Os aumentos dos salários devem continuar pressionando inflação e os consumidores até estão confiantes, mas ainda cautelosos sobre a economia. Neste cenário, há empresas que andam deixando outros grupos para trás.
Segundo Michelle Evans, chefe global da Euromonitor para varejo e consumo digital, duas redes de varejo vencedoras neste processo são as americanas Costco e o Sam''s Club - este última opera no Brasil num acordo com Carrefour.
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A executiva esteve hoje no evento Retail's Big Show, o maior congresso de varejo do mundo. A delegação brasileira é a maior da feira, com mais de dois mil inscritos. O Valor está fazendo a cobertura do evento em suas plataformas de redes sociais e no site.
Supermercados e atacarejo
"Os supermercados estão perdendo e quem tem ganhado são Costco e Sam''s, e também as as redes que vendem conveniência ao cliente", afirmou.
No Brasil, esta lógica é semelhante, pela força do modelo competitivo em preços.
Apesar de o Brasil não ter loja da Costco, ela se assemelha a um atacarejo em termos de agressividade de preços. Na rede americana se paga anualmente para ter acesso às lojas e às ofertas, o que não ocorre no atacarejo brasileiro.
No último trimestre fiscal, cresceu 8% a adesão de clientes às lojas da Costco até novembro de 2024, segundo balanço da cadeia.
No Brasil, o atacarejo também cresce mais em adesão e vendas do que os supermercados.
De acordo com ela, aproveitando este momento de incerteza, a Costco, uma rede de clubes de compra, tem tido crescimento maior que o Walmart nos últimos cinco anos.
Para efeito de comparação, a Costco é mais parecida com o Sam''s Club no Brasil, mas é bem mais democrática e popular. Nos ultimos anos, tem sido exemplo de sucesso no mundo no varejo global.
As ações da rede nos EUA subiram 45% em 2024 e o grupo vendeu US$ 240 bilhões no ano passado. Com suas 800 lojas, a rede superou as expectativas de lucro pelos analistas deste ano frente ao Walmart.
"O Walmart é duas vezes maior que a Costco e, nos últimos cinco anos, ela cresceu 7% a mais que o Walmart", disse a executiva.
Segundo ela, isso mostra que não só preço, mas qualidade, proposta clara e autenticidade de marca levam o cliente a decidir onde comprar.
Desconforto do consumidor
No evento , vem sendo muito discutido também o nível de conforto do consumidor sobre uso de tecnologia na interação nas lojas e sites, e se eles se sentem invadidos pelo avanço da inteligência artificial.
"A Amazon Fresh, por exemplo, loja física da rede, há carrinhos com sensores para escanear dos produtos. Esse escaneamento deixa os clientes mais jovens confortáveis, isso porque o componente humano está presente, se for necessário, para ajudar, e não há só a máquina em si", explicou a diretora, ao citar exemplos.
A executiva ainda disse que preço mais baixo não decide compra, necessariamente, apesar do aumento da inflação. "Cerca de 25% vão boicotar produtos se estiverem fora do que os clientes acreditam", disse ela.