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Regicídio animal: essa formiga parasita faz operárias matarem a própria rainha

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 20/11/2025 às 10:00 · Atualizado há 22 horas
Regicídio animal: essa formiga parasita faz operárias matarem a própria rainha
Foto: Reprodução / Arquivo

Formigas têm sistemas sociais rígidos: as operárias são tão devotadas e submissas às suas rainhas que rebeliões internas parecem impensáveis. Mas uma novidade pesquisa revelou uma faceta dramática destes animais, digna de tragédias gregas: em certas espécies do gênero Lasius, rainhas parasitas conseguem invadir colônias de outras espécies e convencer as operárias a assassinarem a própria mãe. Depois, a impostora assume o comando da sociedade.

A invenção, que os pesquisadores descrevem porquê “chocante” e “quase trágica”, veio à tona graças a um hobby inusitado. 

O nipónico Taku Shimada não é investigador de formação. É um entusiasta de formigas, que passou anos observando, criando e aprendendo sobre esses insetos. O apreciador tem até um blog devotado a elas. Pesquisadores de formigas o conhecem por motivo das suas fotografias e seus esforços de viajar pelo mundo em procura de espécies raras.

Alguns anos detrás, em uma região montanhosa do Japão, Shimada encontrou uma rainha de Lasius orientalis, uma espécie sevandija conhecida por assumir colônias alheias – embora os cientistas não saibam muito porquê ela faz isso.

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Foi aí que ele teve a teoria de conquistar e levar a invasora para vivenda e colocá-la em uma colônia de Lasius flavus que mantinha em sua mesa de jantar. Shimada introduziu a rainha Lasius orientalis e filmou o que aconteceu portanto, a termo de entender porquê ocorre a tomada de poder.

O vídeo mostra o momento em que as operárias da colônia, normalmente ferozmente protetoras de sua rainha e mãe, voltaram-se contra sua rainha legítima e a mataram. De alguma forma, a novidade rainha, que tinha sido recém-introduzida, havia conseguido convencê-las a cometer regicídio.

“Fiquei muito surpreso e entusiasmado”, escreveu Shimada em um e-mail para o New York Times. “Nunca imaginei que as filhas pudessem lutar a própria mãe.”

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Três anos depois das gravações de Shimada, Keizo Takasuka, ecólogo comportamental da Universidade de Kyushu, encontrou as imagens. Intrigado – e “sem palavras”, segundo ele – Takasuka passou a investigar o mesmo fenômeno também em outra espécie sevandija, Lasius umbratus, conhecida por se infiltrar em colônias de L. japonicus. Em ambos os casos, as invasoras recorriam a um golpe de Estado refinado. A invenção foi publicada no periódico Current Biology.

Primeiro, as parasitas camuflavam-se com o odor químico da colônia hospedeira, evitando ser detectadas porquê intrusas. Depois, ao localizar a rainha residente, lançavam sobre ela jatos de um fluido abdominal – provavelmente rico em ácido fórmico – capaz de neutralizar seu cheiro oriundo. Do ponto de vista químico, a transformação é imediata: para as operárias, sua mãe agora exala o odor de uma inimiga estrangeira.

Enquanto recuam para longe da confusão, as parasitas deixam que as próprias operárias executem o ataque irremissível. Com a rainha morta, a intrusa reassume o meio do poder, põe seus ovos e conduz a colônia até que todas as trabalhadoras originais tenham morrido, substituindo assim a espécie.

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Rainhas parasitas, quando optam por matar suas rivais com as próprias mandíbulas, correm o risco de atrair a fúria das operárias defensoras. Manipular as filhas da vítima é uma solução muito mais segura – e maquiavélica. 

O matricídio raramente aparece no reino bicho, e, nas raras vezes em que ocorre, costuma oferecer alguma vantagem evolutiva direta aos descendentes. Cá, porém, o único favor é conferido à rainha sevandija, que evita os riscos e a força necessários para fundar um novo ninho.

As descobertas levantam novas perguntas sobre as sociedades de insetos e sugerem que, mesmo em sistemas que parecem tão estáveis quanto uma colônia de formigas, a semblante de ordem pode ocultar estratégias de usurpação elaboradas — e dignas das tragédias gregas.

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