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Eleições nos EUA: Veja quais setores do Brasil podem ganhar ou perder com novo governo | Brasil

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 06/11/2024 às 05:45 · Atualizado há 21 horas
Eleições nos EUA: Veja quais setores do Brasil podem ganhar ou perder com novo governo | Brasil
Foto: Reprodução / Arquivo

Empresas brasileiras devem se preparar para uma possível mudança de cenários para seus negócios a depender do resultado das urnas nos EUA.

Uma vitória da candidata do Partido Democrata, Kamala Harris, pode abrir portas para mais importações americanas de produtos ligados à transição energética. Uma vitória do candidato do Partido Republicano, Donald Trump, tende a facilitar as aquisições de produtos de petróleo.

Petróleo já é o principal produto exportado pelo Brasil para o mercado americano.

Entre as várias divergências, os dois candidatos partilham de uma visão de que, de modo geral, a indústria dos EUA deve ampliar sua produção local – o que também indica uma possível mudança na dinâmica das importações do país.

“Setores nos EUA que são mais propensos a competirem de maneira desfavorável com a abertura ao comércio internacional deverão sofrer pouca mudança. Por exemplo, indústria de aço nos EUA. Kamala Harris ou Donald Trump vai mudar algo? Não”, diz o professor de relações internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo, Rodrigo Cezar.

Para ele, seja quem vença a eleição, os EUA não deverá adotar nenhuma política que torne mais fácil aos americanos importarem aço, produtos agrícolas como açúcar, suco de laranja, biocombustíveis e produtos têxteis.

“São setores que geram muitos empregos nos EUA e que tradicionalmente são beneficiados por políticas protecionistas. São setores que se forem expostos ao comércio internacional serão prejudicados nos EUA. Aço, por exemplo, do Brasil é mais barato, produtos agrícolas também.”

As exportações brasileiras para os EUA entre janeiro e setembro somaram US$ 29,4 bilhões, 10,3% a mais do que o registrado no mesmo período de 2023.

As vendas para os EUA representam 11,5% de todas as exportações brasileiras.

No topo da pauta das vendas para os americanos estão óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos (14%), produtos semi-acabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço (10%), aeronaves e outros equipamentos (5,6%), óleos combustíveis de petróleo (4,7%), ferro gusa (4,5%), celulose (4,3%), café não torrado (4,1%). Os outros itens representam menos de 4% da pauta de exportações.

Em relação às importações do Brasil de produtos fabricados nos EUA, o valor entre janeiro e setembro foi de US$ 30,6 bilhões, 6,2% a mais do que as importações entre janeiro e setembro de 2023.

Motores e máquinas não elétricas representaram 14% das importações, óleos combustíveis de petróleo, 9%; aeronaves e outros equipamentos, 5%; gás natural, 4,4%; demais produtos da indústria de transformação, 4,2%, polímeros de etileno, 4%. Outros itens importados representam menos de 4% compras feitas nos EUA.

Os números são do sistema oficial de estatísticas de comércio exterior do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Cezar vê mais chances de empresas brasileiras que investem em transição energética no caso de vitória de Kamala.

“Kamala provavelmente estará mais alinhada a uma agenda de governança ambiental internacional e, com isso, poderá acenar com mais parcerias com empresas do Brasil especializadas na produção verde, como hidrogénio verde e SAF (combustível sustentável de aviação)”, disse o professor.

Em outra direção, Trump defende mais estímulo à indústria do petróleo nos EUA.

“Minha percepção inicial é que as importações de petróleo por parte dos EUA com Trump no governo talvez até sejam estimuladas. Ele fala em estimular a produção doméstica de petróleo, mas também vai querer importar sem as barreiras das ações climáticas.”

Abrão Neto, CEO da Câmara Americana de Comércio para o Brasil afirma: “No caso de uma vitória democrata, espera-se a continuidade dos incentivos à economia verde e energias renováveis, áreas nas quais o Brasil possui vantagens. Em uma eventual administração republicana, essa ênfase tende a mudar, se deslocando para o prisma da segurança energética”.

Neto lembra que em termos de políticas específicas, Kamala e Trump têm falado sobre política industrial e sobre o fortalecimento da produção doméstica nos EUA.

“Esse é um consenso suprapartidário e será uma tônica forte do próximo governo, qualquer que seja a sua orientação”, diz.

O que pode ser outro consenso é o interesse americano – em um governo Kamala ou um governo Trump – em ampliar laços com Brasil e outros países para mais importações de minerais estratégicos, cruciais para a indústria da transição energética e novas tecnologias. O atual governo do presidente dos EUA, Joe Biden, já tem buscado estreitar contatos com empresas brasileiras de mineração e com órgãos de governo com vistas a contar com o Brasil como um maior fornecedor desses minerais. Hoje, os EUA dependem fortemente da China para acesso a esses recursos.

A avaliação da Câmara de Comércio é que a expectativa de aumento do comércio e dos investimentos bilaterais vai se manter, independentemente do resultado eleitoral.

Neto diz que essa tendência de aumento nas relações Brasil EUA beneficiaria exportações brasileiras de bens industriais, como aeronaves, aço, máquinas e equipamentos, entre outros produtos de média e alta intensidade tecnológica.

“Do lado dos investimentos, setores como tecnologia, data centers, minerais críticos, energias renováveis também tendem a continuar crescendo”, afirmou.

Ainda que seja um parceiro comercial crucial, os EUA têm um papel menos relevante do que o da China e o da União Europeia na corrente de comércio com o Brasil.

Enquanto a corrente de comércio Brasil-EUA foi de US$ 60,1 bilhões entre janeiro e setembro deste ano, a corrente Brasil-China foi de US$ 122,9 bilhões e com a União Europeia, de US$ 72 bilhões.


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