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O mistério de Teotihuacan: quem eram os habitantes desta metrópole pré-colombiana?

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 23/11/2025 às 20:13 · Atualizado há 14 horas
O mistério de Teotihuacan: quem eram os habitantes desta metrópole pré-colombiana?
Foto: Reprodução / Arquivo

Por meio milênio – entre os séculos 1 d.C. e 5 d.C. –, a cidade-Estado de Teotihuacan dominou grande segmento do que hoje é o México Meão. Essa cultura é conhecida pelas imponentes pirâmides do Sol e da Lua, no sítio arqueológico hoje próximo à cidade do México, construídas muitos séculos antes dos astecas chegarem à região.

Apesar de muito poderosa, chegando a acoitar mais de 125 milénio pessoas no seu auge e a influenciar politicamente e culturalmente as cidades-Estados maias localizadas ao sul, Teotihuacan ainda é relativamente misteriosa – principalmente porque os arqueólogos nunca conseguiram desvendar os glifos deixados por eles. Não se sabe até hoje, por exemplo, a qual grupo linguístico e étnico os habitantes da metrópole pertenciam ou qual linguagem falavam.

Agora, um novo estudo traz novas pistas sobre esse misterioso povo. Em um item publicado na revista Current Anthropology, dois pesquisadores propõem que a língua de Teotihuacan é uma antiga língua Uto-asteca, que, muitos séculos mais tarde, daria origem a várias outras línguas – incluindo o linguagem náuatle (ou nahuatl), falado pelos astecas.

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O mistério

Teotihuacan começou a se formar no século 1 a.C., atingiu seu auge no século 5 d.C. e foi completamente abandonada por volta do ano 750 d.C. Muitos séculos mais tarde, por volta de 1300, os astecas chegaram na região e fundaram uma novidade cultura próxima à cidade abandonada. Hoje, suas ruínas são um ponto turístico famoso no México. 

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Os teotihuacanos deixaram vários símbolos marcados em murais e cerâmicas, mas não há consenso entre os pesquisadores se esses desenhos constituem, de veste, uma linguagem escrita. Se for realmente um código verosímil de ser decifrável, aprender a lê-lo forneceria muitas novas informações sobre esse povo.

Para tentar ler os glifos, os pesquisadores Magnus Pharao Hansen e Christophe Helmke, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, reconstruíram uma verosímil língua uto-asteca que seria falada na idade de Teotihuacan com base nas suas descendentes mais jovens, porquê o linguagem asteca e o huichol, outra língua indígena do México. Assim, criaram uma árvore genealógica dessa família linguística para tentar entender porquê essa língua antepassado teórica se pareceria.

Trata-se de um pontapé: não se sabe com certeza se os teotihuacanos são ancestrais dos astecas e de seus primos, mas essa é uma possibilidade.

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Com base nessa tradução, a dupla propôs novos significados para vários dos símbolos encontrados, porquê “pedra”, “serra” e “amarelo”.

Exemplos de glifos encontrados em Teotihuacan. (Christophe Helmke / University of Copenhagen/Reprodução)

Os cientistas defendem que essa linguagem reconstruída seja usada para tentar ler os hieróglifos teotihuacanos. Eles ainda não desvendaram o significado do texto – longe disso – mas afirmam que a abordagem começa a dar frutos e pode ser um caminho para novos estudos.

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Uma das maiores dificuldades é que há poucos registros de Teotihuacan – murado de 300 –, enquanto línguas de outros povos mesoamericanos porquê o maia e o nahuatl aparecem em milhares de textos, o que ajudou a ciência a traduzi-las.

“Se estivermos certos, não significa só que deciframos um sistema de escrita. O resultado pode ter implicações para todo o nosso entendimento sobre culturas mesoamericanas e, simples, solucionar o mistério sobre os habitantes de Teotihuacan”, diz Christophe Helmke.

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