Consumidores de energia elétrica vão pagar R$ 103,6 bilhões neste ano para cobrir ineficiências e subsídios do setor elétrico, segundo dados do estudo "Índice Brasil do Custo da Energia", elaborado pela Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres, a Abrace Energia.
O mercado de energia elétrica deve movimentar R$ 395 bilhões em 2025. Desse total, 26% correspondem a subsídios e ineficiências, o equivalente a R$ 103,6 bilhões. Na prática, isso significa que, a cada R$ 100 pagos pelos consumidores, R$ 26 são destinados a esses custos. Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (10).
Do montante, R$ 44,4 bilhões se referem a subsídios pagos via Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo setorial que financia descontos a diferentes segmentos e políticas públicas, como o Tarifa Social. Nesse valor está incluída a parcela destinada a consumidores de geração distribuída (GD) que estão em fase de transição para pagar integralmente os encargos.
Outros R$ 59,2 bilhões decorrem de ineficiências, como perdas não técnicas (os chamados “gatos”), custos de iluminação pública, receitas irrecuperáveis, falhas em contratações de energia para o mercado regulado e tributos incidentes sobre essas distorções, que sozinhos somam R$ 21,4 bilhões.
Também está diluído nesse total o custo dos descontos concedidos a consumidores de geração distribuída que garantiram o benefício até 2045, antes da mudança nas regras do setor. Esses subsídios devem alcançar R$ 6,85 bilhões em 2025, mas ficam embutidos na parcela de distribuição das tarifas, diferentemente daqueles que estão em transição.
"Os encargos e os impostos são um problema, mas a gente não pode desviar o olhar de um problema interno, que são as ineficiências do setor. As políticas equivocadas de concentração de custos, de reserva de mercado, políticas de compra compulsória de fontes mais caras, que assustam a indústria e comprometem esse futuro", afirmou o presidente da associação, Paulo Pedrosa.
Além do crescimento dos subsídios para geração distribuída, Pedrosa ressalta que o segmento traz efeitos invisíveis e secundários para o setor, que não são imediatos, pelo montante de energia que vem sendo injetado nas redes nos horários de ponta.
"As hidrelétricas que não têm reservatórios estão jogando água fora para evitar que o sistema colapse por sobra de energia. E as eólicas e outros parques estão sendo cortados por conta da energia que entra da GD. Como entra num horário que tem muito sol, ela está afetando o preço-horário do setor elétrico. A energia está ficando mais barata na hora do sol e quando entra a térmica a energia fica mais cara. Isso está afetando outros geradores", disse.