O setor público consolidado fechou setembro com déficit primário de R$ 17,452 bilhões, conforme divulgou o Banco Central (BC) nesta sexta-feira (31). Em setembro do ano passado, o resultado havia sido deficitário em R$ 7,340 bilhões.
Os dados do setor público consolidado envolvem governo central (formado por Previdência e Tesouro, além do próprio BC), Estados, municípios e estatais. Ficam fora da conta empresas do grupo Petrobras, além de bancos públicos, como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
O resultado de setembro refletiu um déficit do governo central de R$ 14,944 bilhões e um déficit de R$ 3,504 milhões dos Estados e municípios. As estatais tiveram superávit de R$ 996 milhões.
Em 12 meses até setembro, por sua vez, o déficit alcançou R$ 33,235 bilhões, o equivalente a 0,27% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 12 meses até agosto, o déficit estava em 0,19% do PIB.
O setor público consolidado registrou déficit nominal, que inclui despesas com juros, de R$ 102,185 bilhões em setembro. Um ano antes o resultado havia sido de déficit de R$ 53,767 bilhões.
O resultado nominal de setembro refletiu um déficit de R$ 17,452 bilhões e uma conta de juros de R$ 84,732 bilhões.
Em 12 meses até setembro, por sua vez, o déficit nominal alcançou R$ 1,018 trilhão, o equivalente a 8,16% do PIB. Em agosto, estava negativo em 7,81% do PIB. A conta de juros até setembro somou R$ 984,810 bilhões, ou 7,89% do PIB, vinda de R$ 946,504 bilhões ou 7,63% do PIB em agosto.
A dívida bruta dos governos no Brasil somou R$ 9,748 trilhões em setembro, o equivalente a 78,1% do PIB. Em agosto, o indicador também estava em 77,5% do PIB.
De acordo com o BC, a comportamento da dívida pode ser explicada pelo efeito altista de 0,3 ponto percentual (p.p.) do PIB das emissões líquidas da dívida bruta e de 0,8 p.p. do PIB dos juros. O ajuste cambial teve efeito baixista de 0,1 ponto percentual e o crescimento do PIB teve efeito baixista de 0,4 ponto do PIB.
A dívida líquida do setor público não financeiro ficou em 64,8% do PIB em setembro (R$ 8,087 trilhões). Em agosto, estava em 64,2% (R$ 7,969 trilhões).
A variação mensal pode ser explicada principalmente pelo impacto da apropriação de juros no patamar de 0,7 p.p., seguido do déficit primário, com elevação de 0,1 p.p. e da valorização cambial de 2% no mês, com impacto altista de 0,2 p.p. Por outro lado, a variação do PIB nominal reduziu a elevação em 0,4 p.p. e “demais ajustes” da dívida externa tiveram impacto para baixo de 0,1 p.p.
O BC atualizou nesta sexta-feira as elasticidades das dívidas líquida e bruta do setor público a seus principais indexadores.
Para a dívida líquida, a valorização de 1% do câmbio leva a um aumento imediato de 0,07 p.p. do PIB, ou R$ 8,7 bilhões. Para cada aumento de 1 p.p. da Selic, mantida por 12 meses, há elevação da dívida de 0,48 p.p., ou R$ 60,3 bilhões. Já um aumento de 1 p.p. na inflação, mantido por 12 meses, eleva a dívida em 0,17 p.p., ou R$ 20,8 bilhões.
No caso da dívida bruta, a valorização de 1% do câmbio gera queda imediata de 0,08 ponto, ou R$ 10,1 bilhões. Para cada elevação de 1 ponto da Selic, mantida por 12 meses, há elevação de 0,44 ponto da dívida, ou R$ 54,7 bilhões. Já cada aumento de 1 ponto na inflação, mantido por 12 meses, eleva a dívida em 0,16 ponto, ou R$ 20,5 bilhões.