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20 anos após ser reclassificado como anão, Plutão continua um mistério

Em 19 de janeiro de 2006, a Nasa lançou a sonda New Horizons. O projeto mais ambicioso da agência em décadas tinha o objetivo de explorar de forma inédita o ...

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 08/01/2026 às 02:25 · Atualizado há 1 dia
20 anos após ser reclassificado como anão, Plutão continua um mistério
Foto: Reprodução / Arquivo

Em 19 de janeiro de 2006, a Nasa lançou a sonda New Horizons. O projeto mais ambicioso da agência em décadas tinha o objetivo de explorar de forma inédita o que era o planeta mais distante do Sistema Solar: Plutão. Muito antes da sonda chegar lá, porém, em agosto do mesmo ano, uma convenção internacional de astrônomos decidiu rebaixar Plutão à categoria de planeta-anão.

Nos 20 anos que nos separam desses acontecimentos, apesar do rebaixamento de categoria, Plutão se tornou um dos planetas mais frequentes nas manchetes dos jornais com uma quantidade cada vez maior de estudos buscando entender como a formação do astro pode explicar a história do nosso Sistema Solar como um todo.

Plutão foi descoberto em 1930. O corpo apresenta diâmetro próximo de 2.377 quilômetros e distância média de 5,9 bilhões de quilômetros do Sol. A luz solar leva cerca de 5,5 horas para alcançar a região. A temperatura média atinge valores próximos de -232ºC.

Nos anos 1990, começaram a ser descobertos outros planetas próximos a Plutão que foram classificados como anões, o que ameaçou o status plutoniano. Em 2005, com a descoberta de Éris, um planeta com quase a mesma massa de Plutão, o argumento da reclassificação do membro mais famoso da categoria ganhou força.

um planeta-anão é um objeto em órbita ao redor do Sol que é grande o suficiente para adquirir uma forma quase esférica, mas que não conseguiu limpar sua órbita de detritos

— Segundo a Resolução da IAU de 2006, .

A reclassificação não encerrou o interesse científico. Pelo contrário, intensificou pesquisas. Em 2015, a sonda New Horizons, após nove anos de viagem interplanetária, finalmente se aproximou da órbita do planeta, passando a 12,5 quilômetros de altura da superfície do planeta.

Foi um feito inédito em termos de satélites astronômicos. Claro que, com o tempo, os componentes dessas sondas vão se deteriorando, mas o que temos atualmente é que a New Horizons ainda opera perfeitamente bem e tem feito descobertas para muito além de sua missão inicial em Plutão

— A New Horizons é o objeto mais rápido construído por humanos, impulsionado por bateria nuclear e auxílio gravitacional de Júpiter. , afirma o astrônomo Thiago Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo da UFRJ e pesquisador apoiado pelo Instituto Serrapilheira.

A New Horizons produziu imagens e dados inéditos sobre geologia, atmosfera e composição do planeta-anão. A missão também revelou detalhes da lua Caronte (que tem quase a metade do tamanho de Plutão) e de outras luas menores. A sonda identificou até um planalto no planeta em formato de coração, que passou a ser conhecido como Sputnik Planitia, além de indícios de atividade geológica. A atmosfera revelou presença de nitrogênio, metano e monóxido de carbono.

Posteriormente, em 2019, a New Horizons explorou Arrokoth, objeto do Cinturão de Kuiper que foi o último a ser visto de perto e segue coletando dados em sua viagem para fora do Sistema Solar.

Os dados da New Horizons inspiraram hipóteses. Em 2017, o astrônomo Xi Zhang propôs a teoria de que a atmosfera plutoniana tinha um controle térmico que regulava sua temperatura para que ela não fosse tão gelada quanto o esperado, a partir de dados da sonda.

As observações recentes também revelaram uma troca intensa de matéria entre Plutão e Caronte. Moléculas da atmosfera migram para a lua, fenômeno sem paralelo conhecido. Esse fluxo explica a coloração avermelhada nos polos de Caronte, resultante de transformações químicas do metano capturado.

Esses achados reforçam que Plutão permanece como peça central para entender regiões externas do Sistema Solar. O corpo integra o cinturão de Kuiper, formado há cerca de 4,5 bilhões de anos. A estrutura interna sugere núcleo rochoso envolto por manto de gelo de água.

Mesmo após duas décadas do rebaixamento, Plutão segue cercado de mistérios. A atmosfera tênue se expande e contrai conforme o planeta faz sua lenta órbita ao redor do Sol. A possibilidade de um oceano subterrâneo também permanece em debate. Cada missão e observação acrescenta dados e novas perguntas.

O planeta-anão, longe de encerrar capítulo em 2006, continua a desafiar definições e a revelar pistas sobre formação e evolução do Sistema Solar.

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