Brasil e 21 países condenam ataque americano à Venezuela em reunião da ONU
para se apropriar dos recursos naturais
— O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, acusou os Estados Unidos de usar a ação militar contra Nicolás Maduro da Venezuela, nesta terça-feira (6).
precedente terrível e muito perigoso
— Em pronunciamento a repórteres em Paris, durante mais uma cúpula realizada pelos membros da chamada Coalização dos Dispostos para debater a situação da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, o premiê espanhol seguiu o posicionamento de colegas europeus e afirmou que o governo americano criou um com sua operação.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, chega para a cúpula da Coligação dos Dispostos no Palácio do Eliseu, em Paris — Foto: YOAN VALAT/Pool via REUTERS
A ação também foi condenada mais cedo pela Organização das Nações Unidas. A ONU afirmou em declaração oficial que que a operação dos EUA violou, de forma clara, um princípio fundamental do direito internacional.
ONU: Estados Unidos violaram princípio do direito internacional
A fala ocorreu três dias após os EUA terem conduzido uma operação militar na capital venezuelana para capturar o ditador Nicolás Maduro. Na ocasião, no sábado (3), o Exército norte-americano mobilizou 150 aeronaves para realizar diversas explosões em Caracas e abrir caminho para uma equipe de elite chegar ao esconderijo do presidente venezuelano e o levar preso. (Leia mais abaixo)
Todos os Membros deverão abster-se, em suas relações internacionais, da ameaça ou do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado
— O trecho ao qual Ravina se referiu e que regula o direito internacional é o Artigo 2º, parágrafo 4, da Carta da ONU, que diz: . O parágrafo 7 do Artigo 2º também fala sobre o princípio de "não intervenção em assuntos de jurisdição interna de qualquer outro Estado".
Esse foi o posicionamento mais forte da ONU, instituição multilateral que regula o direito internacional, sobre a operação dos EUA. Até o momento, representantes do órgão haviam expressado "profunda preocupação" e pedido pela desescalada na situação.
Os EUA e outros 192 países são signatários da Carta da ONU, e a Constituição norte-americana exige que o presidente cumpra as obrigações do direito internacional delineadas no texto. Assim como a ONU, especialistas também acreditam que a cartilha do direito internacional foi violada pelo ataque.
Brasil e 21 países condenam ataque americano à Venezuela em reunião da ONU
operação para o cumprimento da lei
— A Casa Branca justificou a ação militar como uma e disse que a presença de seu Exército na Venezuela foi necessária para dar apoio ao Departamento de Justiça norte-americano e cumprir um mandado de prisão contra Maduro, acusado pelos EUA de narcoterrorismo. Maduro foi formalmente acusado de quatro crimes em audiência em Nova York:
O posicionamento de Washington é que a prisão de Maduro respeitou a Constituição norte-americana por se tratar de uma questão de segurança nacional para os EUA, porém não tocou no assunto do direito internacional. Mesmo assim, a legalidade da operação ainda será contestada nas próximas semanas dentro e fora dos EUA.
, enquanto a Rússia chamou o governo Trump de
— A ação norte-americana que capturou Maduro foi alvo de condenação da comunidade internacional. Aliados do presidente venezuelano, a Rússia e a China foram os mais contundentes no repúdio à captura de Maduro, e fizeram novas condenações durante reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU na segunda-feira (5): a China falou em "bullyinghipócrita e cínico".
A intervenção dos EUA na Venezuela danifica a arquitetura da segurança internacional (...) porque manda o recado de que os poderosos podem fazer o que quiser
— A porta-voz do escritório de direitos humanos da ONU disse ainda que o mundo ficou mais inseguro após a ação militar dos EUA na Venezuela. , disse Ravina.
a intervenção dos EUA na Venezuela
— Ravina pediu ainda que a comunidade mundial insista na ideia de que é uma contravenção do direito internacional.
Nicolás Maduro a bordo do navio USS Iwo Jima, em foto compartilhada por Trump. — Foto: REUTERS
Nicolás Maduro foi capturado por forças americanas durante a madrugada de sábado. Ele foi levado, junto com a mulher, Cilia Flores, para os Estados Unidos, onde será julgado por uma série de crimes, incluindo tráfico internacional de drogas.
Maduro compareceu nesta segunda-feira (5) a uma audiência diante de um juiz federal em Nova York e declarou-se inocente. No mesmo dia, o Conselho de Segurança da ONU também se reuniu em Nova York para discutir o ataque conduzido pelos Estados Unidos na Venezuela.
inicie imediatamente a busca e a captura em âmbito nacional de todos os envolvidos na promoção ou apoio ao ataque armado dos Estados Unidos
— Em resposta à operação, o atual governo venezuelano ordenou que a polícia .
O governo americano afirma que Maduro lidera o chamado Cartel de los Soles, grupo acusado de atuar no tráfico de drogas da América do Sul para os EUA e de tentar desestabilizar a sociedade americana.
A Casa Branca colocou a organização na mira de seu aparato militar após classificar grupos de tráfico de drogas como organizações terroristas.
Essas conclusões, no entanto, são contestadas por especialistas que estudam o tema. Segundo pesquisadores, o Cartel de los Soles não tem uma hierarquia definida e funciona como uma “rede de redes”, formada por integrantes de diferentes patentes militares e setores políticos da Venezuela.
Para esses especialistas, Maduro não seria o chefe da organização. Ainda assim, há indícios de que ele esteja entre os principais beneficiários de um modelo de “governança criminal híbrida” que teria ajudado a se consolidar no país.
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, fala no Congresso Nacional, em Caracas, no dia 4 de dezembro de 2025 — Foto: Pedro Mattey/AFP
Nos últimos dois dias, o governo dos Estados Unidos disse que não realizaria novos ataques contra a Venezuela, desde que as autoridades do país continuem colaborando.
Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não está em guerra com a Venezuela. Em entrevista à NBC News, ele disse que a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, está cooperando com o governo americano.
A relação entre eles tem sido muito forte
— Segundo Trump, o contato ocorre por meio do secretário de Estado, Marco Rubio. , afirmou.
Trump acrescentou que pode autorizar uma nova operação militar caso Delcy mude de posição.
Com a deposição de Maduro, Delcy Rodríguez assumiu a liderança da Venezuela. Até então vice-presidente, ela foi nomeada presidente interina por decisão do Tribunal Supremo de Justiça do país e tomou posse em cerimônia realizada nesta segunda-feira.
No domingo (4), as Forças Armadas da Venezuela reconheceram Delcy como presidente interina. Em pronunciamento em rede nacional, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, apoiou a decisão de mantê-la no cargo por 90 dias.
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