Cruzando fronteiras com refugiados, testemunhando crimes contra a humanidade, viajando com papas ou cobrindo cúpulas diplomáticas, Jamil Chade percorreu mais de 70 países. Com seu escritório na sede da ONU em Genebra, ele foi eleito o segundo jornalista mais admirado do Brasil em 2025. Chade foi indicado 4 vezes como finalista do prêmio Jabuti. Ele é embaixador do Instituto Adus, membro do conselho do Instituto Vladimir Herzog e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade.
A nova presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, apenas ficará no cargo se cumprir as exigências apresentadas por Donald Trump a seu governo. Isso inclui acabar com o apoio para Cuba, expulsar os iranianos e outros atores indesejados na Venezuela, fechar o abastecimento de petróleo para adversários dos EUA e abrir o mercado de petróleo para as empresas americanas.
Eleições, direitos humanos e democracia? Por enquanto não, obrigado. A lista de condicionalidades foi primeiro revelada com exclusividade pelo site Politico.
Ao ICL Notícias, diplomatas latino-americanos na ONU confirmaram que um pacto foi negociado entre os EUA e o regime chavista, em Caracas, depois da captura de Nicolás Maduro no último sábado.
As exigências vão justamente na direção do discurso adotado desde domingo pelo governo americano: a recusa em permitir que a Venezuela seja um entreposto para adversários dos EUA na região e a garantia de que os recursos naturais possam ser explorados por empresas americanas.
Mike Waltz, o embaixador dos EUA na ONU, repetiu o mantra na reunião do Conselho de Segurança, nesta segunda-feira. Nas redes sociais, Donald Trump e sua equipe martelaram a ideia de que teriam o direito de determinar o que acontece em “nosso Hemisfério”.
cumprir os termos, demandas, condições e exigências dos EUA
— Stephan Miller, um dos principais conselheiros de Trump, confirmou também que mensagens foram passadas aos negociadores dos EUA de que aqueles que permaneceram no poder em Caracas iriam .
Identificar agentes iranianos, cubanos e de outras nacionalidades ou redes hostis a Washington na Venezuela;
Interromper a venda de petróleo a adversários dos EUA. Parte desse acordo ainda prevê a permissão para que sejam as empresas americanas que fariam as operações para recuperar a produção de petróleo da Venezuela, com uma participação significativa no setor a partir de agora.
A interrupção dessa venda ainda teria um componente de frear o que parecia ser a criação de um canal financeiro no setor de combustíveis que não usasse o dólar. O temor americano era de que a desdolarização ampliasse o questionamento da hegemonia dos EUA no mundo.
Autoridades americanas também esperam que Rodríguez promova eleições livres e renuncie ao cargo, sem concorrer à presidência. Neste caso, não haveria um prazo e parte da administração Trump considera que seria “prematuro” falar em um processo eleitoral. Não por acaso, a Casa Branca esnobou a líder da oposição, Maria Corina Machado, que esperava ser alçada ao cargo de presidente com a queda de Maduro.
Membros do governo brasileiro explicaram ao ICL Notícias que uma das preocupações dos EUA é a de não deixar um vácuo de poder, já que isso poderia jogar o país numa instabilidade ameaçadora. Corina Machado não teria o apoio suficiente para evitar uma crise doméstica.
Haveria ainda a possibilidade de que, no decorrer de 2026, algumas das sanções sejam retiradas contra parte da elite no poder na Venezuela.
Mas tudo isso dependeria de um acordo que permita o amplo e irrestrito acesso dos recursos do país às empresas de petróleo dos EUA. O tema é visto como crítico para a manutenção do governo de Delcy no poder.
O secretário de Estado, Marco Rubio, porém, já explicou que uma espécie de quarentena será criada contra petroleiros sancionados. De fato, o governo dos EUA manteria uma nova versão da “diplomacia das canhoneiras” contra Caracas, até se assegurar que o novo governo vai cumprir o acordo.
Ainda no domingo, Delcy mudou radicalmente seu tom e “convidou” os EUA a trabalhar de forma conjunta. Na ONU, apesar de denunciar a operação, a diplomacia da Venezuela fez questão de dizer que as instituições continuavam funcionando.
Trump, por seu lado, mandou um alerta claro para a nova presidente: qualquer ação num sentido que contrarie os interesses dos EUA seria respondida com um ataque ainda mais violento.
O fracasso das forças venezuelanas em frear a ação militar dos EUA ampliou a suspeita, até mesmo entre militares brasileiros, de que algum tipo de pacto teria sido fechado.
Na ONU, nesta segunda-feira, o Itamaraty alertou que a criação de um protetorado não seria bem-aceito pelo governo Lula.
Divisão no continente impediu que uma declaração final fosse adotada