O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master, não pediu ao Tribunal de Contas da União (TCU) uma eventual reversão da liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, segundo apurou ao Valor. Ainda assim, a defesa não fechou nenhuma porta na sua estratégia.
O que Vorcaro pediu ao TCU é que o tribunal acompanhasse a venda dos ativos durante a liquidação, para que eles não fossem repassados a preço de banana. Aí o TCU achou alguns pontos estranhos no processo e resolveu investigar
— comenta uma fonte a par do assunto. “Ele não pediu a reversão da liquidação, não é o que ele quer neste momento, mas isso pode mudar amanhã ou depois”, acrescenta.
Há relatos de que seria a defesa de Vorcaro que estaria alimentando o TCU com argumentos contra a ação do BC, o que também serve como forma de pressão a eventuais autoridades e políticos que tinham relação com o banqueiro. Do outro lado, há quem diga que alguns vazamentos de informações têm sido feitos pelo próprio regulador ou por alguns banqueiros, que teriam interesse em ver a liquidação efetivada e até em adquirir alguns ativos.
A defesa de Vorcaro tem argumentado que, como prova de que o BC errou no caso, é que não havia nenhum processo administrativo sancionador do regulador contra o banco antes da liquidação, mesmo com os problemas enfrentados publicamente pelo grupo ao longo do ano passado. Sobre as três notificações feitas pelo BC ao Ministério Público no ano passado, a fonte citada acima diz que são apenas “suspeitas” que serão dissuadidas e que Vorcaro ainda não teve a oportunidade de se defender formalmente.
Procurados, os quatro escritórios de advocacia que defendem Vorcaro não se manifestaram.
Enquanto a questão do Master é discutida no TCU, a visão de participantes do mercado é de que, a priori, isso não afeta o pagamento dos poupadores pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Além de honrar os CDBs, a entidade fez um empréstimo emergencial de R$ 4,3 bilhões ao Master no ano passado, então também é um importante credor do banco.
Segundo noticiado pela Folha de S.Paulo. e confirmado posteriormente pelo Valor, esse empréstimo emergencial continha uma cláusula para suspender o socorro caso o banco fosse alvo de operação da Polícia Federal ou do Ministério Público Federal. Esse tipo de condição é comum e já foi usado em outros casos, de acordo com fontes com conhecimento do assunto.
A defesa de Vorcaro tem insistido que houve uma coordenação da PF com o BC para decretar a liquidação, o que teria atrapalhado a venda do banco para a Fictor, que Vorcaro apresentou ao regulador horas antes de ser preso. Uma eventual coordenação prévia entre o supervisor e as autoridades policiais e judiciais poderia enfraquecer a tese de que a decisão do BC foi puramente técnica.
Segundo interlocutor, o que o banqueiro pediu ao TCU é que o tribunal acompanhasse a venda dos ativos durante a liquidação para que eles não fossem repassados "a preço de banana"
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