A Rússia reconheceu, nesta quinta-feira (3), o governo do Talibã no Afeganistão, se tornando o primeiro país a certificar oficialmente o atual governo do país, e aceitou um novo embaixador afegão em Moscou.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse que Moscou vê boas perspectivas para desenvolver relações e continuará a apoiar Cabul nas áreas de segurança, combate ao terrorismo e ao crime relacionado às drogas. Também enxerga oportunidades significativas de comércio e cooperação econômica, especialmente nos setores de energia, transporte, agricultura e infraestrutura.
“Acreditamos que o ato de reconhecimento oficial do governo do Emirado Islâmico do Afeganistão dará um impulso ao desenvolvimento de uma cooperação bilateral produtiva entre nossos países em várias áreas”, afirmou o ministério.
“Valorizamos esse passo corajoso dado pela Rússia e, se Deus quiser, servirá de exemplo para outros também”, disse em comunicado Amir Khan Muttaqi, ministro afegão das Relações Exteriores.
Nenhum outro país reconheceu formalmente o governo talibã, que assumiu o poder em agosto de 2021, após a retirada caótica das forças lideradas pelos EUA do Afeganistão, encerrando 20 anos de guerra. No entanto, China, Emirados Árabes Unidos, Uzbequistão e Paquistão já designaram embaixadores para Cabul, um passo em direção ao reconhecimento.
A decisão da Rússia representa um marco importante para o governo do Talibã, que busca reduzir seu isolamento internacional. A medida, provavelmente, será acompanhada de perto por Washington, que congelou bilhões de dólares em ativos do banco central afegão e impôs sanções a alguns líderes talibãs, contribuindo para o isolamento do setor bancário afegão do sistema financeiro internacional.
A Rússia vem construindo, gradualmente, relações com o Talibã, que o presidente Vladimir Putin afirmou no ano passado ser um aliado no combate ao terrorismo. Desde 2022, o Afeganistão tem importado gás, petróleo e trigo da Rússia. O Talibã havia sido classificado pela Rússia como uma organização terrorista em 2003, mas a proibição foi suspensa em abril deste ano.