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Passinho do Jamal: conheça dança que viralizou e conquistou Ivete Sangalo, João Gomes e ou

Passinho do Jamal viralizou nas redes sociais e conquistou artistas como Ivete Sangalo, João Gomes e Adriane Galisteu.

Voz do Sertão
Redação: Voz do Sertão 10/01/2026 às 04:30 · Atualizado há 2 dias
Passinho do Jamal: conheça dança que viralizou e conquistou Ivete Sangalo, João Gomes e ou
Foto: Reprodução / Arquivo

Passinho do Jamal viralizou nas redes sociais e conquistou artistas como Ivete Sangalo, João Gomes e Adriane Galisteu.

A coreografia foi criada em 2020 por dois amigos de infância que moram no Recife: Pedro Henrique e Romero Júnior.

A dança alcançou diversos públicos, de crianças a adultos, e é usada em diversas músicas de brega funk.

Famosos se rendem ao 'passinho do Jamal' e compartilham vídeos do bregafunk

Uma coreografia que mistura movimentos dos braços em sincronia com as pernas, um balanço tímido do quadril e um senso de ritmo apurado. É assim que se dança o Passinho do Jamal, que foi criado no Recife e viralizou nas redes sociais. Os cantores João Gomes, Ivete Sangalo e Chico César e a apresentadora Adriane Galisteu são alguns dos famosos que se renderam ao fenômeno (veja vídeo acima).

A origem do passinho foi no bairro de Santo Amaro, no Centro da capital pernambucana, onde moram os amigos de infância Pedro Henrique, de 25 anos, e Romero Júnior, de 21 anos – conhecidos como Eo Chapa e Jamal, respectivamente. A coreografia foi criada em 2020, mas a dança de brega funk só começou a repercutir nas redes sociais quase cinco anos depois.

A intenção não era nem para viralizar, porque a gente começou dançando brincando

— disse Eo Chapa em entrevista ao g1. Jamal contou que a criação do passinho que leva o seu apelido foi feita com base em uma coreografia já existente, mas ele acrescentou o movimento dos braços e moldou ao ritmo da dança.

Ivete Sangalo, Adriane Galisteu e João Gomes dançam o passinho do Jamal — Foto: Reprodução/Redes Sociais

O público da gente é mais criança. Todo dia eu abro os chats e vejo várias crianças falando: 'Jamal, eu sou teu fã, eu te amo, não sei o quê'. Poxa, isso tem preço não

— O Passinho do Jamal alcançou diversos públicos, de crianças a adultos, e é usado em diversas músicas de brega funk. , afirmou Jamal.

A dança começou a ser reconhecida juntamente com a música "Toma Botada", uma parceria de Eo Chapa com o MC Rogê. A canção chegou a ficar entre as músicas mais virais da plataforma de streaming Spotify. Para Jamal, o passinho valoriza a cultura do brega funk.

Com a repercussão da coreografia, a dupla se juntou com outros amigos para criar a Tropa do Jamal. Eles, que já trabalharam como servente de pedreiro e entregador de água mineral, conseguem viver, atualmente, dos recursos obtidos através da internet.

Eo Chapa e Jamal são amigos de infância e moram no Recife — Foto: Reprodução/Instagram

Em janeiro, o termo "Passinho do Jamal" foi uma das pesquisas populares do TikTok, onde usuários compartilham vídeos dançando e fazendo tutoriais da coreografia. Foi nessa plataforma que Rodrigo de Sousa, que tem 22 anos e mora em Américo Brasiliense, no interior de São Paulo, descobriu o passinho.

O jovem nunca visitou Pernambuco, mas conheceu o passinho recifense por meio das redes sociais. Ele compartilha em seu perfil uma série de vídeos mostrando como a coreografia pode se encaixar em diversos gêneros musicais.

Eu percebi que encaixaria em vários ritmos musicais sozinho, em casa mesmo. Como virou rotina, de aprender e dançar, então vi que algumas músicas combinavam

— Em entrevista ao g1, Rodrigo contou que não foi fácil aprender o Passinho do Jamal, mas que, com a prática, foi melhorando. , disse.

Um desses vídeos, em que ele faz o Passinho do Jamal ao som de "Single Ladies", da cantora estadunidense Beyoncé, alcançou mais de sete milhões de visualizações no Instagram. Ele contou com a colaboração dos seguidores sugerindo músicas diferentes para serem testadas com o passinho.

Teve uma que foi do Justin Bieber, que é a música 'Baby', que, na minha cabeça, não iria combinar [...], mas chegou na hora e encaixou perfeitamente

— Desde canções internacionais, como as de Michael Jackson e Linkin Park, até ritmos locais, como o forró de Mastruz com Leite e o rap de Racionais, o passinho parece combinar com todos. , lembrou Rodrigo.

Alguns estrangeiros também aderiram ao Passinho do Jamal. É o caso do influenciador mexicano Hector Xibille, que acumula quase 15 milhões de seguidores nos seus perfis no Instagram e TikTok. Um vídeo dele dançando o passinho recifense alcançou, em menos de uma semana, mais de dois milhões de visualizações.

A presença digital é uma das características do brega funk. O ritmo, criado nas periferias do Grande Recife, se utiliza, desde o início, das redes sociais para alcançar o público. Thiago Soares, que é professor e pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), explicou que o brega funk dialoga diretamente com os jovens.

O gênero musical, que surgiu entre 2008 e 2010, tem um perfil mais dinâmico, que se reinventa e se adapta aos novos cenários. Antes mesmo de ser criada a expressão "brega funk", já existiam músicas e danças que carregavam elementos do gênero, mas eram enquadradas como tecnobrega.

Mesmo com a relevância cultural do gênero, os comentários em vídeos de dancinhas de brega funk nem sempre são positivos. Muitos recriminam as coreografias e as consideram sexualizadas ou imorais.

Por ser uma coreografia que mexe com áreas do corpo que são, digamos, sexualizadas, então, a partir daí, também vem o ataque [...]. É muito interessante a gente fazer essa separação. Um gesto apenas, ele não é o elemento que define uma moral de um diálogo. É muito mais para que você está fazendo aquele gesto

— avaliou o professor.

O Passinho do Jamal tem uma característica diferente: o foco não está no movimento do quadril. O desafio da dança é conseguir a sincronia entre os braços e as pernas, de uma forma rítmica, quase como uma marcha. Ainda assim, o passinho é alvo de críticas daqueles que não o consideram uma expressão artística válida.

As músicas periféricas, historicamente, elas são estigmatizadas. O estigma acompanha a expressão cultural periférica. [...] As músicas periféricas são constantemente atacadas, e as redes sociais são um palco muito nocivo para esse tipo de expressão. É ali que as pessoas vão atacar

— declarou Thiago Soares.

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