Na manhã desta quarta-feira (3/9), o deputado estadual do Rio de Janeiro, Thiego Raimundo dos Santos Silva (MDB), 36 anos, foi preso em uma ação conjunta que reuniu duas operações distintas, uma da Justiça Federal e outra do Tribunal de Justiça do RJ. Ele é investigado por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, além de suspeitas de envolvimento na negociação de armas com a facção criminosa Comando Vermelho (CV).
Silva também tem atuação no empreendedorismo por meio de sua loja, a TH Joias - alcunha que ele também adotou na vida pública. O negócio, que produz peças sob encomenda e as comercializa pelas redes sociais, ganhou notoriedade ao ter suas peças de outro e diamantes usadas por jogadores como Neymar, Vini Jr. e Adriano Imperador, além de cantores como Léo Santana e Ludmilla. A marca vende peças exclusivas e vende no Brasil e no exterior.
Os produtos da TH Joias ganharam destaque na internet não apenas pelo uso de pedras preciosas, mas também pela robustez de colares e anéis. Em publicações nas redes sociais, Silva afirma que algumas peças chegam a ser produzidas em ouro de 18 quilates. A marca também desenvolve joias exclusivas para compor figurinos de MCs em videoclipes, como no caso do ator e rapper L7nnon e Mc Poze do Rodo.
Nascido no Morro do Fubá, na Zona Norte da capital fluminense, Silva aprendeu o ofício com o pai, Juberto. Ainda adolescente, acompanhava o trabalho do patriarca como ourives e administrador de uma loja em Madureira. Aos 19 anos, herdou o negócio da família e passou a vender joias por conta própria.
Paralelamente, investia em ações sociais, patrocinando festas em comunidades, apoiando atletas e músicos. O interesse pela política surgiu após a aproximação com o ex-policial Marcos Falcon, então presidente da escola de samba Portela, assassinado em 2016 durante a disputa por uma vaga de vereador no Rio.
Segundo o Ministério Público do Rio (MPRJ), o parlamentar teria usado o mandato para favorecer o CV, inclusive nomeando comparsas em cargos na Assembleia Legislativa (Alerj). A defesa do deputado não havia se manifestado até a última atualização desta reportagem.
A trajetória de Silva na política, no entanto, ficou marcada por investigações. Entre 2017 e 2018, ele foi preso em uma operação da Polícia Civil e passou 10 meses na cadeia, acusado de pagar propina a policiais, vender drogas e armas e repassar a traficantes informações sobre futuras operações em comunidades como Muquiço, Vila Aliança, Serrinha e o conjunto de favelas da Maré.
Inquéritos também apontam que ele teria atuado na lavagem de dinheiro para diferentes facções criminosas, entre elas o Comando Vermelho, o Terceiro Comando Puro e a facção Amigos dos Amigos (ADA).
Mesmo sob acusações, filiou-se ao MDB e, em 2022, obteve 15.105 votos, ficando como suplente. Assumiu o mandato em 2024 após a morte do deputado Otoni de Paula Pai e a decisão de Rafael Picciani de permanecer à frente da Secretaria Estadual de Esporte e Lazer. Ele tomou posse amparado por um habeas corpus que lhe garantia o direito de responder ao processo em liberdade. Atualmente, Silva presidia a Comissão de Defesa Civil da Alerj, responsável por coordenar ações de prevenção a desastres nas cidades do estado.
De acordo com a investigação e apuração do g1, Silva não foi encontrado em sua residência principal, um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, mas acabou localizado em outro imóvel de alto padrão no mesmo bairro.
As operações desta quarta-feira são descritas como “simultâneas e convergentes”, com o cumprimento de mandados judiciais de diferentes esferas.
A Alerj e o MDB confirmaram o caso em notas oficiais ao portal g1. O partido, inclusive, anunciou que TH Joias não faz mais parte do quadro de políticos da sigla.