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Petrobras recalcula rota de renováveis com retorno ao mercado de etanol | Empresas

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 23/11/2024 às 15:06 · Atualizado há 19 horas
Petrobras recalcula rota de renováveis com retorno ao mercado de etanol | Empresas
Foto: Reprodução / Arquivo

A Petrobras ajustou a rota dos investimentos em projetos de transição energética para os próximos cinco anos, ao dar maior prioridade a projetos nos quais a empresa já possui alguma infraestrutura ou sinergia em vez de iniciativas de geração de energia renovável. O principal exemplo da mudança de rumo está no retorno da companhia para o mercado de etanol, do qual havia se retirado em 2017, enfatizado na sexta-feira (22) pelos executivos da Petrobras, durante divulgação do novo plano estratégico 2025-2029.

No plano, a companhia deixa claro que o principal foco é na exploração de óleo e gás, mas procura ressaltar que se prepara para a transição energética. Porém, a redução das emissões virá por meio dos investimentos em biocombustíveis em curso, como diesel verde e combustível sustentável de aviação, no retorno aos segmentos de petroquímica e de fertilizantes, e em processos com menores emissões.

Há especialistas que veem ação mais tímida da Petrobras nos planos de descarbonização, com a menor prioridade em projetos de geração. No plano 2024-2028, a empresa projetava investimentos de US$ 5,2 bilhões em eólicas terrestres e usinas solares fotovoltaicas, que totalizariam 5 gigawatts (GW) de capacidade instalada. No plano recém-divulgado, o montante a ser investido caiu para US$ 4,3 bilhões e a capacidade instalada, para 4,5 GW.

O movimento da Petrobras se dá num cenário em que as petroleiras europeias frearam aportes em energias renováveis ante o baixo retorno desses empreendimentos e o menor ritmo de eletrificação da mobilidade, entre outros aspectos. As petroleiras americanas sempre se mantiveram com foco na exploração e produção.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a companhia está de acordo com as metas do Brasil, em todos os cenários projetados pelo país no Acordo de Paris. Defendeu também a decisão de retorno ao etanol, além da descarbonização via projetos de petroquímica e fertilizantes.

“Não é verdade que não estamos em sintonia com as metas nacionais. Estamos alinhados com a política nacional. Continuamos na eólica e na solar, olhando a atratividade dos projetos e a forma que a rentabilidade se apresenta para nós”, disse.

Conforme analistas consultados pelo Valor, a Petrobras teve dificuldades de encontrar caminhos rentáveis com a transição energética pelas apostas em projetos de eólica e solar, que começaram na gestão de Jean Paul Prates. Marcelo de Assis, consultor e sócio da MA2 Energy, destacou que faz sentido a aposta da empresa em biocombustíveis, evidenciado no retorno ao etanol, pois são atividades sobre as quais a petroleira possui infraestrutura, como tancagem e dutos, e conhecimento. Além disso, salientou, o retorno sobre os investimentos tende a ser maior.

O diretor de transição energética e sustentabilidade da Petrobras, Mauricio Tolmasquim, ressaltou que a entrada no etanol faz sentido para a companhia uma vez que no longo prazo a gasolina tende a perder espaço na matriz energética. Assis concorda: “A logística de biocombustíveis é a mesma de derivados de petróleo e a tecnologia de motores de combustão interna é a mesma que atua”, afirmou.

A questão, para especialistas, é como a companhia irá atuar no mercado de etanol, se será no varejo – o que poderia indicar, por exemplo, retorno à distribuição, segmento do qual saiu com a venda da BR Distribuidora (atual Vibra), em 2021. Outra questão é a rentabilidade do produto para a estatal. No plano estratégico 2025-2029, a empresa sinalizou um retorno mínimo de 10% para projetos de baixo carbono e gás natural.

Para Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, a Petrobras teria vantagem no mercado de etanol por ter conhecimento da molécula e capilaridade, mas ainda restam dúvidas sobre a atuação da estatal: "O investimento se justifica, sendo um setor que, por mais que não atue mais, a companhia tem conhecimento e capilaridade. Mas o mercado de etanol é específico e tem alto grau de sazonalidade. A Petrobras diz que está buscando parceria e precisa que seja alguém relevante, mas ainda há dúvidas de com quem irá se juntar.”

Segundo Arbetman, a companhia chegou a abordar nas apresentações do plano de negócios as dificuldades com afretamento, mas também é importante reforçar os entraves com ativos renováveis. “Além de o negócio precisar de uma boa taxa de retorno, existem outras dificuldades como a própria regulação, no caso das eólicas offshore”, diz o analista.

A estratégia apontada pela Petrobras faz sentido com os direcionamentos recentes do governo, na leitura de Marcus D'Elia, sócio da Leggio Consultoria. “O mapeamento de biocombustíveis é o desenho de transição energética a curto prazo”, diz o especialista. “Até 2040, a aposta é nos biocombustíveis. A Petrobras está se direcionando para esse contexto do governo na diretriz da politica energética. Não é surpresa ter uma iniciativa da Petrobras nesse sentido. É natural que a companhia puxe esse produto para dentro.”

D'Elia afirmou que o retorno ao mercado de etanol pode ser uma forma de contrabalançar a decisão da empresa reduzir tentativas de avançar em energia eólica e solar. Sobre a forma como a Petrobras poderia atuar no mercado de etanol, D'Elia afirma que enxerga a companhia como uma investidora, entrando com parceiros que já tenham a operação e que possam ampliar a produção.

“Atuar com um parceiro é a única forma de a Petrobras entrar nesse mercado”, afirma. Para o especialista, a expectativa de produção de 2 bilhões de litros por ano mencionada por Tolmasquim seria “residual”, dado que a produção nacional na safra 2023/2024 foi de 32 bilhões de litros.

Presidente da Petrobras, Magda Chambriard — Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

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