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Empreendedora aposta em cosméticos naturais de olho na preservação da Amazônia | Um Só Planeta

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 20/05/2025 às 06:00 · Atualizado há 1 semana
Empreendedora aposta em cosméticos naturais de olho na preservação da Amazônia | Um Só Planeta
Foto: Reprodução / Arquivo

A Amakos – Ama (Amazônia), Kos (Cosméticos) – é filha da pandemia. Soon Hee Han, 66 anos, fundou a marca de cosméticos em 2021, quando sentiu vontade e necessidade de trabalhar em prol da causa climática, tão discutida naquela ocasião. “Minha ideia sempre foi fazer a diferença para a Amazônia. Ainda que seja uma gota no oceano, dentro de um movimento maior, podemos causar impacto”, diz.

Não é a primeira vez que a empreendedora se dedica ao mercado de beleza e bem-estar e ao trabalho baseado em propósito. Ela conta que, nos anos 2000, teve uma doença grave e se curou por meio de práticas orientais. Essa experiência a aproximou da cultura asiática: “Mesmo sendo filha de coreanos, imigramos para o Brasil quando eu era bem pequena. Além disso, morei na Europa e nos Estados Unidos, minha formação foi ocidental”, explica.

Nas duas últimas décadas, Soon Hee Han foi monja budista (não é mais) e criou uma rede de spas que, de acordo com a empresária, foi uma das maiores do Brasil e chegou a ter 28 unidades – ela vendeu para um fundo de investimentos em 2015. “Na época, fiquei muito próxima da indústria do bem-estar”, conta. Formações e especializações da empresária nas áreas de aromaterapia, fitoterapia, biocosmética e perfumaria funcional ajudaram a alavancar o negócio.

Depois disso, aproximou-se da indústria da cultura local, em Curitiba (PR). “Atuei com moda local autoral, promovendo desfiles, e com a alimentação, promovendo chefs iniciantes que trabalhavam com ingredientes-raiz. A meta era resgatar a história por meio de movimentos culturais, mas também com objetivos financeiros”, resume.

Criar negócios foi uma constante na trajetória de Soon Hee Han. “Venho de uma família de imigrantes onde a necessidade de empreender e o tino para isso são naturais”, diz.

Por isso, com a crise global provocada pela covid-19, com tempo para refletir e resgatando sua relação com o segmento de bem-estar, Han decidiu retornar à Amazônia para “fazer a sua parte”. Sim, retornar. Porque ela morou em Manaus (AM) logo que seus pais chegaram o Brasil. “Senti que era hora de voltar para ser aquela gotinha, ser a diferença naquele momento pelo qual estávamos passando”.

Han arregaçou as mangas e, fuçando aqui e ali, teve o projeto da Amakos aceito pelo Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), promovido pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), do Governo Federal.

“Entre recursos do PPBio e dos sócios – meus e do meu sobrinho Yuri Han, 34 anos – investimos pouco mais de R$ 5 milhões para iniciar o negócio”, conta Soon Hee Han. Ela explica que a startup começou com um laboratório de P&D e uma fábrica, em Manaus (AM). “É importante a gente produzir para evitar o greenwashing [prática que algumas marcas fazem de “se vender” como sustentáveis para atrair consumidores sem terem pilares de uma cadeia sustentável]”, explica. “A Amakos pesquisa, desenvolve a fórmula, fabrica e comercializa”, diz.

O trabalho não é simples nem fácil. Han intercala temporadas no Sul, onde mora, com imersões na Amazônia: “Passo longos períodos no meio da floresta, fazendo tours aromáticos, vendo como a matéria-prima é coletada, convivendo com os ribeirinhos e vivenciando o empreendedorismo local. São eles que mantêm a floresta em pé, e isso é uma das grandes razões da nossa marca. É importantíssimo que eles fiquem bem e também tenham saúde financeira”, conta Han.

Atualmente, a Amakos trabalha com 20 comunidades, impacta 1,6 mil moradores, cerca de 490 famílias.

"No ano passado, ajudamos a preservar 424 mil hectares de floresta. Sem contar que, ao estimularmos a cultura agroflorestal, com plantações variadas, evitamos a monocultura e incentivamos a biodiversidade”, diz.

Para Han, essa é uma das vitórias da Amakos. “Nosso plano de negócios inclui tornar a Amazônia mais conhecida por meio de produtos cosméticos e de higiene pessoal, com linhas de skincare, capilar, spa e esporte. Acompanhar de perto o trabalho das comunidades e divulgá-lo também importa para nós”, acredita.

A empreendedora explica que a Amakos está no processo de tração (quando uma empresa está mirando o crescimento e explorando o mercado para isso) a caminho de se tornar scale-up (quando uma empresa cresce de forma rápida e sustentável) no próximo ano. A marca passou da fase de MVP (do inglês Minimum Viable Product ou Produto Mínimo Viável) com 11 SKUs e terá vários lançamentos ao longo do ano. O próximo será a linha capilar, que deve ir para o mercado no mês que vem.

As linhas atuais trabalham com três matérias-primas principais: óleo de cacay (extraído da semente de uma árvore), sangue de dragão (resina extraída de uma árvore) e copaíba (árvore de onde se extrai uma resina). Conta com produtos como séruns, espumas, loções, cremes, balms e óleos para o rosto e para o corpo com diferentes finalidades: hidratação, tratamento de manchas e de acne, cuidados para manter a firmeza e a elasticidade da pele, minimizar rugas etc..

Suni e sua pluralidade — Foto: Gabi Marrero

Além da linha capilar, Han conta que a Amakos vai lançar uma linha de spa (para o consumidor e para profissionais da área) e uma linha para praticantes de esportes. Com a ampliação do portfólio, o próximo passo é exportar para a Europa, América Latina e Ásia.

“Abrimos vendas em setembro do ano passado, portanto, há menos de um ano. Estamos atuando para tornar a marca mais conhecida e um canal importante para isso é a Casa Amakos, uma loja física que serve como espaço de experimentação em São Paulo (SP)”, conta Soon Hee Han. A marca, que comercializa nesse ponto e por meio de e-commerce, espera faturar R$ 2,15 milhões entre setembro de 2024 a setembro de 2025.

Para a empreendedora, o sonho está se tornando realidade – preservar a Amazônia e levar beleza e bem-estar às pessoas: “Estou feliz. A Amazônia não pode se resumir a algo exótico. Tem de ser conhecida para ser amada”, conclui.

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