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Ceará investiga infecção e óbito causado por ameba 'comedora de cérebro' em criança em Caucaia - Ceará

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 09/12/2024 às 14:16 · Atualizado há 6 dias

A Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa) investiga o óbito de uma criança, de 1 ano e 7 meses, em Caucaia, supostamente provocado pela infecção por Naegleria fowleri, ameba conhecida como "comedora de cérebro". Raro, se confirmado, o caso de meningoencefalite amebiana primária poderia ser o primeiro registrado oficialmente no Brasil.

Dor de garganta foi o primeiro sintoma apresentado pela paciente. Em seguida, em 12 de setembro deste ano, o quadro evoluiu rapidamente para febre alta, vômitos constantes e danos neurológicos, como convulsões e nuca enrijecida. O secretário Executivo de Vigilância em Saúde da Sesa, Antonio Silva Lima Neto, explicou que os sinais são semelhantes ao de uma meningite clássica, dificultando o diagnóstico correto.

"Ela é uma doença que a contaminação só ocorre realmente através das narinas. É muito rara. No Brasil, não tem oficialmente nenhum caso confirmado até hoje. Isso provavelmente ocorre porque não há suspeição, é muito difícil suspeitar porque é um evento raríssimo e os casos descritos até hoje são casos que quase sempre levam à morte", disse o titular em entrevista à Rádio FM Verdinha, nesta segunda-feira (9). 

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A criança foi hospitalizada e, posteriormente, transferida para o Hospital Infantil Albert Sabin, em Fortaleza, onde faleceu dias depois. Ao Diário do Nordeste, a farmacêutica parasitologista Ticiana Mont Alverne explica que a evolução do quadro clínico, entre a infecção e a possível morte do paciente, dura de sete a 14 dias, em média. Rara, a meningoencefalite amebiana primária tem uma taxa de letalidade de 97%

A infecção foi identificada apenas após o óbito da paciente. Testes realizados no reservatório da residência onde a criança morava também apontaram a presença da ameba na água. Os resultados foram confirmados pelo Instituto Adolfo Lutz, instituição de referência nacional em saúde pública. A Sesa notificou o Ministério da Saúde. 

"Nesse caso específico, é muito provável que o que tenha acontecido é que o aquecimento natural que ocorre em uma cisterna ou num reservatório da água, como uma caixa d'água, favoreceu a multiplicação, a reprodução do micro-organismo, e, infelizmente, essa fatalidade pode ser que tenha concorrido dessa forma. Mas é um caso ainda em investigação", destacou o secretário. 

A teoria do gestor é reforçada por Alverne, que explica que, apesar de rara, a Naegleria fowleri é encontrada em águas quentes e paradas como em lagos, piscinas e rios. Sensível a cloração, o protozoário também pode estar presente em piscinas não tratadas. Casos de meningoencefalite amebiana primária, segundo a especialista, acometem crianças, jovens e adultos saudáveis.

Com a detecção, a Sesa e a Prefeitura de Caucaia realizaram uma série de ações visando readequar o sistema de água e evitar a possibilidade de novos casos. "A gente, com a comunidade, reviu a filtragem, o mecanismo de cloração, a origem da água", detalhou Silva. Testes realizados em lagos próximos à residência da vítima e no açude responsável pelo fornecimento da região não identificaram a presença da ameba.

Alverne recomenda que para evitar ter contato com esse tipo de protozoário é necessário, principalmente, evitar se banhar em locais com águas quentes e paradas. "Aqui [no Ceará], tem uma predisposição para desenvolvimento desse protozoário flagelar, porque vivemos em uma temperatura quente. [...] Eles gostam também de água limpa e água parada, então é evitar tomar banho em locais do tipo, deixar para tomar banho em águas mais correntes."

"Tomar muito cuidado da nossa água, a que a gente consome em casa, principalmente a caixa d'água. Deixar a cloração, ter muito cuidado também com o PH da água que chega da rede pública — a gente não sabe como ela vem, então é importante também que o setor público cuide bem dessa água —, e clorar, porque esses protozoários morrem com a cloração adequada", completa a farmacêutica parasitologista. 

O Diário do Nordeste demandou a Prefeitura de Caucaia mais informações sobre o caso e aguarda retorno. 

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