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BYD projeta investimento de R$ 5,5 bilhões no país | BYD

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 06/11/2024 às 09:00 · Atualizado há 13 horas

A cada dez carros elétricos vendidos no Brasil, mais de sete são fabricados pela BYD. Uma das principais responsáveis pela popularização do segmento no país, a empresa colocou o mercado brasileiro no centro de sua estratégia de expansão internacional. O posicionamento inclui a construção de uma fábrica em Camaçari, na Bahia, que, no início de sua operação, deverá resultar na capacidade produtiva de mais de 150 mil veículos por ano.

Os detalhes desse planejamento foram compartilhados por Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil. Na entrevista a seguir, ele fala sobre os próximos passos da companhia e sobre os desafios e oportunidades na adoção de novas matrizes energéticas na indústria automotiva.

De maneira geral, como você avalia os esforços de descarbonização da indústria automotiva global?

Trata-se de um de um movimento que está diretamente ligado à crise climática que estamos enfrentando. Temos observado cada vez mais eventos extremos ao redor do mundo, com efeitos severos em todos os continentes. A indústria de transportes é responsável por mais de um quarto da emissão de poluentes do planeta e, por essa razão, o setor vem sendo convocado a assumir a sua responsabilidade. As consequências já são amplamente conhecidas. Neste momento, o mais importante é promover essa mudança de rota para fazer a transição de fontes poluidoras para a utilização de tecnologias de carbono neutro.

Como a BYD vem contribuindo para a evolução desse movimento no mercado brasileiro?

Acredito que promovemos uma aceleração muito expressiva nas discussões sobre a transição energética no setor automotivo. O mercado de carros elétricos era muito diferente antes da nossa chegada. Somos a empresa que mais comercializa veículos elétricos e híbridos no país, e o Song Plus é o modelo número um do segmento. Comprovamos que os brasileiros estão extremamente abertos a modelos eletrificados que apresentem tecnologias convergentes ao combate à crise climática e ao meio-ambiente. Somos movidos pela meta de reduzir a temperatura do planeta em 1ºC e toda a jornada que construímos é baseada nesse compromisso. Sob a perspectiva do consumidor, quando mostramos que o carro elétrico reduz em até cinco vezes os gastos com transportes de uma família, isso traz um apelo muito profundo para as mais diversas camadas da sociedade.

A colaboração entre governos e empresas do setor é um fator crucial para facilitar essa transição. Qual é a sua visão sobre a maturidade do ambiente de negócios nacional?

O governo criou um conjunto de políticas públicas que merece o devido reconhecimento. Temos um ambiente que incentiva diversas empresas a se unirem e buscarem tecnologias de maneira muito competitiva. O mercado muda a todo momento e,por essa razão, a colaboração entre diversos players do setor é fundamental para fazer a transição na velocidade em que precisamos. No caso do Brasil, as discussões precisam levar mais em conta a utilização da terra para a produção de combustíveis, especialmente tendo em vista que,atualmente, cerca de metade da emissão de poluentes hoje é oriunda do uso irregular de terras.

Quais são os próximos passos da estratégia de expansão no país?

A BYD elegeu o Brasil como o seu principal país estratégico de investimentos fora da China. Só nesse ano, lançamos praticamente um novo modelo a cada dois meses. Trata-se de algo nunca visto na indústria automotiva, e isso só é possível porque somos uma empresa de tecnologia, uma greentech alicerçada em tudo que é sustentável na indústria. Temos mais de cem mil engenheiros trabalhando em nossos centros de tecnologia, o que nos dá uma capacidade de desenvolver produtos como nenhuma outra companhia do setor. A partir dessa estrutura, queremos consolidar uma marca brasileira com forte operação local. Com a nova fábrica de Camaçari, teremos uma planta com capacidade produtiva de produção de 150 mil veículos em uma primeira fase e 300 mil em um segundo momento. Enxergamos um potencial enorme para continuar crescendo na região como um todo.

Quais segmentos estão no foco desses investimentos?

Estamos focados na verticalização da operação. Além da fábrica de Camaçari, nossa estratégia inclui iniciativas como uma planta de baterias em Manaus. Entendemos que projetos como esse serão cada vez mais essenciais para atender às novas demandas da rede de energia. O planejamento também contempla a produção de ônibus e caminhões leves, médios e pesados. Trata-se de um posicionamento que permeia todas as pontas da indústria. A previsão inicial era de um investimento de R$ 5,5 bilhões, mas certamente vamos chegar a um valor muito maior.

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