Por Ana Paula Castro, Cláudia Bomtempo, TV Globo — Brasília
Novo inquérito da PF foca na atuação de gestores do BRB
O Banco de Brasília (BRB) deve entregar ao Banco Central, nesta sexta-feira (6), um plano de ações para reforçar o próprio balanço patrimonial em pelo menos R$ 5 bilhões.
O valor exato deve constar no próprio documento, que ainda não foi divulgado. Esses recursos vão ajudar o BRB a melhorar o perfil de seus ativos – ou seja, reduzir o risco atrelado a seu patrimônio.
⏳Se aprovado pelo Banco Central, o plano deverá ser executado pelo BRB em até seis meses.
⌛Medidas que afetem o caixa do governo do DF, acionista majoritário do BRB, devem exigir ainda o aval político da Câmara Legislativa do DF – onde o governador Ibaneis Rocha (MDB) tem ampla maioria.
O objetivo é garantir que o banco permaneça sólido e não gere desconfianças no mercado. Ou seja: evitar abalos à credibilidade do BRB.
➡️️A medida se tornou necessária porque, desde o fim de 2024, o BRB gastou bilhões para adquirir carteiras de créditos do Banco Master.
➡️Meses depois, veio à tona que essas mesmas carteiras tinham sido compradas pelo Master de outra instituição por menos da metade do valor.
➡️E o pior: o Master não chegou a pagar esses créditos, mas recebeu à vista ao revendê-los para o BRB.
Todas essas "inconsistências" fizeram com que o balanço patrimonial do BRB ficasse mais frágil.
Banco Master comprou R$ 6,7 milhões em créditos, não pagou e revendeu ao BRB por R$ 12,2 bilhões — Foto: Arte/TV Globo
Técnicos ouvidos pelo g1 e pela TV Globo nas últimas semanas afirmam que não há nenhum risco de falência ou de liquidação do BRB – até porque o acionista controlador do banco é o governo do Distrito Federal, que tem patrimônio suficiente para "socorrer" a instituição.
Mesmo assim, é importante que o BRB reforce o capital – inclusive, para seguir cumprindo as regras mínimas de solidez e segurança previstas na lei brasileira para todo o sistema bancário.
PF abre inquérito para investigar a suspeita de gestão fraudulenta no Banco de Brasília — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
No fim de janeiro, o BRB soltou um comunicado em que listou alternativas possíveis para reforçar o próprio patrimônio.
Segundo o BRB, foram estudadas como opções viáveis:
O governo do DF é o acionista controlador do BRB, e detém 71,92% do capital do banco. Ou seja: se houver "aporte direto", o governo distrital deve ser acionado para compor esse repasse.
O governador Ibaneis Rocha já sinalizou, em entrevistas, que está disposto a entregar patrimônio público do DF para essas operações – por exemplo, constituindo um fundo imobiliário.
➡️ Ao longo de 2025, o BRB tentou comprar boa parte do Master. A operação contou com apoio público de Ibaneis e do governo do DF, acionista controlador do banco público, mas foi barrada pelo Banco Central.
➡️ O Master foi liquidado em novembro pelo Banco Central, que identificou uma profunda crise de liquidez – ou seja, o banco não tinha recursos suficientes para honrar compromissos, como o pagamento de clientes e investidores.
➡️ O BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025 — e o Ministério Público vê indícios de gestão fraudulenta nessas transferências. Segundo as investigações, cerca de R$ 12 bilhões foram para carteiras de crédito podres, que não pertenciam ao Master e não tinham garantias financeiras.
Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.
De segunda a sábado, as notícias que você não pode perder diretamente no seu e-mail.
Para se inscrever, entre ou crie uma conta Globo gratuita.
Nova denúncia de assédio foi determinante para afastar Buzzi
Nº de alunos com sinais de intoxicação após aula de natação sobe para 6
Manobrista que limpava piscina diz que seguia ordens do dono via WhatsApp
Nova frente fria deve provocar temporais no Sul a partir de sexta
Justiça da Itália rejeita pedido de Carla Zambelli para trocar juízes
Inflação começa o ano acima da projeção, com a alta dos combustíveis
Haddad vê legislação pouco 'robusta' para evitar o caso Master
SP: começa a valer a lei que permite enterrar cães e gatos com pessoas