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Empreendedora cria produtora de áudio com foco em publicidade que já fez mais de 800 campanhas | Mulheres Empreendedoras

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 24/10/2025 às 06:01 · Atualizado há 4 dias
Empreendedora cria produtora de áudio com foco em publicidade que já fez mais de 800 campanhas | Mulheres Empreendedoras
Foto: Reprodução / Arquivo

Trinta anos depois, o que nasceu de uma inquietação se transformou na MugShot, uma reconhecida produtora de áudio, que já fez mais de 800 campanhas para clientes como Nubank, Colgate, Seara, Petrobras e TikTok, e um modelo de gestão que combina arte, tecnologia e diversidade. O caminho até ali, porém, não foi linear. “Nada aconteceu de repente”, diz Viana. “A MugShot é fruto de muitos anos de escuta — escuta do mercado, das pessoas, e de mim mesma como gestora.”

Viana começou a empreender quando ainda se falava pouco em “liderança feminina”. Ela circulava entre gravadoras, estúdios e agências, observando a distância entre a criação e a execução — um espaço onde via oportunidade. Fundou a MugShot para encurtar essa distância: queria uma produtora capaz de traduzir briefing publicitário em som, sem burocracia e com um processo mais colaborativo entre cliente, criativo e músico. “A ideia era simples: reunir um time diverso, com diferentes referências culturais e de vida, porque é assim que nasce a originalidade”, conta.

A diversidade, que à época parecia apenas uma característica de equipe, acabou se tornando o diferencial competitivo da MugShot. Não como bandeira, mas como prática. A empresa cresceu ao valorizar produtores, técnicos, artistas e compositores de origens e gêneros diferentes — um ecossistema criativo que se refletia no resultado final. A sonoridade da produtora logo chamou atenção por fugir dos padrões do mercado. “A gente começou a criar trilhas que tinham sotaque, textura, ruído — elementos que traziam identidade. E o mercado percebeu que isso vendia”, diz Viana.

As videochamadas substituíram as reuniões presenciais, e a prospecção de clientes também precisou se reinventar. “Antes, eu sabia o humor de um cliente pelo aperto de mão ou pelo café. De repente, tudo era virtual. Tivemos que aprender a ler o outro pela câmera, pelo tom de voz. Foi um exercício de empatia e de objetividade”, afirma. A experiência acabou trazendo ganhos inesperados. As trocas ficaram mais diretas, os processos mais enxutos. A MugShot descobriu que podia colaborar com profissionais de qualquer lugar do mundo — e, no meio da crise, expandiu a rede de parceiros e projetos.

Hoje, a empresa se define menos como uma produtora de som e mais como uma plataforma de criação musical. Além de campanhas publicitárias, o time produz para artistas independentes, como Kafé e Alter Mauz, e se prepara para ampliar a atuação em trilhas para games e produções internacionais. “É uma expansão natural”, diz Viana. “A tecnologia encurtou distâncias, e o público global quer ouvir a música brasileira em novas linguagens. Nosso som é diverso, vivo e adaptável — e isso nos posiciona bem nesse cenário.”

Por trás da fala calma, há o traço de uma gestora que aprendeu a equilibrar a intuição artística com o pragmatismo do negócio. A MugShot, ao longo dos anos, criou uma estrutura que combina liberdade criativa com processos bem definidos. As reuniões de pauta, por exemplo, começam com audições de referências musicais, mas terminam com planilhas de entrega e métricas de performance. “Eu acredito na gestão humanizada, mas também acredito em resultado. Criatividade sem método se perde”, resume.

Mais do que um estúdio, a MugShot virou uma espécie de hub de som, um laboratório criativo que funciona entre o analógico e o digital, entre o improviso e a técnica. E a presença feminina de Viana, em um setor ainda majoritariamente masculino, é uma espécie de afirmação silenciosa. “Durante muito tempo, eu era a única mulher na sala. Hoje, vejo mais delas liderando, criando, gravando. Isso me dá esperança. A mudança está acontecendo, mesmo que devagar.”

O desafio agora é outro: sustentar o crescimento sem perder o caráter artesanal que tornou a produtora reconhecida. Com clientes fixos e projetos internacionais em negociação, a MugShot se equilibra entre a expansão e a essência. Viana, por sua vez, parece confortável nesse movimento. “Eu aprendi que empreender é estar em constante tradução. Traduzir o que o cliente quer, o que o público sente, e o que o seu time pode oferecer. É uma escuta permanente.”

Ao longo de três décadas, o som que ela ajudou a construir ganhou novas formas — de trilhas publicitárias a produções musicais, de jingles a experiências sonoras em streaming e games. Mas o princípio continua o mesmo: usar a música como linguagem de conexão. “O que a gente faz é dar voz a marcas, artistas e histórias”, diz Viana. “No fim, todo negócio é sobre pessoas. E a música, quando é verdadeira, fala com todas elas.”

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