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Análise de DNA revela linhagem desconhecida que viveu na Argentina por 8.500 anos

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 14/11/2025 às 08:00 · Atualizado há 3 dias
Análise de DNA revela linhagem desconhecida que viveu na Argentina por 8.500 anos
Foto: Reprodução / Arquivo

Um novo estudo revelou que uma população indígena até logo não documentada habitou a região médio da Argentina por murado de 8.500 anos, passando por mudanças ambientais e culturais sem grandes trocas genéticas com grupos vizinhos.

O trabalho, publicado na revista Nature, analisou o DNA de 238 pessoas que viveram na Argentina nos últimos dez milênios. Trata-se da maior cobertura temporal e espacial já produzida em uma pesquisa envolvendo a região do Cone Sul. 

A equipe, formada por cientistas argentinos e da Universidade Harvard, buscava preencher justamente a carência de dados do meio do país. Outras regiões da América do Sul, porquê os Andes centrais, Amazônia e Patagônia já tinham sido amplamente mapeadas.

“A Argentina médio é uma grande dimensão que não foi pesquisada e estava sub-representada”, disse Rodrigo Nores, geneticista do Parecer Pátrio de Pesquisa Científica e Técnica da Argentina (CONICET) e coautor do item, à Science. “Nossa grande questão era: dada a sua localização no meio dessas três populações, as pessoas que ali viviam eram ou não uma mistura dessas ancestralidades?”

A investigação começou em 2017, com a estudo de 29 dentes arqueológicos da província de Córdoba obtidos em décadas de escavações. Nos anos seguintes, o trabalho se expandiu: mais de 30 arqueólogos de 20 instituições cederam amostras, resultando em 344 fragmentos ósseos ou dentários de 310 indivíduos distribuídos por 133 sítios arqueológicos.

Posteriormente o sequenciamento e a filtragem dos dados, surgiram padrões inesperados. Um tipo de murado de 8.500 anos, encontrado na região de Jesús María (Córdoba), apresentou um conjunto de variantes genéticas nunca visto entre os povos antigos já estudados.

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Essa pessoa tornou-se o marco inicial da linhagem recém-identificada, que aparece repetidamente nos indivíduos datados entre 4.600 e 150 anos detrás. A estudo revela que a ancestralidade desse grupo não desapareceu completamente: ela ainda pode ser identificada em segmento da população atual do meio da Argentina.

A persistência é a propriedade mais notável dessa linhagem. Em outras regiões do mundo, grandes mudanças na economia, na tecnologia ou no clima costumam ser acompanhadas de migrações e substituições populacionais, que ficam marcadas no DNA. No meio da Argentina, porém, a história é outra.

Mesmo eventos drásticos, porquê secas extremas entre 6.000 e 4.000 anos detrás ou o surgimento da horticultura e da cultivação incipiente há murado de 1.500 anos, não alteraram de forma mensurável a formação genética regional.

Esse isolamento também labareda atenção porque não existiam barreiras geográficas expressivas (porquê montanhas) que limitassem deslocamentos ou bloqueassem migrações. Ainda assim, os indivíduos dessa linhagem permaneceram por milhares de anos relativamente isolados dos grupos vizinhos.

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O DNA revela que, entre 8.000 e 5.000 anos detrás, conviviam no Cone Sul três grandes linhagens: a recém-identificada no meio da Argentina; outra ligada à região de Puna e aos Andes; e uma terceira associada aos Pampas e à Patagônia. Com o tempo, exclusivamente a linhagem médio permaneceu de forma contínua nessa região, enquanto as outras passaram a romper sobretudo nas extremidades do território.

Esse padrão contradiz interpretações baseadas exclusivamente na cultura material. A presença, há murado de 1.300 anos, de cerâmicas e estilos atribuídos a povos amazônicos havia sido vista porquê evidência de transmigração. O novo levantamento genético, porém, não detecta ingressão significativa de grupos amazônicos no meio prateado.

Outro ponto importante é o descompasso entre genética e cultura. Mesmo com a grande multiplicidade de línguas registrada na região no período pré-colonial, essa variação não corresponde a linhagens genéticas diferentes. Segundo os autores, populações com a mesma ancestralidade podiam falar idiomas distintos e adotar práticas culturais variadas, sem que isso implicasse a chegada de novos povos.

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E porquê era essa população?

A linhagem identificada habitou ambientes variados: serras, planícies abertas, áreas úmidas associadas à Laguna Mar Chiquita e trechos do vale do rio Dulce. As evidências arqueológicas mostram populações que, ao longo dos milênios, adotaram diferentes estratégias de sobrevivência: caça e coleta, horticultura, aproveitamento de recursos fluviais e, em alguns locais, práticas semissedentárias.

Por volta de 1500 anos detrás, grupos das serras de Córdoba passaram a cultivar pequenas plantações. Mesmo assim, o DNA indica que eram descendentes diretos da linhagem detectada em Jesús María – um exemplo de transformação cultural sem substituição biológica.

“Nesta região, há uma multiplicidade de línguas e de mudanças culturais, e observamos interações com outros grupos nas evidências arqueológicas. Mas a população é a mesma”, explicou Nores.

Apesar da perenidade, houve contatos esporádicos com grupos vizinhos que deixaram marcas discretas no registro genético. Segmento da ancestralidade médio alcançou o noroeste do país, onde se combinou a populações dos vales andinos ligadas ao componente genético dos Andes centrais.

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Outro movimento ocorreu em direção aos Pampas: a partir de murado de 3.300 anos detrás, a linhagem do meio avançou para o sul e gradualmente passou a predominar nessa região, sobretudo no último milênio. No Gran Chaco, o cenário foi dissemelhante, com sinais de mistura entre essa população médio e grupos amazônicos ou de floresta tropical, processo mais evidente posteriormente aproximadamente 800 anos detrás.

No entanto, nenhum desses fluxos alterou substancialmente o núcleo populacional do meio prateado, que permaneceu sobremodo sólido.

Também há pistas sobre os povos que primeiro chegaram ao Cone Sul. A equipe analisou o genoma de uma mulher que viveu há 10.000 anos na região dos Pampas.

Ela compartilhava mais semelhanças com grupos antigos do Cone Sul do que com povos mais ao setentrião, o que reforça a teoria de uma expansão rápida pelo continente seguida de longos períodos de isolamento regional.

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A invenção reforça que a história populacional da América do Sul não replica padrões observados em outras partes do mundo. Segundo transmitido do CONICET, “a permanência prolongada de grupos humanos nos mesmos territórios durante milênios” pode ser uma propriedade própria do subcontinente, contrastando com regiões onde deslocamentos populacionais foram mais frequentes.

Essa peroração também impõe cautela ao correlacionar cultura ampla e diretamente com genética. Línguas distintas coexistiram no meio da Argentina até a chegada europeia, mas nenhuma delas indica divisões biológicas profundas.

E, embora o levantamento seja o mais completo já realizado para o meio da Argentina, os cientistas reconhecem que há lacunas importantes nos dados, sobretudo entre 8.000 e 4.000 anos detrás e em regiões porquê Pampas, Gran Chaco e Pantanal.

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