a ACAM2000, fabricada pela francesa Sanofi

A Jynneos é administrado como duas injeções subcutâneas (0,5 mL) com 28 dias de intervalo. A resposta imune leva 14 dias após a segunda dose

A ACAM2000 é administrado como uma dose percutânea por meio de técnica de punção múltipla com agulha bifurcada. A resposta imune leva 4 semanas

A vacinação contra a mpox é uma estratégia indicada tanto para a prevenção e defesa quanto para ensinar o corpo a combater o vírus antes de uma infecção

Entre os sintomas da condição estão: febre, dor de cabeça, dor no corpo e nas costas, inchaço nos linfonodos, exaustão e calafrios. Também há bolinhas que aparecem no corpo inteiro (principalmente rosto, mãos e pés) e evoluem, formando crostas, que mais tarde caem

A transmissão do vírus ocorre, principalmente, por meio do contato com secreções respiratórias, lesões de pele das pessoas infectadas ou objetos que tenham sido usados pelos pacientes. Até aqui, não há confirmação de que ocorra transmissão via sexual, mas a hipótese está sendo levantada pelos cientistas

O período de incubação do vírus varia de sete a 21 dias, mas os sintomas, que podem ser muito pruriginosos ou dolorosos, geralmente aparecem após 10 dias

A doença não é nova e infecta humanos desde a década de 1970. Ao entrar em contato com o organismo, o vírus pode causar lesões dolorosas e com bastante líquido sobre a pele. Em alguns casos, a condição pode levar até a morte.

Anteriormente, a mpox pouco preocupava as autoridades, devido ao baixo risco de transmissão. No entanto, a partir da década de 2010, uma das cepas do vírus causou o primeiro grande surto na Nigéria. Em 2022, a difusão foi global, com mais de 100 mil pessoas infectadas.

Apesar de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter declarado o fim da emergência de saúde pública de importância internacional um ano depois, em maio de 2023, o surto global continua em curso e preocupa especialistas.

Atualmente, existem quatro clados conhecidos da mpox: o la, Ib, IIa e IIb, com o último sendo responsável pela alta de casos em 2022s. O principal objetivo dos cientistas é entender as particularidades de cada agrupamento da doença para evitar novos surtos.

Além do novo estudo, outros trabalhos continuam investigando os desdobramentos da doença. A vigilância é essencial para evitar que novas cepas do mpox escapem da proteção vacinal e aumentem o risco de novos surtos.

Nossas descobertas mostram que o mpox é uma ‘caixa de surpresas’. O vírus causaram duas emergências de saúde pública nos últimos três anos, então precisamos prestar atenção a ele

— ressalta a especialista da Universidade de Calgary, no Canadá.

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