A candidata do PMB à Prefeitura de Curitiba, Cristina Graeml, apelou para um Jair Bolsonaro (PL) de papelão para compensar a ausência do ex-presidente na campanha da capital paranaense.
A eventual presença da principal liderança da direita em Curitiba para apoiá-la virou um problema, porque o PL indicou o ex-deputado federal Paulo Martins como vice do seu adversário, Eduardo Pimentel (PSD).
Dirigentes nacionais do partido tiveram que intervir nas últimas semanas para que o ex-presidente desistisse da ideia de vir à capital paranaense. No primeiro turno, Bolsonaro gravou um vídeo de apoio a Cristina e autorizou que imagem dele fosse usada na propaganda eleitoral da candidata.
Ao Valor, Pimentel chegou a afirmar que esperava que o ex-presidente não viesse a Curitiba no segundo turno e deixasse os eleitores escolherem o seu candidato por conta própria.
A versão de papelão de Bolsonaro foi usada durante um evento da candidata do PMB nesta quarta-feira (23), que reuniu influenciadores de direita. Eles se concentraram no centro da cidade e fizeram uma caminhada até a sede da prefeitura.
Os discursos dos apoiadores de Cristina durante o evento seguiram toda a cartilha bolsonarista: houve questionamento à segurança das urnas eletrônicas; ataques ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF); além de defesa das pessoas que foram condenadas pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Em sua fala, porém, Cristina adotou um tom mais moderado e pediu para que os eleitores não deixassem de votar no próximo domingo – a abstenção no primeiro turno girou em torno de 27% na cidade.
O ato de campanha terminou com o hino nacional e uma oração. Antes disso, um dos participantes já havia puxado um “Pai Nosso”. Até o fato de parar de chover durante a caminhada foi creditada a Deus e visto como vontade divina.
Participaram do evento figuras como o economista Paulo Kogos, que foi candidato a vereador pelo União Brasil em São Paulo e não se elegeu. A sua marca é imitar o presidente da Argentina, Javier Milei, não apenas nas ideias, mas também na aparência.
Também esteve presente o jornalista José Carlos Bernardi, que foi demitido da rádio Jovem Pan em 2021 após uma declaração que foi considerada antissemita e provocou a reação de entidades judaicas. Questionado pelo Valor sobre o caso, ele disse que nunca respondeu a nenhum processo por conta da declaração e que o episódio estava sendo requentado para atingir a candidatura de Cristina.