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O papel estratégico da nova vacina Butantan-DV, primeira do mundo em dose única contra a dengue

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 06/12/2025 às 08:00 · Atualizado há 47 minutos
O papel estratégico da nova vacina Butantan-DV, primeira do mundo em dose única contra a dengue
Foto: Reprodução / Arquivo

André Ricardo Ribas Freitas é Doutor em Epidemiologia, em Arboviroses e Professor de Epidemiologia e Bioestatística na Faculdade de Medicina São Leopoldo Mandic. O texto a seguir foi originalmente publicado no site The Conversation, que reúne artigos escritos por pesquisadores. Vale a visitante. 

Aprovada no último dia 26 de novembro pela Anvisa para ser utilizada na população brasileira de 12 a 59 anos, a vacina Butantan-DV é o primeiro imunizante contra dengue em ração única do mundo. A notícia é muito auspiciosa, uma vez que a dengue permanece uma vez que a arbovirose mais frequente no planeta, e uma das que mais pressionam o sistema de saúde brasiliano.

O Brasil já convive com ciclos intensos de dengue há décadas. Eles são agravados pela circulação alternada e simultânea dos quatro sorotipos do vírus originador dessa febre (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4). Essa alternância cria condições para a ocorrência de epidemias maiores, com picos intensos e risco saliente de formas graves em razão da maior prevalência de segundas infecções.

Dados do Ministério da Saúde indicam que, até novembro de 2025, foram contabilizados 1,6 milhão de casos prováveis de dengue. São Paulo é o estado mais afetado tanto em número totalidade uma vez que proporcionalmente ao tamanho da população. No Brasil, os óbitos já somam 1,6 milénio em 2025, e registram uma redução de 72% em conferência com 2024.

Esse comportamento viral, associado à potente presença do mosquito Aedes aegypti — o principal vetor da doença — nas áreas urbanas, ajuda a entender por que a dengue segue uma vez que um problema estrutural para o país. Nesse contexto, o pregão recente da aprovação, pela Sucursal Pátrio de Vigilância Sanitária (Anvisa), de uma novidade vacina contra a dengue desenvolvida no Brasil pelo Instituto Butantan representa um progresso concreto.

A Butantan-DV utiliza tecnologia de vírus vivo minorado, já amplamente validada em imunizantes contra outros patógenos, uma vez que sarampo, caxumba e rubéola, febre amarela e rotavírus.

Os vírus atenuados usados em vacinas passam por processos laboratoriais que os impedem de provocar doenças. Porém, em contato com o organização, conseguem estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos e ativar células de resguardo. Esse reconhecimento prévio permite uma resposta rápida caso a pessoa seja exposta a estes ao vírus, reduzindo de forma significativa o risco de infecção e de quadros graves.

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Quanto ao perfil de segurança, os efeitos adversos mais comuns da Butantan-DV foram leves a moderados — uma vez que cefaleia, fadiga e exantema (manchas vermelhas na pele). Eventos graves foram raros e consistentes com o que já se conhece do uso de vacinas de vírus vivo minorado.

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Diante desses resultados, a Anvisa concluiu que o risco-benefício é favorável, considerando a elevada trouxa da dengue no país. A dependência reguladora prevê ainda o séquito contínuo da segurança e eficiência ao longo dos próximos anos, uma vez que ocorre com qualquer imunizante novo introduzido em larga graduação.

Décadas de pesquisa

A Butantan-DV é resultado de pesquisas iniciadas em 2009, quando o país ultrapassou 1 milhão de casos prováveis da doença. A partir de uma colaboração com os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos, que cederam as quatro cepas atenuadas do vírus, o Instituto Butantan desenvolveu sua própria formulação posteriormente centenas de experimentos.

Os ensaios clínicos avançaram da período 1, conduzida pelo NIH com 113 voluntários e imunogenicidade inicial de 90%, para a período 2 brasileira, que reuniu 300 adultos e confirmou segurança e resposta imune robustas em exclusivamente uma ração.

O passo decisivo ocorreu a partir de 2016, com a período 3. Foi um dos maiores estudos clínicos já feitos no país, envolvendo 16 milénio voluntários de 2 a 59 anos em 16 centros de pesquisa. Depois cinco anos de séquito, os resultados mostraram eficiência universal de 74,7% em adolescentes e adultos e proteção de 91,6% contra formas graves.

Ao menos três características explicam por que leste imunizante representa um progresso importante. Enquanto a vacina atualmente disponível, a QDENGA (Takeda), é dada em duas doses, a Butantan-DV deve ser aplicada em ração única, o que torna a estratégia de vacinação mais simples, com maior potencial de cobertura. A ração única simplifica campanhas, melhora a adesão e permite respostas rápidas em momentos de surto ou em localidades com chegada irregular a serviços de saúde.

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Aliás, a Butantan-DV apresentou maior eficiência para casos sintomáticos e graves. Nos estudos, a vacina demonstrou boa capacidade de prevenir dengue sintomática — incluindo quadros graves que exigem hospitalização, reduzindo a pressão sobre unidades de emergência. A Butantan-DV também é segura para pessoas que não tiveram exposição anterior ao vírus da dengue.

Ao não exigir infecção prévia, o imunizante supera a restrição apresentada pela vacina Dengvaxia (em três doses, da Sanofi-Pasteur), que era indicada somente a quem já havia sido infectado por dengue antes, e reposiciona a vacinação uma vez que medida populacional, não exclusivamente individual.

Outro ponto relevante é a produção pátrio do imunizante: a transferência de tecnologia para o Instituto Butantan para ampliar a produção procura prometer a fabricação em larga graduação, fortalecendo a autonomia sanitária do país e reduzindo sujeição de importações em momentos críticos.

É importante ter transparência de que a vacinação não interromperá a transmissão sozinha. As arboviroses são transmitidas por vetores e influenciadas por fatores ambientais — densidade de mosquitos, chuva, temperatura e condições urbanas.

Mesmo uma subida cobertura vacinal não eliminaria totalmente a circulação viral. A indicação para a tira etária de 12 a 59 anos também limita o impacto populacional sumo. Mas isso não diminui sua prestígio: o objetivo mediano é reduzir casos, internações e mortes, o que é um proveito direto para a saúde pública.

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A disseminação das arboviroses

As arboviroses não se limitam à dengue. Elas são doenças causadas por vírus transmitidos principalmente por insetos hematófagos (se alimntam de sangue). Entre os vetores mais relevantes estão o Aedes aegypti e o Aedes albopictus, transmissores de dengue, chikungunya e Zika; o Culicoides paraenses (sabido uma vez que maruim ou mosquito porva) e o Culex quinquefasciatus (pernilongo generalidade), envolvidos na transmissão do vírus Oropouche. O pernilongo generalidade também pode transmitir o vírus West Nile.

Nos últimos anos, vários desses vírus passaram a ocorrer em novas regiões do Brasil e das Américas, deixando de se concentrar exclusivamente nos territórios historicamente afetados. O vírus Oropouche, antes restrito à Amazônia, hoje provoca surtos importantes nas regiões Setentrião, Nordeste, Núcleo-Oeste, Sudeste e Sul. O vírus West Nile também avança silenciosamente e foi identificado em aves, equinos e humanos em diferentes estados, mostrando capacidade de se estabelecer em áreas onde antes não havia registro e exigindo vigilância ampliada.

Já o vírus chikungunya, transmitido pelos mesmos mosquitos da dengue, desculpa epidemias intensas com muitas formas graves e fatais, uma vez que a registrada leste ano em Cuiabá (MT). Outras complicações importantes desse vírus são os sintomas prolongados, com grande impacto social e médico.

O vírus da febre amarela, por sua vez, retornou a áreas de Mata Atlântica cuja população não está devidamente vacinada, provocando grande número de mortes e risco de urbanização, uma vez que observado recentemente no Estado de São Paulo. Esse conjunto de mudanças deixa evidente que o planta das arboviroses está se transformando com rapidez — e que a preocupação sobre os serviços de saúde tende a aumentar.

Nesse envolvente em transformação, a novidade vacina cumpre um papel subitâneo: reduzir secção da trouxa de doença que recai sobre o sistema de saúde, aliviando emergências e liberando capacidade para enfrentar outras ameaças virais.

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O enfrentamento das arboviroses exige estratégias combinadas: vacinação, controle vetorial contínuo, vigilância epidemiológica sensível, gestão urbana que reduza criadouros, informação clara e vigilância epidemiólogica capaz de detectar rapidamente mudanças no padrão de circulação viral, além de uma assistência médica adequada. A novidade vacina não substitui essas ações, mas as complementa de forma decisiva, adicionando uma categoria de proteção que o país não possuía em grande graduação.

Sua chegada não encerra o problema da dengue e das outras arboviroses, mas inaugura uma período em que a prevenção é finalmente viável de maneira ampla, amparada por produção pátrio e evidências sólidas. Em um cenário de múltiplas arboviroses em expansão, essa é uma conquista da ciência brasileira a ser celebrada e um progresso epidemiológico profundamente necessário.

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