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Guinada do Bradesco toma forma um ano após Noronha assumir como CEO | Finanças

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 22/11/2024 às 12:18 · Atualizado há 11 horas
Guinada do Bradesco toma forma um ano após Noronha assumir como CEO | Finanças
Foto: Reprodução / Arquivo

Após um ano à frente do segundo maior banco do país, Marcelo Noronha diz que está reestruturando o Bradesco com mais do que apenas lucros em mente.

“Estamos mudando muitas coisas ao mesmo tempo, e não é apenas para aumentar a lucratividade”, disse o CEO em entrevista na sede da Bloomberg em Nova York.

Noronha, 59 anos, assumiu o cargo logo após as taxas de inadimplência e as despesas com provisões para perdas com empréstimos do Bradesco atingirem o pico em 2022 e 2023. Os maiores bancos e fintechs do Brasil expandiram enormemente suas carteiras de cartão de crédito durante a pandemia e estavam lutando contra os atrasos nos pagamentos. Somando-se aos ventos contrários, os pedidos corporativos de proteção contra falência atingiram níveis recordes, com a varejista Americanas e a concessionária de energia Light SA liderando o grupo no ano passado.

Noronha começou corrigindo fragilidades na carteira de crédito do Bradesco, abalando a alta administração e fechando cerca de 1.000 agências. Os resultados do terceiro trimestre mostraram o que podem ser sinais de recompensa: o lucro líquido recorrente aumentou 13%, para R$ 5,23 bilhões, em relação ao mesmo período do ano anterior, superando as estimativas dos analistas.

E o retorno do banco sobre o patrimônio líquido médio, um indicador de rentabilidade, subiu para 12,4% no trimestre, face aos 11,3% do ano anterior. Isso ainda fica atrás de concorrentes como o Itaú Unibanco, com 22,7%, e o BTG Pactual, com 23,5%.

Um “período prolongado de retorno do capital abaixo do custo do capital – que tem aumentado no Brasil – continuará a ser um obstáculo para os investidores”, afirmaram analistas do J.P. Morgan Chase & Co. Mesmo assim, disseram, “reconhecemos o valor do Bradesco”.

Os acionistas também ainda não concordaram. As ações preferenciais do Bradesco – o segundo maior banco do país em valor de mercado que não pertence ao governo – caíram 19,7% este ano (até as 12h desta sexta-feira, muito pior do que a queda de 4,8% do índice de ações de referência do Brasil, Ibovespa, e o avanço de 0,50% do Itaú.

Noronha, que ingressou no Bradesco em 2003, foi escolhido para o cargo mais importante para ajudar a levar a empresa a uma nova direção. Ele já havia administrado vários dos muitos negócios do banco, incluindo varejo, atacado e cartões de crédito. Antes de ingressar na empresa sediada em Osasco, Noronha foi executivo da unidade local do espanhol Banco Bilbao Vizcaya Argentaria, que o Bradesco comprou em 2003.

Essas experiências serão úteis à medida que os desafios começarem a crescer novamente. Espera-se que o Banco Central continue a aumentar as taxas de juros, forçando os bancos locais a adotar uma abordagem mais cuidadosa para evitar uma nova onda de empréstimos inadimplentes. Isso significa uma expansão mais modesta das suas carteiras de empréstimos e uma ênfase em clientes de menor risco, como os ricos, e em segmentos mais seguros, como empréstimos consignados ou crédito a pequenas empresas apoiadas pelo governo.

Mas a concorrência por esses clientes é feroz e os spreads são mais reduzidos, reduzindo a rentabilidade.

“Ainda trabalhamos com uma expansão de 9% em nossas carteiras de crédito, mas temos uma carteira de crédito muito mais segura que nos dá conforto para desacelerar um pouco o ritmo de crescimento em um ambiente de maior estresse”, disse Noronha.

A margem financeira líquida do Bradesco caiu para 8,4% no último trimestre, de 9,1% no terceiro trimestre de 2023, e foi “a maior frustração nos resultados do Bradesco no terceiro trimestre”, segundo Pedro Leduc, analista do Banco Itaú BBA.

“Não há data, dia ou hora” para que o ROE (retorno sobre o patrimônio) do Bradesco ultrapasse novamente o seu custo de capital, disse Noronha, mas os investidores devem esperar uma melhoria no quarto trimestre e depois.

“Estamos trabalhando para entregar ROEs cada vez melhores”, disse ele. “Estamos crescendo, mas temos os pés no chão.”

As despesas aumentaram devido ao encerramento de filiais, à necessidade de talentos mais especializados e a maiores investimentos em tecnologia – incluindo em inteligência artificial. Mas os gastos deverão ajudar a aumentar a competitividade do banco no longo prazo, segundo Noronha.

O Bradesco também gastou para criar uma joint venture com a Deere & Co. no Brasil, o Banco John Deere, para expandir no agronegócio. E o banco concluiu a oferta pública de aquisição de ações (OPa) da empresa de cartão de crédito Cielo junto com seu sócio, o Banco do Brasil. Essas duas transações deverão ajudar a aumentar a lucratividade, disse Noronha.

Eduardo Rosman, analista do BTG Pactual, elogiou a margem financeira pós-provisões do Bradesco no terceiro trimestre, que foi melhor que o esperado. Mas uma perspectiva mais desafiadora para o crescimento da margem financeira, dada a taxa Selic mais elevada e o estreitamento dos spreads de empréstimos “podem desapontar aqueles que esperam uma recuperação mais rápida do ROE”, disse ele.

Noronha não tem pressa. “Nosso ritmo não mudou”, disse ele. “ Temos um plano e o estamos seguindo passo a passo.”

O CEO do Bradesco, Marcelo Noronha — Foto: Divulgação

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