Um dos sonhos de quem vive por lá, por exemplo, passa por poder renomear uma das escolas municipais presentes no território, a EMEIF Jornalista José Blanchard Girão da Silva, com o nome de uma moradora privativo.
Nós temos uma professora chamada Verônica Viana Martins, que começou o trabalho de instrução cá no Santa Filomena sob uma mangueira, lá nos anos 1980, que poderia dar nome à escola
— defende Jardel.
Todo o trabalho e as ações consequentes voltadas à memória são ressaltados por José Borzacchiello da Silva — professor titular e emérito de Geografia da Universidade Federalista do Ceará e perito em Geografia Urbana — porquê elemento médio para um processo de reconhecimento, seja extrínseco ou interno.
Ela (a memória) é tudo. Ela é que vai dar o próprio sentido da formação do território
— resume. “O contraponto da memória é o esquecimento. O que é memorizado é o que sustenta a nossa vida. É importante estar falando desses locais”, segue o professor.
Legenda:
Milhares de fotografias guardam a memória da construção do Santa Filomena.
Foto:
Registro do AMUF / Divulgação.
Em diálogo com o perito, Jardel ressalta a influência da salvaguarda e preservação da história do Santa Filomena.
Todas essas memórias, a partir do momento que são registradas, colocadas em museu, transformadas em livro, zero mais são do que um invitação aos moradores para que possam reprofundar na própria história do bairro que moram e saber um pouco das raízes, cada luta, cada narrativa
— sustenta.
Por que Santa Filomena quer ser bairro?
Mas o que é um bairro? De maneira sucinta, Borzacchiello atesta: “É uma unidade territorial de identidade”. Graduação intermediária entre a cidade e a rua, ele é marcado por “esse caráter identitário porque é um espaço de convívio e de socialização”.
Borzacchiello destaca que um oferecido relevante para esse processo é o “autorreconhecimento”. “É ela se autoperceber porquê uma unidade diferenciada do entorno. Ela não nega o entorno, mas trabalha pela sua identidade”, resume.
“O bairro vai além da função logística. (Os bairros) são palcos de encontros”
Legenda:
Moradores do Santa Filomena se reuniam em diferentes movimentos populares.
Foto:
Registro do AMUF / Divulgação.
Na prática, o professor e geógrafo aponta o “sentimento de pertença” porquê também forçoso para uma movimentação porquê essa. “As pessoas se sentirem secção, diferenciadas do entorno, pode prometer unidade”, afirma.
“A maior motivação (da procura pelo reconhecimento enquanto bairro) é quando a gente olha (contas de) chuva e luz, a fatura do cartão, e está ‘Jangurussu’. Jangurussu é um mundo. A gente se identifica porquê morador do Santa Filomena”, atesta Jardel.
No levantamento feito por Leo e pela equipe do pilha e museu — que buscou dados sobre cada conjunto do território em termos de número de moradores, situação de habitação e outros pontos —, o entendimento era cristalino: “Eram histórias que nós entendemos que não estão no Jangurussu. É Santa Filomena”.
“Simples que ainda (o Santa Filomena) vai fazer secção do Grande Jangurussu, mas com as próprias pautas — o que eu acho que é a secção principal, para poder pautar (de maneira) direcionada pro território”
São justamente essas “próprias pautas” — por mais creches, escolas, espaços de cultura, transporte público e outras demandas de cidadania — que movem os moradores.
A construção do território em si já foi pautada em lutas, porquê reforça Beth. “É muito importante para nós a memória das lutas, porque melhorou muito. Hoje tem posto de saúde, escolas. Não tinha traço de transporte, foi também luta”, descreve.
Legenda:
A construção do território do Santa Filomena foi e segue pautada em lutas.
Foto:
Thiago Gadelha.
Ainda na estação da luta por habitação, os moradores se reuniam para edificar as casas, tanto as próprias quanto as dos vizinhos. “Muitas famílias se envolveram nessa luta, faziam sopão no mutirão construindo as casas. Até ruas a gente abriu”, lembra ela.
“Porquê menino na estação, a memorandum que tenho também é de um conjunto habitacional que foi construído no regime de mutirão. A minha mãe e o meu pai trabalhavam lá o dia todo, ele (ia também) no final de semana”, soma Jardel.
Legenda:
Mutirões para construção de moradias moveram os próprios moradores do Santa Filomena ao longo dos anos.
Foto:
Registro do AMUF / Divulgação.
“Precisa ser reconhecido porquê bairro e ter todas as condições de um bairro, até para melhorar mais. Algumas coisas vêm para outro quina e não chegam (cá). Nesse sentido, vai ser muito bom. Definir os limites, o que tem, o que não tem, porquê melhorar, o que precisa, porquê atender a demanda da população do bairro”
Apesar das conquistas, “hoje poderia ser muito melhor”, diz Beth, que acrescenta: “Tem muitas lutas ainda pela frente, inclusive de moradia”. Neste sentido, “é importante demais oficializar o bairro”, segue a educadora popular.
O que é preciso para um território se tornar bairro?
O trabalho de memória ajuda na procura por esse reconhecimento, mas deve vir com uma série de outras ações e articulações, inclusive políticas e junto a entes públicos.
“O museu acaba sendo um estudo para que, quando a gente for pressionar os poderes públicos, possa mostrar que tem uma história, e essa história é a de um bairro. Nós temos um nível populacional específico, a gente tem uma história específica, temos pautas específicas e precisamos de mais”
Borzacchiello cita, por exemplo, outro trabalho relevante para leste reconhecimento: a geração dos chamados mapas mentais.
“O que eles estão pleiteando é reconhecimento e diferenciação socioterritorial”, aponta. Para tanto, é preciso entender quais são as diferentes visões dos moradores acerca da extensão de determinado território.
Em termos simples, os mapas representam o entendimento dos próprios moradores de quais são os limites e a espaço de uma localidade.
“É mapear a espaço para poder ter elementos: Onde é o campinho de futebol? Onde pessoas se reúnem? O espaço da paquera, o espaço da sarau? Esses espaços têm que ser mapeados”
Oriente é um esforço que já foi feito no Santa Filomena. Nas entrevistas com moradores, a equipe do AMUF foi angariando as visões deles sobre a espaço do território, até chegar a mapas representativos dessa flutuação de olhares.
Entre festas e eventos já marcantes do território, há o tradicional arraiá do Santa Filomena. “Desde a estação (das mobilizações), sempre o povo gostou. E continua, né? As comidas típicas, quadrilhas, essas coisas assim. Todo ano a gente faz e é um isca. É (preciso) manter esses espaços culturais, de animação”, defende Beth.
Outro exemplo é o Favela Fest, evento promovido no escopo da Olhando Pra Frente. “É uma sarau que junta mais de 15.000 pessoas”, informa Jardel.
Legenda:
Santa Filomena, atualmente, se move para festas, cursos e reuniões comunitárias.
Foto:
Leo Silva / Divulgação e Reprodução / Instagram.
O movimento que procura o reconhecimento do Santa Filomena porquê bairro estima que o número de habitantes de lá pode variar entre 15 e 25 milénio — ou 21% a 35% da quantidade totalidade atribuída ao Jangurussu, bairro mais populoso de Fortaleza com 70.651 habitantes.
Ainda que a demanda por um novo bairro possa parecer único, Fortaleza já passou por mudanças do tipo recentemente. A Capital, por exemplo, “ganhou” o bairro Rachel de Queiroz em 2023.
Neste caso, no entanto, o que ocorreu foi uma mudança de nome do vetusto Dendê, aprovada na Câmara de Fortaleza. Outrossim, a demanda também não partiu propriamente dos moradores do sítio, mas foi acatada por eles.
Veja também
Porquê ressalta o professor José Borzacchiello da Silva, um processo do tipo também passa pelo “jogo político”, além da sensibilização de agentes externos: “Tem que mobilizar associações, um vereador ou mais, que ligeiro essa proposta para gerar e reconhecer o bairro”.
O que diz a lei
O Verso buscou a Câmara de Fortaleza para entender quais as possibilidades e passos para um território se tornar um bairro na Capital. Segundo a Morada Legislativa, as regras para tanto estão no Código da Cidade.
Pelo cláusula 521 da lei, “a denominação solene de bairros será dada através de decreto legislativo, cuja iniciativa é privativa da Câmara de Fortaleza”.
“Para isso, o decreto deverá ser protocolado no Departamento Legislativo da CMFor, juntamente com croqui de localização elaborado pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Envolvente (SEUMA)”, segue.
Legenda:
Demandas de cidadania porquê transporte público, saúde e instrução são pautas ligadas à procura por reconhecimento do Santa Filomena porquê bairro.
Foto:
Thiago Gadelha.
Já o cláusula 522, que trata sobre a nomeação de bairros e outros espaços públicos, também orienta: “A instituição de limites de novos bairros ocorrerá, prioritariamente, considerando os limites dos setores censitários do Instituto Brasílio de Geografia e Estatística (IBGE) da espaço”.
Finalmente, conforme a nota da morada legislativa, o cláusula 523 diz que projetos que visem mudar denominação solene de bairro devem ser justificados por audiência prévia na Câmara “para sintoma dos munícipes ou através de autorização por escrito, no mínimo, do 2/3 da população diretamente interessada”
O mesmo cláusula acrescenta que, “quando se tratar de interesse específico no contextura do bairro ou região, a sintoma popular deverá ser tomada por no mínimo 5% (cinco por cento) dos eleitores inscritos ali domiciliados”.