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Veja a lista dos 21 bairros onde o tráfico mais mata no ES

21 bairros da Grande Vitória lideram número de mortes causadas pelo tráfico de drogas.

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 06/01/2026 às 04:26 · Atualizado há 5 dias
Veja a lista dos 21 bairros onde o tráfico mais mata no ES
Foto: Reprodução / Arquivo

21 bairros da Grande Vitória lideram número de mortes causadas pelo tráfico de drogas.

Grande parte das mortes tem relação direta com a guerra entre facções pelo domínio dos pontos de venda de drogas.

Além de se repetirem nos mesmos territórios, os crimes se acumulam em determinados meses, quando os confrontos aumentam e a polícia passa a reforçar as ações.

A presença do tráfico muda a rotina de comunidades inteiras. Em alguns locais, famílias deixaram suas casas para escapar da violência.

Veja quais são os 30 bairros onde o tráfico de drogas mais mata na Grande Vitória

Os bairros onde o tráfico mais mata pessoas na Grande Vitória continuam os mesmos nos últimos cinco anos. Grande parte das mortes tem relação direta com a guerra entre facções pelo domínio dos pontos de vendas de drogas.

Além de se repetirem nos mesmos territórios, os crimes se acumulam em determinados meses, quando os confrontos aumentam, e a polícia passa a reforçar as ações e operações.

A presença do tráfico muda a rotina de comunidades inteiras. Em alguns locais, famílias deixaram suas casas para escapar da violência. Os dados são de um levantamento feito com a Secretaria de Segurança Pública (Sesp).

Infelizmente, eu tive que abandonar a minha casa, tá abandonada até hoje. Por um período, o tráfico tomou conta

— disse um morador da Serra que não quis se identificar. Ele mora em um dos bairros que estão na lista dos que mais registram homicídios.

Veja lista dos bairros com mais mortes na Grande Vitória, Espírito Santo — Foto: TV Gazeta

Já para aqueles que permanecem nos bairros, a vida segue sob tensão diária.

O que mais me preocupa são as crianças, porque a qualquer momento pode acontecer um tiroteio. Esses dias mesmo mataram um prazer justamente na hora em que os meninos estavam saindo da escola. Estamos indo trabalhar com medo, as crianças vão para a escola assustada, tudo ficou muito mais intenso e assustador

— disse outra moradora.

Os números da pesquisa indicam que os 30 bairros com mais homicídios entre 2020 e 2024 continuam sendo praticamente os mesmos ao longo desses anos. Veja abaixo as áreas mais críticas:

Bairros de Vitória com mais homicídios entre 2020 e 2024. Espírito Santo — Foto: Arte/g1

Bairros de Cariacica com mais homicídios entre 2020 e 2024. Espírito Santo — Foto: Arte/g1

Bairros da Serra com mais homicídios entre 2020 e 2024. Espírito Santo — Foto: Arte/g1

Bairros de Vila Velha com mais homicídios entre 2020 e 2024. Espírito Santo — Foto: Arte/g1

Segundo o especialista em Segurança Pública Rusley Medeiros, doutorando da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a repetição dos mesmos cenários de violência está diretamente associada à disputa de territórios entre facções.

Isso acontece justamente pela guerra das facções e a guerra pelo território, pelos pontos mais interessantes, lucrativos. Em razão disso, começam os conflitos e as mortes violentas. Traficantes começam a retribuir ali os ataques dos rivais. Há esse 'boom', esse aumento expressivo, aí o estado vem com uma operação pontual. Mas quando a força de segurança sai, voltam as questões de busca das facções nesses espaços

— avaliou o especialista.

De janeiro a outubro deste ano, Vila Velha foi o único município do estado com mais de 100 assassinatos. Foram 107 registros no período. Na sequência, aparecem:

O subsecretário de Integração Institucional da Sesp, tenente-coronel Márcio Celante, afirmou que o enfrentamento aos confrontos é constante.

A Polícia Militar realmente tem conhecimento dessas regiões. Temos feito um enfrentamento muito direcionado para essas áreas. Grande operações foram feitas, todos os meses temos cumprido mandados de prisão em parceria com a Polícia Civil para reajustar essa realidade

Bairros com mais mortes na Grande Vitória continuam os mesmos após cinco anos — Foto: TV Gazeta

O subsecretário reforçou que dois grupos criminosos rivais - o Terceiro Comando Puro (TCP) e o Primeiro Comando de Vitória (PCV) - são os responsáveis pelo acirramento da disputa.

Temos o PCV e o TCP, duas facções que fazem esse confronto armado por busca de território para tomar o comando por tráfico de drogas. Nós conseguimos identificar, rastrear e acompanhar o movimento dessas facções. Não deixamos essa atuação crescer no Espírito Santo, diferentemente do que a gente viu acontecer em outros estados, como, por exemplo, o Rio de Janeiro

— disse.

A guerra do tráfico em Ulisses Guimarães, em Vila Velha, por exemplo, expulsou moradores de suas casas. Um deles contou que precisou abandonar tudo após ser ameaçado.

O traficante rival chega e acha que o morador é obrigado a dizer quem é quem, que é obrigado a falar para eles. Se você resistir, eles te dão o primeiro, o segundo recado, igual na minha casa. A minha casa foi fuzilada, tem mais de 300 tiros. Minha casa está abandonada hoje e eu não tenho condições de restaurar e voltar a morar. Enquanto isso, eu tô gastando dinheiro, pagando aluguel

— falou.

Bairros com mais mortes na Grande Vitória continuam os mesmos após cinco anos — Foto: TV Gazeta

A Grande Santa Rita, em Vila Velha, é uma das regiões mais violentas há cinco anos e registrou conflitos intensos em 2024.

No meio da disputa, moradores que nada tinham a ver com o tráfico morreram. Em julho, o técnico da EDP Luciano de Souza foi baleado enquanto trabalhava. O tiro veio de um confronto entre criminosos em Zumbi dos Palmares.

Um mês depois, duas vítimas foram mortas no bairro Primeiro de Maio, a adolescente Sophia Vial da Silva, de 15 anos, e a manicure Andrezza Conceição.

A polícia apontou que um dos responsáveis por ataques na região é um traficante conhecido como Nego Stanley, que segue foragido.

Nós tivemos este ano um enfrentamento muito complicado, onde um criminoso saiu de uma facção, ingressou em outra, e utilizou o conhecimento que tinha para recuperar o controle de venda de droga de uma facção para outra. Teve praticamente uma guerra declarada

— afirmou o tenente-coronel Celante.

Segundo o subsecretário, o perfil dos membros que estão sendo identificados atuando nas facções criminosas e dos mortos nos confrontos preocupa.

Mais de 50% são adolescentes que estão entre as vítimas. 70% dos homicídios são praticados por armas de fogo. Por mais que nós tenhamos bairros com maior número de homicídios, nós podemos dizer que o trabalho intenso que fazemos tem efeito, com prisões de traficantes qualificados, de chefes do tráfico. Hoje, por exemplo, nós estamos com 9% de redução de homicídios se comparado com o ano passado, são 70 mortes a menos

— apontou Celante.

Bairros com mais mortes na Grande Vitória continuam os mesmos após cinco anos — Foto: TV Gazeta

Para reduzir os homicídios, Rusley Medeiros avalia que as ações precisam ir além da presença policial, ele defende ações contínuas e integração com moradores.

Não adianta nada nós termos praças, por exemplo, se a população não puder frequentar essas praças. Então, nós precisamos ampliar a presença policial, mas a partir da ideia comunitária, para estreitar o laço com a comunidade. Junto disso, devemos ter políticas educacionais e sociais para garantir que aquela população não precise entrar no tráfico de drogas, que eles vão ter uma perspectiva de futuro

— indicou Medeiros.

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