O transporte de passageiros via aplicativos, por meio de motocicletas, esbarra em desafios, como criminalidade e violação de regras de trânsito, para se desenvolver, segundo especialistas que participaram do seminário “Moto no Rio: rotas da mobilidade", realizado pela Editora Globo em parceria com a Uber, empresa de tecnologia que oferece serviços de mobilidade, como viagens, entregas e transporte de cargas.
No evento, Fernando Meyer, diretor de operações do Instituto Cordial, centro de articulação e pesquisa que trabalha com ciência de dados, completou ainda que, em áreas dominadas por crime organizado na capital fluminense, os motociclistas são obrigados a adotar medidas como tirar o capacete, diminuir a velocidade e segurar o celular, “práticas que representam riscos para o motociclista e o passageiro”.
Os hábitos de transporte característicos de cada cidade também influenciam no desenvolvimento de serviço de transporte de passageiros em duas rodas, destacou.
Um estudo da Redes Cordiais, citado por Meyer e encomendado pela Uber, mostra que nas capitais Manaus e Fortaleza a regulamentação sobre o tema já existia, mesmo antes da presença da empresa nessas cidades.
Isso porque o serviço de “mototaxistas” que é, na prática, transporte de passageiros com uso de motocicletas, já existia antes dos aplicativos de transporte. No Rio, a regulamentação é mais recente. Na capital paulista, não há regulamentação para o serviço.
No caso de São Paulo, há, no momento, uma discussão a respeito da modalidade, envolvendo as empresas do setor e a prefeitura da capital.
Outro aspecto necessário a ser debatido, no desenvolvimento do serviço na capital do Rio, é a gestão de velocidade durante o percurso, comentou Meyer. Na prática, salientou, quanto menor a velocidade do motorista da moto, durante percurso para transporte de passageiro, menor o risco de acidente. “Um atropelamento a 30 quilômetros por hora tem 15% de chance de óbito; a 50 km/h por hora, é 85% e a 70 km/h é praticamente 100% da chance que a pessoa vai morrer. Mas as pessoas não sabem desses números” notou.
Egas Caparelli-Dáquer, representante da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), no Rio de Janeiro, também destacou a importância de se debater a segurança do trajeto, no transporte de passageiros via moto.
Para ele, é necessário investir em campanhas de comunicação educativas sobre a percepção do risco, nesse serviço. “Tem que haver maior fiscalização e conscientização do risco que se corre e principalmente divulgar os dados [sobre acidentes no trânsito]”, finalizou, no evento.
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