O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, não teria que assinar uma nova carta de descumprimento da meta de inflação mesmo se o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tivesse ficado fora do intervalo de tolerância no fim de 2025. A meta de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O IPCA encerrou 2025 em 4,26%, portanto, abaixo do teto da meta, de 4,5%.
Galípolo teria que assinar uma nova carta apenas se a inflação tivesse ficado fora da meta até o fim do primeiro trimestre de 2026. Esse é o período estabelecido pelo próprio Banco Central na carta que explicou o descumprimento da meta de inflação no período de janeiro a junho de 2025. Essa dinâmica está prevista no decreto da sistemática da meta contínua, que passou a vigorar em 2025.
Em uma carta de descumprimento da meta, como a publicada em julho, o BC deve definir um prazo para que a inflação entre no intervalo de tolerância e esse prazo foi o fim do primeiro trimestre de 2026. Como a inflação acumulada em 12 meses já ficou dentro do intervalo em novembro, assim como em dezembro, a inflação já retornou ao intervalo, antes mesmo do prazo final estabelecido pelo BC.
Com esse cenário, uma nova carta só será necessária se a inflação ficar novamente seis meses consecutivos fora da meta. Esse período não necessariamente precisa ser o primeiro ou o segundo semestre, mas sim quaisquer seis meses consecutivos. Pode ser o período de março e agosto de 2026, por exemplo.
No entanto, as projeções do Banco Central e as colhidas pelo relatório Focus mostram uma tendência de inflação dentro do intervalo de tolerância da meta para os próximos anos.
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