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Entenda as consequências socioambientais das modas gastronômicas

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 20/10/2025 às 19:00 · Atualizado há 2 dias
Entenda as consequências socioambientais das modas gastronômicas
Foto: Reprodução / Arquivo

Nos últimos anos, o universo gastronômico tem sido movido por modas que vão muito além do sabor. Ingredientes como pistache, matcha e quinoa ganharam status de luxo e saúde, mas por trás do glamour e da promessa de bem-estar, escondem-se impactos ambientais e sociais profundos.

O chocolate de Dubai é o símbolo mais recente dessa sofisticação alimentar. Com recheio de creme de pistache e fios crocantes de kadayif, a barra pode custar até R$ 300. Desde que se tornou um objeto de desejo mundial, a demanda por pistaches explodiu. Em 2024, as importações da União Europeia cresceram mais de um terço, ultrapassando a marca de 1 bilhão de euros.

O motivo pelo qual essas trends acontecem e a psicologia por trás das modas gastronômicas, a Super já explicou aqui. Mas, depois que essas febres pegam, o que acontece com o local em que os alimentos são cultivados?

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Esse boom de comidas na moda tem transformado paisagens agrícolas. Na Espanha, principal produtora europeia de pistache, as áreas de cultivo quintuplicaram desde 2017. 

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Embora o pistache seja considerado uma alternativa adaptável às mudanças climáticas, sua produção exige enorme consumo de água – mais de 10 mil litros por quilo – agravando a escassez hídrica em regiões áridas. Em comparação, são necessários em média pouco menos de 2.800 litros para produzir um quilo de amendoim – e quase 90% da água necessária vem da chuva. 

Além disso, o cultivo intensivo em monoculturas aumenta o uso de fertilizantes e pesticidas, sem contar na degradação do solo, o esgotamento de nutrientes da terra, o desmatamento para abrir novas áreas de plantio e a vulnerabilidade a pragas e doenças específicas.

Outro exemplo vem do Japão, onde o matcha – um chá verde em pó fino tradicionalmente usado em cerimônias do chá – atravessou as barreiras orientais e se popularizou rapidamente entre os jovens do ocidente como um “superalimento”.

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O chá já faz parte de receitas de bolo, nhoque e crepioca. Recentemente, o vício pelas bebidas e o consumo excessivo do pozinho verde foi indicado como um possível responsável por diagnósticos de deficiência de ferro no organismo. 

De acordo com a Associação Alemã de Chá, mais de 240 toneladas de matcha foram entregues somente na Alemanha entre janeiro e agosto de 2024 – um aumento de 240% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Com isso, os produtores japoneses enfrentam escassez do produto, e os consumidores locais, que mantêm o uso cultural do matcha, sofrem com a falta e o aumento de preços.

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O caso da quinoa segue a mesma lógica. Originária dos Andes, foi promovida pela ONU em 2013 como símbolo de segurança alimentar. 

Também transformada em “superalimento” ocidental, a demanda internacional fez os preços dispararem em Peru e Bolívia, tornando o alimento básico inacessível para as populações locais. Além disso, a pressão por produtividade levou ao uso excessivo de fertilizantes e à erosão do solo, comprometendo ecossistemas inteiros.


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