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Lagartos americanos seguem estratégia parecida ao pedra-papel-tesoura

O jogo de pedra-papel-tesoura não acontece apenas entre humanos. Na natureza, por meio da cor na garganta, um comportamento semelhante ajuda a regular a vida...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 05/01/2026 às 17:05 · Atualizado há 1 semana
Lagartos americanos seguem estratégia parecida ao pedra-papel-tesoura
Foto: Reprodução / Arquivo

O jogo de pedra-papel-tesoura não acontece apenas entre humanos. Na natureza, por meio da cor na garganta, um comportamento semelhante ajuda a regular a vida reprodutiva de um lagarto que vive em regiões áridas do oeste dos Estados Unidos.

A pesquisa, publicada na revista Science em 1°de janeiro, descreve pela primeira vez os mecanismos genéticos e comportamentais associados às diferentes estratégias dos lagartos-de-manchas-laterais.

Os achados, segundo os autores, ajudam a entender como comportamentos tão distintos conseguem se manter na população ao longo das gerações, sem que um deles se imponha de forma definitiva sobre os outros.

Os lagartos-de-manchas-laterais são uma espécie em que os machos exibem cores diferentes na garganta durante o período reprodutivo. Essas cores não são apenas decorativas. Cada uma está associada a um tipo específico de comportamento.

A dinâmica cria um ciclo curioso. Os laranjas costumam dominar os azuis, os azuis conseguem afastar os amarelos, e os amarelos, por sua vez, levam vantagem sobre os laranjas ao se infiltrar em seus territórios extensos. O resultado é uma alternância natural entre as três estratégias ao longo do tempo.

A relação entre cor e comportamento começou a ser estudada ainda nos anos 1990, mas só agora os cientistas conseguiram identificar a base genética do fenômeno.

Para isso, os pesquisadores passaram anos coletando dados diretamente na natureza, já que os lagartos não desenvolvem as cores características quando criados em cativeiro.

A análise dos genomas mostrou que uma pequena variação genética é suficiente para diferenciar os machos laranja dos azuis. A cor laranja aparece apenas quando o animal herda duas cópias dessa variante. Caso contrário, o papo se torna azul.

A mudança está ligada à produção reduzida de uma proteína envolvida tanto na pigmentação quanto em processos ligados à comunicação entre neurônios. A descoberta sugere que uma única alteração genética pode influenciar simultaneamente a aparência e o comportamento do animal.

O caso dos machos amarelos trouxe uma surpresa. Do ponto de vista genético, eles são praticamente idênticos aos azuis, o que indica que fatores sociais e ambientais também têm peso na definição da estratégia adotada por cada indivíduo.

Os pesquisadores levantam a hipótese de que a coloração amarela esteja associada a condições específicas do ambiente ou à incapacidade de estabelecer território. Nesse cenário, genética e flexibilidade comportamental atuariam juntas para moldar o comportamento.

Esse conjunto de evidências reforça uma ideia central da biologia evolutiva. A diversidade dentro de uma espécie não depende apenas dos genes, mas também da forma como os indivíduos respondem ao ambiente e às interações sociais.

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