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Preocupações econômicas retraem consumo das famílias paulistanas, mostra FecomercioSP | Brasil

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 24/06/2025 às 10:12 · Atualizado há 5 dias
Preocupações econômicas retraem consumo das famílias paulistanas, mostra FecomercioSP | Brasil
Foto: Reprodução / Arquivo

As pessoas estão comprando cada vez menos, em decorrência do momento econômico de incertezas e, principalmente, da alta das taxas de juros. É o que revela a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) de maio.

Produzida pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o indicador apresentou uma leve retração de 0,2% de abril para maio, para 104,2 pontos, o que mostra um enfraquecimento gradual da confiança das famílias. Na comparação anual, a queda foi de 4,6% — a quarta consecutiva, apontando o impacto da conjuntura econômica sobre o comportamento da população.

O indicador que mostra o nível de otimismo, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), atingiu 111,7 pontos em maio, alta de 0,6% em comparação com o mês anterior, após dez meses seguidos de queda. Em relação a maio de 2024, houve retração de 11,6%.

Para Kelly Carvalho, assessora econômica da FecomercioSP, esses resultados representam o reflexo das decisões controversas do governo, em um cenário no qual a política monetária contracionista, com juros elevados, contrasta com uma política fiscal expansionista, que busca estimular a atividade econômica.

“Isso gera um ambiente de dúvidas e inibe uma retomada mais confiante do consumo”, diz.

O Índice de Expectativas dos Consumidores (IEC), que faz parte do ICC, subiu 1,2% em maio, alcançando 117,1 pontos e contribuindo para uma leve recuperação mensal da confiança. Praticamente todos os segmentos populacionais analisados apresentaram avanço, com exceção dos consumidores com 35 anos ou mais, que registraram queda de 0,6%.

Apesar do resultado positivo no mês, o IEC registrou retração de 12,3% na comparação com maio de 2024, com todos os subíndices em queda de dois dígitos.

O indicador de Condições Econômicas Atuais (ICEA), que também faz parte do ICC, recuou 0,3% em relação a abril, totalizando 103,6 pontos. No comparativo anual, a retração foi de 10,6%. Os grupos mais impactados foram os consumidores com 35 anos ou mais (-3,6%), as mulheres (-0,9%) e aqueles com renda de até dez salários-mínimos (-1,9%), que demonstram mais sensibilidade quanto ao encarecimento do crédito e ao custo de vida elevado.

“Se analisarmos a série histórica do ICC, há um registro de declínio constante”, explica. “Com 111,7 pontos ainda se está em uma fase de otimismo moderado, pois a metade da escala é 100. Então, daí para baixo começa o pessimismo, o que pode ocorrer ainda esse ano, dada a constante queda ao longo dos meses.”

Apesar da situação macroeconômica instável, o componente do ICF Perspectiva Profissional foi o único entre os sete analisados a apresentar crescimento sólido no comparativo anual, com alta de 4,2%.

O dado sugere que parte da população ainda mantém expectativa positiva em relação ao mercado de trabalho, em linha com o saldo positivo de contratações registrado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) no primeiro trimestre de 2025 — embora concentrado em ocupações de menor remuneração.

“Podemos ser bem afirmativos nisso: o indicador de emprego é que vem sustentando esse certo nível de otimismo”, diz. “Se analisarmos os demais indicadores, estão todos muito baixos.”

Além disso, no curto prazo, indicadores como Acesso ao Crédito (1,7%), Perspectiva de Consumo (0,5%) e Nível de Consumo Atual (0,2%) mostraram leve recuperação em relação a abril, mas continuam abaixo da linha de otimismo.

“A intenção de consumo caiu tanto entre famílias de até dez salários-mínimos quanto entre aquelas de renda superior, refletindo uma percepção generalizada de insegurança”, afirma a economista.

Nesse quadro, podemos também analisar as consequências por meio da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada também pela FecomercioSP: 77,6% das famílias paulistanas declararam ter algum tipo de dívida em abril de 2025. Já o porcentual de lares com contas em atraso foi de 22,6%.

O IPCA acumulado em 12 meses até abril chegou a 5,53%, pressionado especialmente pelos alimentos — enquanto a taxa Selic subiu para 15% ao ano (a.a.), dificultando o acesso ao crédito e restringindo a capacidade de consumo.

Estratégias para o pequeno varejo

Com a retração no consumo e no alto endividamento das famílias, especialista indica que o pequeno varejo, que é a principal vítima da baixa confiança do consumidor, precisa agir com estratégia para manter a competitividade.

“Ajustar estoques, cortar custos e otimizar operações são medidas importantes. Promoções focadas em itens essenciais, facilitação de pagamentos e comunicação orientada ao valor ajudam a manter o giro”, cita.

“Além disso, acompanhar indicadores econômicos e adaptar planos de venda à confiança do consumidor são fundamentais.”

Paralelamente, a economista explica que o comportamento do consumidor vem sendo guiado pela relação entre custo e benefício, pela digitalização e por novas prioridades. Por isso, diz, o varejista deve reforçar a gestão financeira, ampliar a presença digital e adotar meios de pagamento mais modernos, como o Pix.

— Foto: Leo Martins / Agência O Globo

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