A transformação da Escola Estadual Parque dos Sonhos, em Cubatão, não parou na conquista do prêmio internacional World's Best School Prize, em 2025. Agora, a experiência bem-sucedida da unidade na Baixada Santista servirá de base para uma nova rede de ensino, que será expandida por todo o estado de São Paulo.
O projeto, focado na categoria "Superação de Adversidades", será replicado em cem unidades escolares distribuídas por 30 regiões do estado a partir do próximo ano letivo.
Diferente de modelos puramente técnicos, o sucesso da escola de Cubatão reside no vínculo humano. Sob a gestão do diretor Régis Marques, que assumiu a unidade em 2016, a escola deixou de ser um lugar de conflito para se tornar um centro comunitário.
Temos 21 projetos propostos e implantados pelos professores. Nossos estudantes são reconhecidos regionalmente no vôlei e internacionalmente na patinação artística
— afirma Marques.
Na nossa escola, todos os estudantes são conhecidos por seus nomes. Os professores são motivados a criar projetos com os quais se identificam.
— Segundo o educador, a chave não está em fórmulas complexas, mas na atenção individualizada.
Batizada de Rede Escola dos Sonhos, a iniciativa tenta levar para outras unidades o método de mediação de conflitos e acolhimento.
O plano prevê treinamento para professores e a criação de atividades práticas, como artes e esportes, para manter os jovens ocupados e conectados ao colégio, combatendo diretamente a evasão escolar.
Um dos indicadores mais contundentes da eficácia do projeto não aparece em provas de desempenho, mas na paz do cotidiano escolar.
Segundo a Seduc-SP (Secretaria da Educação do Estado de São Paulo), a unidade não registra um único boletim de ocorrência por invasão ou vandalismo desde 2021, algo comum em zonas de vulnerabilidade.
envia professores para visitar as famílias.
— Para alcançar esse resultado, a escola vai até o aluno quando ele se afasta. O projeto "A Escola vai à sua CasaÉ mais uma forma de nos aproximar das famílias e fortalecer a proteção escolar", diz Marques.
A expansão do modelo será coordenada pela Seduc-SP e pelo programa Conviva. O governo pretende implementar a rede em 30 regiões, incluindo a capital, Campinas e São José do Rio Preto, essas duas últimas no interior de São Paulo.
As cem escolas vivenciarão, segundo a secretaria, uma jornada estruturada em eixos temáticos como: arte e cultura, esporte e cooperação, sustentabilidade, mediação e comunicação.
O desafio técnico, no entanto, será replicar o êxito de uma gestão que levou quase uma década para se consolidar em Cubatão em um cronograma de larga escala em colégios com realidades distintas.