Começou a valer nesta quarta-feira (10) na Austrália uma lei que proíbe menores de 16 anos de usarem redes sociais.
Agora, plataformas como Instagram, Facebook, Threads, TikTok, Snapchat, YouTube, X, o fórum Reddit deverão desativar contas já existentes de menores de idade e impedir a criação de novos perfis.
O governo australiano diz que o objetivo da mudança é proteger as crianças de conteúdos impróprios, aliciamento e riscos à saúde mental.
Medida gerou alívio e críticas entre famílias brasileiras que moram na Austrália. Veja relatos.
Brasileiros contam como foi a proibição de redes sociais na Austrália
Muitos pais de adolescentes ficaram aliviados quando a lei que proíbe redes sociais para menores de 16 anos começou a valer na Austrália, nesta quarta-feira (10), no horário local. Teve também quem achasse a medida restritiva demais — tanto pais quanto jovens.
O país é o 1º do mundo a adotar uma regra com esse alcance, aprovada no fim de 2024. Com o lema "Let them be kids" (deixem eles serem crianças), o governo australiano diz que o objetivo da mudança é proteger os jovens de conteúdos impróprios, aliciamento e riscos à saúde mental.
Agora, plataformas como Instagram, Facebook, Threads, TikTok, Snapchat, YouTube, X, o fórum Reddit e as redes de transmissões ao vivo Kick e Twitch deverão desativar contas já existentes de menores de 16 anos e impedir a criação de novos perfis.
Ficaram de fora da restrição plataformas como YouTube Kids, Google Classroom, WhatsApp, Roblox e Discord. Isso porque a lei se refere a plataformas que têm como único propósito ou propósito significativo permitir a interação entre usuários e a publicação de conteúdos.
Nesta sexta-feira, o Reddit entrou com um processo contra a Austrália e a ministra das Comunicações, Anika Wells, para tentar reverter a medida.
Para saber mais sobre como foi essa mudança, o g1 conversou com famílias brasileiras que moram na Austrália. Confira alguns relatos abaixo.
A brasileira Oprah Parsons, de 51 anos, mora na cidade costeira de Woy Woy, na Austrália, com sua filha, Theodora, de 9 anos.
Ela conta que, apesar de saber que a filha usava muito as redes sociais, não esperava que ela ficasse "tão sem chão" depois da proibição.
Oprah acredita que, desde que a menina se mudou de São Paulo para a Austrália para ficar com ela, há cerca de um ano, ela passou a usar as redes sociais para diminuir a solidão e a saudade do Brasil, "como um amigo mesmo".
Por isso, segundo a mãe, era muito difícil impor limites ao uso.
Nesse sentido, a nova lei caiu como uma luva para mim. A minha proibição ela não estava acatando, mas a do governo teve que seguir
— diz.
Oprah conta que, mesmo com o choque inicial, a medida vai ser positiva para a filha e que está a incentivando a brincar com bonecas e desenhar mais.
Gabriella (à esquerda), seus pais (Hugo e Fernanda) e seu irmão, Gustavo (abaixo) — Foto: Acervo pessoal
Gabriella Rossi, de 14 anos, foi uma das adolescentes afetadas pela proibição das redes sociais na Austrália. Ela é brasileira e mora em Sydney com a família há 8 anos.
Ela conta que, apesar de não ter algumas das redes sociais mais conhecidas, como TikTok e Instagram, ela usava bastante o YouTube para ver vídeos de maquiagem e cuidados com a pele, por exemplo.
No dia em que a lei começou a valer na Austrália, ela correu para checar se a sua conta na plataforma tinha sido excluída — o que se confirmou (veja na foto abaixo um exemplo do aviso de bloqueio).
Adolescente tem conta bloqueada para verificação de idade na Austrália. — Foto: STR / AFP
Para a sua mãe, Fernanda Rossi, de 40 anos, a proibição deveria ser algo determinado pela família mais do que pelo governo.
Ana Lucia Ferreira, de 46 anos, mora em Sydney há 24 anos, e tem dois filhos australianos adolescentes: Alicia, de 12 anos, e Jake, de 15.
Ela conta que ambos acessavam redes como TikTok, Instagram e Snapchat por cerca de 2h diariamente antes da proibição. Ela usava uma ferramenta de controle parental, na qual é possível colocar um tempo limite de uso.
Apesar disso, depois de terem as suas contas bloqueadas, eles "ainda não reclamaram", segundo a mãe.
as crianças precisam viver no mundo real
— Ana conta que tanto ela quanto a maioria dos pais com quem convive acharam a mudança muito positiva, já que .
Crianças precisam de tempo para criatividade e atividades físicas e as mídias sociais estavam roubando isso deles
— afirma.
O g1 não conversou diretamente com nenhum adolescente que tenha burlado a proibição das redes sociais na Austrália. Apesar disso, Gabriella, de 14, conta que alguns dos seus amigos conseguiram manter as suas contas ativas.
Já Jake, de 15 anos, relata que alguns dos seus amigos tentaram fazer o mesmo, mas foram barrados pela ferramenta de reconhecimento facial das plataformas.
O jovem australiano contou também que, logo que a sua conta foi bloqueada no TikTok, ele baixou outro aplicativo de vídeos semelhante, que não estava na lista proibida pelo governo. E, segundo ele, muitos de seus colegas fizeram o mesmo.
Segundo o jornal The Guardian, o governo do país está de olho nessas redes sociais menores e pode incluí-las na proibição em breve.
Apesar de não proibir o acesso de menores de 16 anos a redes sociais, o Brasil também vai implementar novas medidas de segurança para adolescentes na internet. A partir de março de 2026, começam valer as exigências do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que virou lei em setembro.
Brasileiros contam como foi a proibição de redes sociais para menores de 16 anos na Austrália — Foto: Acervo pessoal
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