O Comitê de Política Monetária (Copom) mencionou que a possibilidade de mudanças na condução da política econômica nos Estados Unidos “traz adicional incerteza ao cenário, particularmente com possíveis estímulos fiscais, restrições na oferta de trabalho e introdução de tarifas à importação”. A ata da última reunião do comitê foi publicada nesta terça-feira.
O candidato republicano Donald Trump foi eleito na semana passada e assumirá a presidência em 2025. Trump defende a imposição de tarifas de importação e a deportação de imigrantes em massa, o que pode afetar o preço do trabalho e a inflação. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, vinha enfatizando em palestras antes do Copom que as propostas discutidas pelos então dois candidatos à Casa Branca, Trump e Kamala Harris, implicariam em expansão fiscal.
Ainda no cenário americano, o comitê avalia que “permanece grande incerteza sobre o ritmo da desinflação e da desaceleração da atividade econômica”. No entanto, o cenário-base continua sendo de desaceleração “gradual e ordenada” da economia nos Estados Unidos.
Como no comunicado da semana passada, o Copom voltou a destacar a conjuntura econômica incerta nos Estados Unidos, “o que suscita maiores dúvidas sobre os ritmos da desaceleração, da desinflação e, consequentemente, sobre a postura do Fed (Federal Reserve, o banco central americano)”.
O cenário global continua desafiador “com incertezas econômicas e geopolíticas relevantes”, pontuou. “Os dados mais recentes de diversos países corroboram um cenário de maior diferenciação nos ciclos de crescimento e inflação à medida que os efeitos do choque global da pandemia se dissipam. Assim, espera-se menor correlação nas condições financeiras e menor sincronia nos ciclos de política monetária entre os países no futuro”, diz a ata.
O documento ainda aponta que os membros do Copom debateram a desaceleração da economia chinesa “tentando decompor os aspectos cíclicos e estruturais envolvidos”. Para o comitê, as respostas fiscais e monetária anunciadas recentemente “podem trazer algum suporte ao crescimento de curto prazo, mas permanecem desafios para o crescimento de médio prazo”.
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