O Merval - índice de ações de referência da Argentina – opera em alta de mais de 4% nesta terça-feira, após o governo revelar detalhes sobre um amplo pacote de medidas econômicas destinadas a aumentar as reservas cambiais esgotadas do país.
As medidas incluem um acordo de recompra planejado, ou repo, de até US$ 2 bilhões direcionado a bancos estrangeiros. Os títulos internacionais em dólar da Argentina também subiram, com o preço da emissão de 2038 subindo 1,25 centavo, para 71,5 centavos de dólar.
Os spreads da Argentina em relação à dívida americana comparável estão próximos de 700 pontos-base, cerca de metade de onde estavam há um ano. As novas medidas incluíram a restrição à emissão monetária, a flexibilização das regras para a compra de moeda estrangeira em troca de títulos denominados em pesos, bem como um empréstimo repo de US$ 2 bilhões para fortalecer as reservas internacionais do banco central. Isso é fundamental para um programa de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI), seu principal credor.
A Argentina, maior devedora do FMI, precisa acumular reservas como parte das revisões relacionadas aos desembolsos do acordo, mas tem enfrentado dificuldades para fazê-lo. “Conversamos constantemente com o Fundo, e eles estão muito satisfeitos com o funcionamento do programa. É uma meta (de reservas) que pretendemos atingir”, disse o ministro da Economia, Luis Caputo, nesta terça-feira, acrescentando que o governo, no entanto, manterá sua promessa de não comprar dólares nos mercados cambiais locais, a menos que o peso local se valorize. “As reservas podem ser acumuladas de diferentes maneiras.”
O acordo de recompra e outros devem ajudar a trazer moeda estrangeira, pelo menos no curto prazo. “As medidas buscam fortalecer as reservas internacionais”, afirmou o BancTrust & Co em um relatório. “Ao mesmo tempo, essas medidas de acumulação de reservas foram acompanhadas por ajustes específicos na estrutura da política monetária, com o objetivo de fortalecer os esforços desinflacionários.”
O presidente da Argentina, Javier Milei, está sacudindo a economia com reformas drásticas e cortes de custos, o que ajudou o país a emergir de anos de crise, com inflação anual próxima a 300%, pobreza acima de 50% e uma recessão dolorosa.
O vice-ministro da Economia, José Luis Daza, acrescentou que o governo superou as expectativas ao reverter anos de déficits fiscais e registrar superávits orçamentários regulares, e que isso ajudaria a reabrir as portas para os mercados globais de capitais. “O acordo com o Fundo incluiu acesso aos mercados globais no próximo ano. Dada a forma como o programa econômico está sendo implementado e evoluindo, vemos a possibilidade de retomar o acesso aos mercados internacionais mais rapidamente”, acrescentou.
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