O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reunirá com executivos de empresas petrolíferas na Casa Branca no final desta semana para discutir formas de reavivar o setor petrolífero em ruínas da Venezuela, de acordo com três fontes familiarizadas com o assunto.
Duas das fontes disseram à Reuters que a reunião provavelmente ocorrerá na sexta-feira (9). Não ficou imediatamente claro quem participaria.
A Casa Branca não fez nenhum comentário imediato sobre o assunto.
Aumentar a produção de petróleo bruto da Venezuela, que possui as maiores reservas de petróleo do mundo, é um dos principais objetivos de Trump, depois que forças dos EUA prenderam o líder do país, Nicolás Maduro, em um ataque à capital, Caracas, no sábado (3).
As exportações da Venezuela caíram de mais de 3 milhões de barris por dia há duas décadas para menos de 1 milhão de barris por dia, em meio a uma prolongada falta de investimentos que deixou sua infraestrutura em frangalhos.
Autoridades do governo rejeitam as estimativas de analistas e executivos do setor de que levaria anos para aumentar a produção de petróleo bruto da Venezuela, dizendo que havia maneiras de impulsionar rapidamente o setor petrolífero do país com novos equipamentos e tecnologia.
A Chevron é a única grande petrolífera dos EUA que está operando nos campos de petróleo da Venezuela.
A Exxon Mobil e a ConocoPhillips eram grandes produtoras no país antes de seus projetos serem nacionalizados pelo ex-presidente Hugo Chávez há quase duas décadas.
As empresas não comentaram se estariam dispostas a retornar à Venezuela.
O secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, disse que uma opção para aumentar a produção de petróleo venezuelana no curto prazo seria Washington suspender as sanções que impediram o país de ter acesso a equipamentos cruciais de campos petrolíferos e outras tecnologias para maximizar a produção.
Algumas dessas coisas poderiam ser feitas muito rapidamente
— disse ele em uma entrevista à Fox Business Network. "A oportunidade do lado comercial aqui é realmente enorme."
Trump disse que a indústria norte-americana poderia expandir suas operações na Venezuela em menos de 18 meses, possivelmente com a ajuda de subsídios.
Será necessário gastar uma quantidade enorme de dinheiro, e as empresas petrolíferas gastarão, e depois serão reembolsadas por nós ou por meio de receita
— disse Trump à NBC News na segunda-feira.
Trump disse nesta terça-feira, em comentários a deputados republicanos, que o aumento da produção venezuelana também poderia reduzir os custos de energia para os norte-americanos.
Temos muito petróleo para perfurar, o que fará com que os preços do petróleo caiam ainda mais
— disse Trump.
Analistas e executivos do setor petrolífero têm sido céticos em relação a uma rápida recuperação do setor petrolífero venezuelano, apontando que sua infraestrutura degradada exigiria bilhões de dólares e anos para ser reconstruída.
As reservas de petróleo da Venezuela também estão entre as mais caras do mundo para serem desenvolvidas porque o petróleo é tão espesso e pesado que exige equipamentos especializados para extrair, transportar e refinar em combustíveis utilizáveis.
Com os preços globais do petróleo relativamente baixos para os padrões históricos, em torno de US$60 por barril, os produtores têm se concentrado em reservas mais baratas e fáceis de desenvolver.
É difícil imaginar aumentos além de 300.000 a 400.000 barris por dia no próximo ano, devido ao estado degradado da infraestrutura, especialmente dos upgraders
— disse Daan Struyven, codiretor de pesquisa global de commodities do Goldman Sachs, na Conferência de Energia, Tecnologia Limpa e Serviços Públicos do Goldman Sachs.
Ele disse que seria preciso esperar até o final da década para que a Venezuela atingisse 1,5 milhão a 2 milhões de bpd e, provavelmente, somente com apoio significativo do governo dos EUA.
Eu não descartaria a possibilidade, mas isso exigirá tempo e mudanças institucionais significativas
— disse ele.