O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI), admitiu uma crise provocada por divergências internas na direita e disse que a "falta de bom senso" dos atores do campo está contribuindo para o fortalecimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Cardeal do Centrão, Ciro vem trabalhando por uma candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e mira a vaga de vice na eventual chapa dele. Segundo o líder do PP, a oposição corre o risco de facilitar a reeleição de Lula se continuar dividida.
"Já está passando de todos os limites a falta de bom senso na direita, digo aqui a centro-direita, a própria direita e seu extremo", afirmou o senador, nesta sexta-feira no X. "Ou nos unificamos ou vamos jogar fora uma eleição ganha outra vez. Por mais que tenhamos divergências, não podemos ser cabo eleitoral de Lula, do PT e do Psol. Não podemos fazer isso com o Brasil", concluiu.
Como mostrou o Valor, líderes da oposição vêm reconhecendo uma desorganização no segmento, atribuída a fatores como as disputas por espaço que envolvem setores mais moderados e a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A indefinição sobre o futuro político do bolsonarismo, após a condenação do ex-presidente por tentativa de golpe de Estado, e a ofensiva coordenada nos Estados Unidos pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em busca de anistia para o pai, contribuíram para o racha.
Outro tema considerado prejudicial para a oposição foi o engajamento em peso da direita e do Centrão na aprovação da PEC da blindagem na Câmara dos Deputados. Após a proposta ser arquivada no Senado, Ciro Nogueira disse, em entrevista a jornalistas ontem, em Teresina, que o avanço do texto foi um erro e que não pode haver estímulo à impunidade de parlamentares envolvidos em corrupção.
"O Senado recebeu um recado das ruas. A população não queria isso. Eu acho que nós erramos. E eu sempre defendi que isso fosse só para os crimes de opinião, para que os deputados e senadores pudessem se manifestar na tribuna. [Para] crime de corrupção, não podemos ter o menor tipo de blindagem no país", afirmou o senador.
Na mesma ocasião, Ciro reiterou alinhamento a Bolsonaro para a eleição de 2026 e indicou que Tarcísio seria um substituto forte para o ex-presidente. O governador, contudo, repete que tentará a reeleição no Estado, o que aliados relacionam ao quadro de incerteza e aos ataques de Eduardo. O deputado e filho do ex-presidente diz ter a intenção de entrar na corrida ao Planalto mesmo sem o apoio explícito do pai.
"Não resta dúvida: hoje, o mais forte da oposição, com menor rejeição e capacidade de ganhar uma eleição com facilidade, é o Bolsonaro e o Tarcísio. Temos que respeitar a decisão do presidente Bolsonaro. Ele saberá o momento de anunciar seu caminho. Mas a pesquisa mostra que Tarcísio também seria um nome imbatível", afirmou Ciro.